DEZENAS DE CAIXÕES DE DEFUNTO JOGADOS
EM FRENTE AO CONGRESSO
DENUNCIAM A HISTÓRIA SECULAR DE CRIMES E DESPREZO
CONTRA OS PRIMEIROS HABITANTES DAS AMÉRICAS!
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| BRASILIA, AMEDRONTADA E ENVERGONHADA SENDO OCUPADA EM NOME DE CENTENS DE TRIBOS. |
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| DIPLOMATAS DA AMAZONIA,VIERAM ARMADOS DE RAZÃO E FLECHAS |
De um lado os povos ameríndios com seu grito de
guerra, desempenho escancarando a realidade do genocídio praticado no País
desde que as botas europeias pisaram neste solo. Centenas de milhões de pessoas
no mundo viram a cena. Mais uma vez o Brasil no tribunal da consciência
mundial. Gritos, alaridos, movimentação de sobreviventes na dignidade de sua
condição de gente livre que o Brasil despreza... e mata!
Do outro lado dos vidros meia dúzia da guarda legislativa
em polvorosa, imobilizados pelo espanto da realidade jogada na cara de congressistas,
com estilhaços na praça dos 3 Poderes. Grande parte desses personagens sob
suspeita, indiciada por corrupção, com nomes escancarados em manchetes,
tabletes, celulares, na rede mundial da Internet – que mostra um país patético,
soberbo – cujos três poderes no Planalto Central. Logo a tropa de choque chega,
reagindo a passeata que confrontava a consciência. Verdades como labaredas
sobre a cabeça dos inimigos dos índios. Dezenas de bombas de gás são
arremessadas sobre os manifestantes – revelando que a democracia brasileira é
mais do que relativa e, geralmente, uma farsa, engodo, teatro cínico.
Conforme o Jornal Correio Brasiliense, de 25.4, “O protesto dos indígenas, que acontece na
Esplanada dos Ministérios nesta terça-feira (25/4), terminou em confronto entre
índios e policiais militares. Segundo a corporação, bombas de gás lacrimogêneo
e de efeito moral foram disparadas pelos militares após os manifestantes descumprirem
um acordo feito com a Polícia Militar do Distrito Federal, de não bloquear a
via S1. Exaltados, eles teriam tentado invadir, ainda, as casas legislativas.
De acordo com as lideranças indígenas, quatro pessoas do grupo foram presas. A
PMDF rebate a informação, alegando que ninguém foi preso ou ferido. Os
indígenas, que participam do Acampamento Terra Livre 2017, protestam para pedir
pela demarcação de terras indígenas e contra ações do governo Michel Temer que,
segundo eles, enfraquece a Fundação Nacional do Índio (Funai). Estava prevista
para às 13h, uma marcha até o Congresso Nacional. Segundo a Polícia Militar do
Distrito Federal (PMDF), os índios não cumpriram o acordo que fizeram e
invadiram toda a S1 e o espelho d'agua e ameaçaram invadir o Congresso
Nacional. Diante disso a PMDF utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito
moral”.
Os
representantes das nações indígenas realizarão manifestos contra a Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 215, que, se aprovada transferiria a decisão final
da demarcação de terras indígenas do Executivo para o Legislativo. Para eles,
isso irá causar mais prejuízos à causa indígena do Brasil. Trata-se de um movimento moral, de sobrevivência
étnica e cultural de dezenas de povos indígenas contra essa ameaça, que poderia
ampliar os conflitos entre latifundiários e falsos proprietários de terras –
grileiros – que historicamente fraudam títulos, invadem terras públicas, em
conluio entre governadores, parlamentares, prefeitos, cartórios, topógrafos e
até um embaixador, no caso de um gigantesco grilo* no Paraná, no início do
século passado – associados a profissionais da grilagem. Isso aconteceu no
Paraná e em todos os estados da Federação – em um País que despreza o direito
dos mais pobres, que não podem pagar advogados, custas, nem conhecem os
meandros da esperteza bandeirante que ainda, infelizmente, perdura no País.
Enquanto os Estados Unidos realizaram gigantesca reforma agrária no País, há
duzentos anos – o que fez dos EUA um dos grandes celeiros de alimentos no
planeta – o Brasil atrasado contabiliza as vítimas seculares de gestões
fraudulentas e injustas.
