A mentalidade geopolítica brasileira, com seus estrategistas
tecnocratas – a exemplo do período de Golbery do Couto e Silva, entre outros –
ainda articulam e conspiram com um discurso utilitarista e megalomaníaco [como
Itaipu, imposto- que destruiu o Parque Nacional das Sete Quedas – o maior do
mundo em volume d’água, além de inundar terras férteis equivalentes a três
baias da Guanabara, desalojando cerca de 10 mil pessoas!].
O nominado “Complexo
Hidrelétrico do Tapajós” é um megaprojeto criado em bastidores, à revelia
de ambientalistas, ministério do meio ambiente, cientistas, SPBC – Sociedade Brasileira
do Progresso da Ciência – entre outros. Prevê a construção de 5 a 7 grandes
represas no rio Tapajós e no maior de seus afluentes, o rio Jamanxim. O objetivo seria gerar cerca de 15mil MW de
potência, compondo o terceiro maior complexo hidroelétrico do mundo. Essa
soberba tecnocrata, de viés autoritário – foi gerada em um ambiente de trevas e
em paralelo a maior rede de corruptos e corruptores – hoje sob processo do MP
conhecido como “Lava-Jato”, e que levou dezenas de empresários e políticos sem “foro
privilegiado” a cadeia. O tal projeto inundaria cerca de 2 mil km2 de
florestas, atingindo dezenas de tribos e habitantes da floresta amazônica – em um
investimento fantástico de 21 bilhões de dólares!
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| Fantástica Bacia do Tapajós e sua rede de afluentes.ameaçados. |
MANANCIAIS DA BIODIVERSIDADE AMEAÇADOS
Por incrível que pareça os
projetistas de tal infâmia não respeitaram a lei, nem a Constituição Federal,
que garante a proteção de grandes áreas de parques nacionais, protegidos por
lei – transformando toda a região num canteiro de obras- gerando desequilíbrio ambiental,
invasão de territórios indígenas e poluindo um dos mais belos e majestosos rios
brasileiros. O impacto social e ambiental seria devastador para toda a região
amazônica – com o avanço de grileiros, máfias de madeireiros, etc.
Com certeza há interesses
internacionais envolvidos, em um possível consórcio predador com a China “socialista” e a Venezuela, pseudodemocrática.
O governo federal para impor seus projetos, mutilam através de expedientes extra-legais, grandes áreas da Amazônia, tendo em vista a sanha capitalista internacional,inclusive de viés "socialista", tipo ditadura chineza. O Brasil dessa forma, vira uma terra de
ninguém, onde a esperteza associada a uma cobiça megalomaníaca na contramão da
história e da mentalidade preservacionista dos tratados internacionais – onde cinicamente
os representantes brasileiros agem como se fossem defensores da urgente
sustentabilidade do Planeta – ameaçado de colapso pelo abuso perverso – como o
desequilíbrio climático, denunciado pela ciência.
Não basta a imposição autoritária da
Hidrelétrica de Belo Monte – sob cuja égide ocorreram graves desastres
ambientais, desestruturação de sociedades tribais, avanço da sociedade
perdulária – com seu séquito de devastadores, grileiros, fabricantes de
agrotóxicos, poluidores, etc.
A Amazônia é patrimônio da Humanidade
e deve ser preservada. Organismos internacionais, mídia responsável, ONGs, ONU –
Organização das Nações Unidas, não podem ficar indiferentes – ou em
cumplicidade, devido à mega-interesses, diante de mais essa ameaça, que diz
respeito ao futuro das novas gerações.
Conforme notícia da revista Carta Capital,
em reportagem de Felipe Milanez, desde 2013 toda a população da região
manifesta repúdio ao megaprojeto hidrelétrico: “Após audiência pública em 30 de agosto,
comunidades do rio Tapajós divulgam carta em que afirmam que não concordam com
a construção de usinas hidrelétricas no rio. Segundo os movimentos sociais,
"os argumentos dos representantes do governo revelaram que as
hidrelétricas seriam construídas em sacrifício dos povos e comunidades
tradicionais e em beneficio de uma pequena elite de grandes empreiteiras e
mineradoras. As comunidades criticam o uso de força militar contra os indígenas
Munduruku, sob o argumento de proteção aos pesquisadores que adentram os territórios
indígenas contra a vontade dos Munduruku. As ações do governo estariam criando,
dentro dos territórios indígenas, um "clima de terror".
