quarta-feira, 28 de outubro de 2020

INCOERÊNCIAS DO ATIVISMO AMBIENTAL NA ATUALIDADE E DESAFIOS PARA O PRESENTE


Fechar os olhos e dizer que não há graves problemas ambientais no planeta e, especificamente, no Brasil, é uma heresia de cunho ideológico. Devemos apostar na imparcialidade quando abordamos questão tão relevante para o bem estar das pessoas, animais, biomas, rios, oceanos, etc. 

Há aqueles que, motivados pela veia ideológica, partidária, vêm seus defeitos apenas no outro, adversário político. Um exemplo bem atual é a questão da Amazônia. Não reconhecer o avanço da ocupação, a ação predatória de madeireiros e grileiros de terras, a poluição de rios pelo garimpo clandestino, é fechar os olhos para a realidade de um problema que não é de hoje – séculos e décadas da presença adventícia na região com certeza causa impactos – porém muito menor do que na Europa e outras regiões do planeta, desertificadas, desmatadas, com a quase extinção da fauna e flora desde séculos atrás. Hoje em dia a Amazonia virou o fato do dia e tenta-se jogar as mazelas globais sobre o atual Presidente e sua equipe, há menos de dois anos no poder. Movimentos internacionais, possivelmente orquestrados, focam a questão ambiental nesses 5% do espaço territorial do planeta (Amazônia brasileira e dos países limítrofes) - e buscam no atual governo o único culpado. Trata-se de um discurso ideológico partidário, centrando fogo em apenas um dos fatos importantes que podem aumentar o desequilíbrio, com aumento da devastação. Todos os dias países industrializados – como a China - geram diariamente milhares de toneladas de gases venenosos no Planeta. Centenas de milhares de toneladas de plástico a cada dia são jogados nos oceanos, provocando poluição das águas e morte da fauna e flora oceânicas, além da poluição de suas águas. Porém centram o discurso  pela "preservação ambiental" apenas na Amazônia, colocando o Brasil e países que a preservaram até agora, como os vilões desse filme. Até mesmo brasileiros, de suas mansões em Paris, Londres ou nos Alpes suíços, etc.,  viram as costas para o País, difamando e tentando desestabilizar sua economia, gerando mais empobrecimento para sua população – cujos maiores impactos recaem sobre os mais pobres. Juntam-se a um coro supostamente em defesa do meio-ambiente, porém com objetivos espúrios, políticos, sob patrocínio de grandes grupos gananciosos que sonham dominar o planeta, sob regime internacional de uma ditadura sem fronteiras de Partido Único! Cobrem esse objetivo com  mantos de heróis, guardiões da terra e de seus habitantes – porém jogam sob o tapete graves problemas causados por guerras mundiais, industrialização ultrapassada, consumismo e má destinação de refugos que poluem o ar, o solo e as águas de rios, estuários e oceanos. 

 No Brasil dezenas de milhares de sacolas plásticas são jogadas no lixo todos os dias, causando impacto nocivo ao ambiente, especialmente poluição do solo e da água – grande parte sem a devida reciclagem. Vários municípios legislaram sobre a questão, adotando sacos de papel ou pano para o transporte de mercadorias – sendo vetados até pelo STF - Supremo Tribunal Federal - em função de interesses de grandes fabricantes - e busca insana de maiores PIBs - Produto Interno Bruto. Não vemos ninguém quase colocar essa questão na mídia, como se o problema não existisse.    

 Recentemente o governo da Venezuela abriu espaço para o garimpo em mananciais, águas de rios que fluem para a Amazônia – porém nem  celebridades ou  ativistas do Greenpeace deram destaque a essa ação do ditador, que não apenas polui as águas dos rios daquele País com mercúrio, mas polui também os rios vizinhos que fluem em para o rio Amazonas, tributário. Mas o Brasil é que é "o vilão internacional, o  predador maior do Planeta"! Recentemente a Netflix colocou em sua programação uma série de reportagens sobre a devastação de florestas brasileiras por vizinhos na região andina – mas nenhum ativista, parece, replicou essas denúncias! Não denunciam o trabalho escravo em países andinos que produzem a pasta básica para a cocaína - que devasta a saúde física e mental de centenas de milhares, talvez milhões de jovens, nas Americas e Europa - uma orquestração sórdida dos que lucram ou buscam poder político com a desgraça da juventude - cada vez mais desinformada!