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| TRIBOS GUARANI-KAIUÁ RESISTEM PELO SEU LAR ANCESTRAL |
O Censo Demográfico 2010 contabilizou a população
indígena com base nas pessoas que se declararam indígenas no quesito cor ou
raça e para os residentes em Terras Indígenas que não se declararam, mas se
consideraram indígenas. Cerca de 896 mil pessoas que se declaravam ou se
consideravam indígenas, 572 mil ou 63,8 %, viviam na área rural e 517 mil, ou
57,5 %, moravam em Terras Indígenas oficialmente reconhecidas.
ESTIMATIVA – Conforme site da Funai – Fundação
Nacional do Índio, Um dado importante foi o aumento da proporção de indígenas
urbanizados.
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| MENINOS YANOMAMIS EM ÁREA DEMARCADA - DIAMANTES E ESTRANGEIROS COBIÇOSOS! |
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| CONTRABANDO DE DIAMANTES: ÍNDIOS EXPLORADOS |
274 LÍNGUAS INDIGENAS – Foram registradas no Brasil
a existência de 274 idiomas indígenas. Com relação às 274 línguas faladas, o
censo demonstrou que cerca de 17,5% da população indígena não fala a língua
portuguesa.
“Esta população, em sua grande maioria, vem
enfrentando uma acelerada e complexa transformação social, necessitando buscar
novas respostas para a sua sobrevivência física e cultural e garantir às
próximas gerações melhor qualidade de vida. As comunidades indígenas vêm
enfrentando problemas concretos, tais como invasões e degradações territoriais
e ambientais, exploração sexual, aliciamento e uso de drogas, exploração de
trabalho, inclusive infantil, mendicância, êxodo desordenado causando grande
concentração de indígenas nas cidades. Segundo dados do censo do IBGE realizado
em 2010, a população brasileira soma 190.755.799 milhões de pessoas. Ainda
segundo o censo, 817.963 mil são indígenas, representando 305 diferentes etnias”.
COMO
UMA TRIBO VIVENDO NA IDADE DA PEDRA
FOI
CONTATADA NOS ANOS 50 E EXTERMINADA
EM
CERCA DE 20 ANOS NO ESTADO DO PARANÁ
Centenas de milhares de índios foram mortos,
no Brasil. Outros foram obrigados a se adaptar ao mundo dos brancos e dos
escravos quilombolas, que fugiam da escravidão para sobreviver. Os relatos
históricos são poucos as a memória dos índios registra esses fatos ignorados
porque realizados sob o manto das selvas, longe da imprensa, desde que as
Caravelas de Pedro Alvares Cabral chegarem a Porto Seguro, em 1500, junto ao
litoral da Bahia. Mas há histórias que comprovam essa mentalidade
espiritualmente decrepita no avanço das quadrilhas bandeirantes e das marchas
pioneiras para o oeste. Uma delas foi fartamente registrada, apesar de haver,
ainda, dúvidas sobre autores dos massacres que envergonharam o governo
paranaense e o antigo SPI – Serviço de Proteção ao Índio [hoje FUNAI]. Os caixões chegaram
vazios a Brasília, e um dia os culpados estarão diante do tribunal divino,
justo, perfeito e implacável.
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| WLADMIR KOZÁK ZELOU MEMÓRIA DOS HETÁS |
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| INDIOS DA PEDRA LASCADA EXTINTOS NO PARANÁ. |
Resumo Histórico do Museu
Paranaense:
“A
expansão no território paranaense e contatos com grupos indígenas foi assim
registrada por Charquette em série de artigos intitulada No rastro do
desconhecido selvícola da Serra dos Dourados, publicada no O Estado do Paraná
em 10 de novembro de 1955: “No final dos anos quarenta, a "febre do
café" contagia todo o Paraná: trabalha-se, luta-se e mata-se por um
punhado de terra que sirva para a plantação de cafezais. As férteis terras
roxas do norte paranaense já não são suficientes para atender a ganância das
companhias colonizadoras que invadem também as regiões de solo arenoso do nordeste,
impróprias para a cultura do café; a madeira não interessa, queima-se a
floresta para facilitar os loteamentos... No período citado, agrimensores da
Companhia de Colonização que atuava na região, anteriormente isolada e coberta
por mata impenetrável, denominada Serra dos Dourados, avistaram estranhos
índios”.