Na Carta de Santarém, transcrevem
trechos de falas onde a população local manifesta indignação contra os projetos
e dizem estar sendo agredida. Dizem, também, que irão resistir e denunciam o
descumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
no que toca a consulta das populações afetadas pelos projetos.
Lembra Milanez que: “a
chegada dessa massiva indústria extrativista, de mineração e energia, tem
provocado transformações profundas na região. As usinas são vistas, pela
população local, como uma ameaça a sua sobrevivência, e exigem participarem do
debate sobre o seu futuro e o da região. O rio Tapajós é hoje um dos maiores
palcos de conflitos ecológicos no Brasil. O governo federal pretende instalar
mais de uma dúzia de usinas no Tapajós e afluentes, provocando um impacto cuja
real dimensão sobre as populações e a floresta é impossível de medir. As usinas
iriam produzir energia para o rico polo mineral do Tapajós e de Carajás. Há
diversas mineradoras de bauxita operando no delta do rio, como a Alcoa, em
Juruti, e a Mineração Rio do Norte, na margem esquerda do Amazonas. Há novos
projetos para mineração de ouro, bauxita e níquel na região, além de também
produzir energia para alimentar a Vale, em Carajás”.
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| Há anos os indios Mundukurus, entre outros, protestam contra a ameça a sua terra. |
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MUNDURUKUS: Funai, enfim, reconhece terra ancestral
Conforme noticia do Greenpeace, “Nos
últimos anos, por pressão do setor energético, uma hidrelétrica foi colocada no
caminho da demarcação de Sawré Muybu. Desde maio de 2011, São Luiz do Tapajós
passou a figurar como obra prioritária do governo. Se construída, ela poderia alagar
parte do território indígena, comprometendo a sobrevivência física e cultural
do povo Munduruku, devido aos impactos sobre a flora, a fauna e sobre os locais
sagrados do povo, e forçando a remoção da população que habita o território de
Sawré Muybu. De acordo com o Artigo 231 da Constituição Federal, é vedada a
remoção de grupos indígenas de suas terras, salvo em caso de catástrofe ou
epidemia que ponha em risco sua população, e garantindo o retorno imediato logo
que cesse o risco. A publicação do relatório é realmente um passo importante
para que a demarcação prossiga rumo aos momentos finais, sendo considerada uma
importante vitória que honra a tradição de luta do povo Munduruku e premia o
esforço de articulação realizado pelo povo no sentido garantir seus direitos
constitucionais e contra a construção de hidrelétricas no rio Tapajós”, afirma
Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace”.
Conforme o analista de políticas
públicas do WWF-Brasil, Kenzo Jucá, afirmou que a redefinição [redução] das
Unidades de Conservação, efetuada por meio de medida provisória, é fruto de uma
"concepção desenvolvimentista de País, que não leva em consideração os
cuidados ambientais" . "É um gesto que não atende aos interesses do
meio ambiente nem da população. Por meio dessa redefinição de limites, são
atacados os recursos hídricos, a biodiversidade e as florestas brasileiras.
Existe uma grande possibilidade de estarmos promovendo o desequilíbrio
ecológico" , disse o especialista.
S.O.S TAPAJÓS!
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| Manifestos unânimes das poplações indígenas contra ameaça de devastação ambientalna região do Tapajós. |
CONHEÇA MAIS:
- http://revistaviaamazonia.blogspot.com.br/2012/12/tapajos-ameacado.html
(Pesquisa: José Julio de Azevedo / Fotos: Internet)
País poderia produzir uma “Tapajós” de
energia renovável, diz Greenpeace
O Greenpeace lança hoje um relatório
internacional com três cenários energéticos que indicam que o Brasil
poderia produzir energia a partir de fontes renováveis na mesma
quantidade que a prevista, em média, pela usina de São Luiz do Tapajós.