 Se o movimento ambientalista seguir submisso a essa agenda político-ideológica do "quanto pior melhor" com certeza os que mais sofrerão serão o meio-ambiente do planeta, os mais jovens e os mais pobres. As secas poderão ampliar a devastação pelo fogo – como vimos nos dois últimos anos, grandes incêndios na Austrália, Estados Unidos, parte da Europa e Brasil. O mundo acumula milhares e milhares de dejetos de usinas nucleares – até mesmo em Países como o Brasil, cujas matrizes, eólica e solar, devem aposentar usinas nucleares em nome do futuro.

 A Legislação deve ser rigorosamente cumprida. O interesse econômico não pode prevalecer sobre o cuidado e responsabilidade de industriais, fazendeiros, sitiantes. As terras públicas devem ser severamente protegidas – ações como das FFAA devem continuar e instituições devem pautar pelo interesse objetivo e não a reboque de interesses partidários antidemocraticos. Governos Estaduais e Municipais devem fiscalizar e orientar o reflorestamento e saneamento ambiental.

Cada Estado e cada Município devem assumir esforços para ampliar as “fábricas de chuva”, que são as árvores: junto a rodovias dos Estados, restaurando matas ciliares, obedecendo a legislação com restauração de áreas de preservação – conforme a lei; disciplinando o uso de agrotóxicos com os rigores da legislação – para não expor ainda mais a população consumidora a doenças como o câncer, doenças respiratórias, etc. 

 A racionalidade e real defesa da natureza e dos habitantes do planeta, homens, animais, micro-organismos, a biodiversidade, a saúde da terra e da água, devem ser defendidos em todo o Planeta. O que vemos nos últimos anos – com a politização do ativismo ambiental – é lamentável. O interesse de todos deve estar acima de querelas ideológicas. O aparelhamento do discurso ambiental deve ter seus nós desfeitos, tanto na esquerda como na direita.

 Neste ano de 2020 o ranking dos maiores poluidores do Planeta tem a China (28%) como campeã (e isso não foi motivo de grandes manchetes ou vozes escandalizadas de celebridades.  Na sequência da lista constam:  Estados Unidos (15%), Índia (7%) e Federação Russa (5%). O Brasil ficou em 14º lugar – porém é a bola da vez de pseudo-ecologistas.

 Na América do Sul o prêmio do avanço na contaminação oficial de rios e nascentes, com graves repercussões entre indígenas, é o regime de Nicolau Maduro:  “Em 2016, o presidente venezuelano Nicolás Maduro inaugurou o Arco Mineiro, que se estende de leste para oeste por 112.000 quilômetros quadrados (43.242 milhas quadradas) principalmente no Estado de Bolívar, ao sul do rio Orinoco e dentro da Amazônia venezuelana. Comunidades indígenas dentro do Arco Mineiro não receberam oportunidade de opinar sobre a mineração em sua região ou nas proximidades de seu território, uma violação flagrante da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, acordo do qual a Venezuela é partícipe. A extração não se espalha somente pelo arco de mineração de Bolivar, onde quadrilhas e militares competem por ouro, diamante e coltan, mas também pelo sul do Estado do Amazonas na Venezuela. Mulheres e homens indígenas abandonam suas comunidades ancestrais e pequenas fazendas pelo árduo, perigoso e pouco rentável trabalho nas minas”.

 Esta é uma reflexão que, creio, muitos devem estar fazendo. A terra é o mais belo planeta da Galáxia. Nenhum outro, até agora, poderá servir de Arca de Noé para refúgio de seus habitantes. A colonização de Marte parece uma fugaz utopia se apenas olharmos para as estrelas sem perceber que estamos destruindo nossa única morada.

 (Opinião e Pesquisa: José J. de Azevedo)

SAIBA MAIS

- https://brasil.mongabay.com/2018/03/expansao-do-arco-mineracao-venezuelano-devasta-culturas-povos-indigenas/

- https://www.bbc.com/portuguese/geral-47320332

- https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48683942

- https://revistaadnormas.com.br/2020/10/13/precisamos-e-podemos-reduzir-a-producao-de-lixo

- https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2018/11/21/emissoes-caem-mas-brasil-continua-entre-os-paises-mais-poluentes-do-mundo.htm

- https://www.climate-change-performance-index.org/

- https://www.ucsusa.org/resources/each-countrys-share-co2-emissions