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| WLADMIR KOZAK, ÚNÍCO AMIGO DOS HETÁS. |
1949.
O Auxiliar de Inspetoria, Wismar da Costa Filho, do Serviço de Proteção aos
Índios (SPI), visita a região da Serra dos Dourados, para verificar a
procedência das notícias da existência de “índios selvagens" naquele
local. Os índios, sendo arredios, não se deixam alcançar, mas são encontradas
suas aldeias e artefatos.
1951.
O Inspetor do SPI Deocleciano de Souza Nenê visita a região ainda para
verificar a suposta presença indígena na Serra dos Dourados, onde opera a
Colonizadora Suemitsu Miyamura & Cia. Ltda. O Inspetor confirma a presença
de índios no local, porém novamente não consegue alcançá-los.
1952.
Um menino indígena de aproximadamente oito anos, Tikuein Ueió, é capturado
pelos agrimensores da Cia. de Colonização, juntamente com um adulto, em 3 de
junho de 1952. Em decorrência deste contato e captura, o Departamento de
Geografia, Terras e Colonização do Estado do Paraná comunica ao SPI a presença
indígena na Gleba Serra dos Dourados, e pede providências, em 23 de junho do
mesmo ano. Atendendo ao pedido, o Inspetor do SPI viaja novamente ao local,
onde confirma a veracidade das informações e percorre alguns locais na
tentativa de estabelecer contato com os índios. Estes fogem a toda aproximação,
inclusive sem tocar os presentes deixados pelos agrimensores. O índio adulto,
que permaneceu alguns dias com os agrimensores, também foge, ficando o menino,
o qual é levado para Curitiba pelo Inspetor, que lhe dá o nome de Antônio
Guairá Paraná, ou Kaiuá, nome pelo qual ficou conhecido entre os brancos.
1953.
Outro menino, lnambu Guaka, é capturado pelos medidores de terra da mesma
companhia. Este também é levado para Curitiba e criado pela família do
Inspetor, recebendo o nome de Tukanambá José Paraná.
1954.
Manhã de seis de dezembro de 1954, seis homens “nus’ saem de suas moradias na
floresta em direção à casa daqueles desconhecidos que ocuparam suas terras e
nela fixaram residência, criando estranhos animais (gado, cavalo, cachorro) e
utilizando instrumentos de ferro para derrubar o mato e as árvores (foice,
machado e enxada). Como medida de proteção, os índios deixam alguns dos seus
companheiros cuidando das mulheres e das crianças, enquanto outros deles, em
pontos estratégicos, observam à distância, no intuito de resguardá-los do
possível ataque daqueles homens estranhos, que vestiam roupas e tinham pelos no
corpo.
Demonstrando
que estavam em missão de paz, escondem seus arcos e flechas na mata e rumam em
direção ao ponto almejado, a Fazenda Santa Rosa. Esta fazenda, pertencente ao
deputado estadual Antônio Lustosa de Oliveira, havia sido instalada em 1952 nas
imediações do córrego do Peroba, afluente da margem direita do Indoivai,
próximo às atuais cidades de Douradina e Ivaté, região também conhecida como
Serra dos Dourados, no noroeste do estado do Paraná. Neste local, os indígenas
que mais tarde viriam a ser denominados Xetá, estabelecem o primeiro contato
com brancos, através do administrador da propriedade, Antônio Lustosa de
Freitas, e de seus familiares.
Os
seis homens nus eram Iratxameway, Ajatukã ou Ta’hey, o adulto Eirakã, Kuein Manhaai Nhaguakã e o jovem
Eirakã.
1955.
Com a colaboração de Ajatukã, o administrador da Fazenda Santa Rosa (Antônio
Lustosa de Freitas) consegue alcançar outra das aldeias Xetá, a de Mă,
conhecido como Haikumbay, irmão de Ajatukã e Iratxameway.
Em
outubro de 1955 e realizada uma expedição de contato pelo SPI, acompanhada pelo
antropólogo e professor da Universidade Federal do Paraná José Loureiro
Fernandes, pelos dois meninos Xetá capturados (Tuka e Kaiuá), entre outros
não-índios. A expedição localiza aldeias e objetos de cultura material, hoje
parte dos acervos etnográficos do Museu Paranaense (Secretaria de Estado da
Cultura), do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná e
do Museu de Arqueologia e Etnologia de Paranaguá (Universidade Federal do
Paraná). A equipe, porém, não encontra novos grupos indígenas, nem mesmo os
seis que haviam visitado a Fazenda Santa Rosa.