Os ganhos seriam ambientais e sociais, evitando desmatamento, o
deslocamento de povos indígenas e comunidades tradicionais, além de
perdas de biodiversidade na maior floresta tropical do mundo. Ainda,
poderiam impulsionar o país a investir em fontes de energia
contemporâneas e de menor impacto.
“As centrais hidrelétricas da Amazônia
representam uma escolha desatualizada em relação ao patrimônio ambiental
da região e às populações indígenas”, diz o relatório “Hidrelétricas na
Amazônia: um mau negócio para o Brasil e para o mundo”, obtido com
exclusividade pelo Valor. Há mais de 10 mil índios mundurukus espalhados
pela calha do rio Tapajós e que se sentem ameaçados pelos planos de
construção de usinas na região onde vivem há séculos [milênios].
A combinação entre a energia
produzida por usinas solares, eólicas e de biomassa seria mais cara que a
previsão de investimentos em São Luiz do Tapajós, estimada em R$ 28
bilhões. Mas, se os investimentos em São Luiz aumentarem, acompanhando a
trajetória das hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, o
valor de São Luiz do Tapajós poderia saltar para R$ 52 bilhões, calculam
os ambientalistas. Neste caso, a opção pelas outras fontes se torna
atraente.
O relatório do Greenpeace lembra que a
usina de São Luiz do Tapajós teria capacidade instalada de 8.040 MW, com
uma média de energia firme esperada de 4.012 MW. Seriam cinco anos de
construção, mas com a última turbina entrando em operação no 7º ano,
prazo equivalente ao dos cenários sugeridos pelo Greenpeace.
O estudo explora três cenários
energéticos. O primeiro combina fontes solares com eólicas que poderiam
resultar em 4.425 MW em oito anos (considerando o prazo do contrato e
instalação), com investimentos de R$ 50 bilhões. O segundo explora a
combinação de usinas solares, eólicas e energia de biomassa a um custo
de R$ 45 bilhões. A proposta mais econômica conjuga geração eólica com
biomassa e significaria R$ 35 bilhões.
“A estratégia atual de construir a
matriz energética do futuro é a de não se basear em uma única fonte”,
diz Ricardo Baitelo, coordenador de clima e energia do Greenpeace no
Brasil. “Ao complementar com a energia produzida por outras fontes, se
consegue ter maior segurança energética. Quando uma fonte está fora de
sua temporada de geração, a outra pode complementar a lacuna
energética”, explica. “Eólica e biomassa são perfeitas para a época de
estiagem, quando as hidrelétricas têm problemas”, ilustra, referindo-se
ao que costuma ocorrer entre maio e novembro. O Brasil, na época da
estiagem, tem usado fontes térmicas, mais caras e emissoras de
gases-estufa.
Na investida do Greenpeace há também um
caminho político. “Buscamos fazer uma discussão com as empresas e
questioná-las”, diz Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do
Greenpeace, referindo-se aos agentes financiadores e empresas que
poderiam se interessar pelo projeto das usinas do Tapajós, tanto na
construção como no fornecimento de equipamentos. Os ativistas têm
entrado em contato com empresas procurando convencê-las do contrário.
Há ações previstas também no exterior. “Nossa tese é que elas não
deveriam participar dos leilões do Tapajós e de nenhuma outra
hidrelétrica na Amazônia”, diz Aguiar.
No relatório, o Greenpeace pede que o
governo brasileiro cancele seus planos de construir hidrelétricas na
Amazônia e estimule empresas e financiadores a desenvolver um futuro de
energia “verdadeiramente limpa para o Brasil”.
São Luiz do Tapajós pode vir a ser a
maior usina na Amazônia depois de Belo Monte. Se construída, irá alagar
376 km²de florestas em região de biodiversidade excepcional. “A aposta
em novas hidrelétricas na Amazônia tem causado enorme destruição e se
mostrado um erro desastroso para o país e para o mundo”, diz Aguiar.