Na
mesma época, o deputado Antônio Lustosa de Oliveira propõe na Assembleia
Legislativa a criação de um Parque Florestal Estadual na região da Serra
dos Dourados, onde se previa uma área para ser destinada aos Xetá.
Um
mês depois, novembro de 1955, é realizada outra expedição do SPI – Serviço de
Proteção do Índio - visando o contato com os índios, os quais desta vez são
encontrados na Fazenda Santa Rosa. Os dois meninos, Tuka e Kaiuá, novamente
acompanham a equipe como intérpretes. A expedição chega também na aldeia onde
vivia Mã e Ajatukã. Nesta ocasião, a pequena Moko, ou Ã, também chamada Maria Rosa Padilha ou Maria
Rosa à Xetá, e trazida para Curitiba pelo Chefe do SPI – Dival José de Souza.
1956.
Dias 20, 21 e 22 de fevereiro, a expedição de pesquisa da Universidade Federal
do Paraná, coordenada pelo professor e antropólogo José Loureiro Fernandes,
guiada por Ajatukã, Mã, Tuka, o administrador da Fazenda Santa Rosa e o mateiro
Pedro Nunes, localiza dois subgrupos Xetá no interior da floresta. Entre eles,
o núcleo familiar de Nhengo e alguns amigos do pai de Tuka. Nenhum dos dois
subgrupos recém-localizados segue-os até a fazenda. Durante o encontro foram
produzidas imagens fotográficas do grupo encontrado, por Vladimir Kozák. Assim sendo, várias cenas apresentadas neste trabalho
são originárias desta aproximação da expedição de pesquisa com os Xetá no seu
território de origem.
Por
volta do mês de outubro ou novembro, o núcleo familiar de Nhengo é massacrado
no interior da mata por brancos armados. Localizado sozinho, ele e levado por
repórteres da Revista Manchete para junto daqueles que viviam nas imediações da
Fazenda Santa Rosa.
Em
novembro do ano em questão, e realizada outra expedição de pesquisa pela
Universidade Federal do Paraná, com vistas a efetuar novas observações
etnográficas. A equipe manifesta-se convicta de que o habitat Xetá era o
Córrego 215, tributário da margem esquerda do rio Ivaí, porém não localiza mais
nenhum outro grupo indígena.
Neste
mesmo ano, Tinguá, filha de Iratxamëway, de aproximadamente oito anos, nominada
posteriormente Maria Rosa Tiguá Brasil, foi separada de seus pais e levada para
ser criada pelo administrador da “fazenda” e sua esposa. Pouco tempo depois,
provavelmente 1957, Tikuein Gamei, nominado posteriormente Geraldo Brasil,
filho de Mã, também é retirado dos pais para ser criado pelo administrador da
fazenda.
1957.
Reivindicada no Congresso Nacional a criação do Parque Nacional de Sete Quedas,
onde deveria ser destinado um local para os Xetá. Durante o mês de maio (do dia
13 ao 27), foi realizada nova viagem de pesquisa pela Universidade Federal do
Paraná à Serra dos Dourados. Mateiros informam presença de índios Xetá no
riacho Maravilha, porem não e confirmada a procedência da informação. Em
outubro, o Inspetor do SPI viaja a Serra dos Dourados acompanhado por Tuka a
fim de instalar um Posto de Atração para abrigar os índios Xetá que ainda
viviam nas matas. A tentativa, porém, não prospera, dispersando-se cada vez
mais os índios remanescentes.
1958.
De 12 a 29 de janeiro e realizada viagem de pesquisa pela Universidade Federal
do Paraná para coleta de dados junto aos índios Xetá que permaneceram junto à
Fazenda Santa Rosa.
1959.
Durante os meses de julho e outubro, são realizadas expedições de pesquisa pela
Universidade Federal do Paraná com vistas à localização de possíveis grupos
Xetá e levantamento fitogeográfico da região. Mateiros que trabalham no local
informam existir grupo de índios Xetá fugindo dos brancos, vivendo na região do
riacho Maravilha. Há mais ou menos seis quilômetros de distância da Fazenda
Santa Rosa, uma pequena aldeia Xetá é habitada por duas famílias: Ajatukã, suas
duas esposas e dois filhos, e Eirakã, esposa e a filha Tiguá. A Gazeta do Povo,
em 3 de dezembro de 1959, publicou o artigo “Recuo melancólico dos Xetá na
Serra dos Dourados”: a insânia pioneira perturba a obra da natureza:
Em
dezembro, a Companhia Brasileira de Colonização e Imigração (Cobrinco), que
atuava na região, intensifica a ocupação do território Xetá. “Seus caminhões
teriam sido vistos pelo menos duas vezes conduzindo os índios para fora da
Serra dos Dourados. Qual o destino? Nada se sabe. Ninguém, ao que parece, até
agora procurou averiguar (...). Pessoas temem fazer denúncias".
1960.
Nos meses de julho e setembro, a equipe de pesquisa da Universidade Federal do
Paraná, composta pelo linguista Aryon Dall’lgna Rodrigues, O antropólogo José
Loureiro Fernandes, o cinetécnico Vladimir Kozák e a arqueóloga Annette Laming
Emperaire, esta do Museu do Homem de Paris, coleta dados junto á aldeia do
grupo de Ajatukã.
1961.
No período de janeiro a fevereiro e realizada a última viagem de pesquisa ao
local do grupo acima referido. Mateiros que realizam a derrubada das florestas
para as companhias colonizadoras e comunicam novamente sobre a presença de
índios sem contato nos remanescentes das áreas ainda não desmatadas (o córrego
Maravilha e outros). Aumenta a destruição da mata e das aldeias pela ação do
fogo. Já não existem mais terras na região que não tenham sido expropriadas
pelos colonizadores e a reserva de mata ainda existente já pertence a
particulares.
Março de 1961.
Mã, seu filho Tikuein (ou José Luciano da Silva, como foi registrado pelos
brancos) e Nhengo são lavados pelo funcionário do SPI, João Pereira Gomes,
conhecido como João Serrano, para a área indígena Pinhalzinho, no município de
Tomazina.
Maio de 1961.
Criado o Parque Nacional de Sete Quedas, mediante o Decreto Presidencial n.°
50665, de 30 de maio de 1961, no qual deveria ser reservado um local para
abrigar os Xetá. O Parque, entretanto, não será efetivado, ficando os Xetá sem
território demarcado para o grupo.
1962. Em junho
“. Lavradores ... destroem impiedosamente os remanescentes da tribo Xetá no
noroeste do Estado. Consta que várias crianças foram sequestradas...”. (O
Jornal, 1962).
1962/1963.
Índios Xetá são vistos vagando pela cidade de Umuarama em estado de completo
abandono.
1963.
Eirakã, sua esposa Aruay e o filho Tikuein são transferidos para o Posto
Indígena Marrecas dos Índios, no Município de Guarapuava.
1964.
Em fevereiro, morre Ajatukã. Sua esposa e filhos perambulam entre a mata e a
fazenda Santa Flosa na luta pela sobrevivência. Durante os meses de julho e
outubro e realizada expedição de pesquisa da Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras de Presidente Prudente, que percorre a região da Serra dos Dourados à
procura de grupos Xetá. Não os encontra.
1966.
Morre a esposa de Ajatukã.
1967.
Morrem no Posto Indígena de Marrecas Eirakã e sua esposa Aruay, deixando dois
filhos, Tikuein e Rondon.
1972.
Morre Mã.
1973.
Em 25 de janeiro, morre Tikuein Gamei (Geraldo Brasil).
1973.
Morre Nhengo.
1976.
Morre Kaiuá.
O
povo Xetá desaparece do cenário paranaense. Sobrevivem alguns indivíduos
(crianças e jovens), transferidos do seu território, retirados do convívio de
seus familiares e de seu referencial cultural, criados por famílias brancas que
habitavam diferentes pontos do estado do Paraná, e encaminhados alguns a postos
indígenas.
* Grilo - terra ocupada de forma ilegal através de expedientes ilicitos, documentos falsos - pode ser terras públicas - ocupadas ou não por tribos indígenas - ou de antigos herdeiros.
















