O meio é que pode ser produto do homem
Durante décadas ouvimos a cantilena de que “o homem é produto do meio”. Esse tipo de mensagem darwinista, com certeza, leva a uma situação psicológica de apatia e fatalismo. Uma síndrome de Gabriela, “eu nasci assim, eu vou ser sempre assim”.
É (in)justamente assim que muitos políticos triunfam sobre a prostração de vítimas desse tipo de discurso. Uma elite formada por esse tipo de mentalidade prospera sobre a maioria que levanta cedo, pega o ônibus ou metrô lotado para, resignadamente, trabalhar suas oito ou dez horas – ao preço do mercado, sempre aliado dos poderosos do momento. Essa é a logica darwiniana que cabe como uma luva na afirmativa de que “o homem é produto do meio”.
Dessa forma é que cresce o poder do Estado – o ‘filé mignon’ dos “evoluídos da espécie” – sobre a Nação. Esse parece ser o retrato que os brasileiros querem rasgar – e já começaram – quebrando as pernas dessa hegemonia dos espertos, dos corruptos, dos quadrilheiros de fraque, toga ou gravata. A esses juntam os que também cobiçam seu pedaço de carne de primeira, suas viagens a Londres e Paris; aos puxa-sacos de megaempresários que manipulam a imprensa e querem controlar as mídias sociais. Querem manter e ampliar o status quo - unindo todas as forças contra a “amaldiçoada classe média“ que segura a peteca: gerando empregos, promovendo o comércio e a indústria, fortalecendo a vida espiritual, construindo templos, hospitais, creches, associações – transformando o meio que querem submisso e achatado. Algumas das maiores universidades dos EUA e Inglaterra foram fundadas por igrejas cristãs. Assim vemos cidades e países florescerem, a cultura sendo partilhada rumo ao crescimento moral e espiritual – frente aos que querem destruir essas bases, para que o meio que eles querem – o Estado poderoso e sua elite – domine para sempre através do monólito partidário – ou partido único reinando soberano sobre o resto que “nasceu para saber qual é o seu lugar no mundo”. O que vemos em alguns países “socialistas“ latinos? Uma grande massa que a duras penas e sob jugo policial, espionagem e delação aprendeu qual é o seu lugar na rígida estrutura darwinista.
Para manter o homem como “produto do meio” o meio é o Estado e seus iluminados sacerdotes que controlam a mídia, fecham as fronteiras, ameaçam ou prendem, querendo manter a manada em seu devido lugar. Que merda de revolução é essa?
Já disse e repito, a liberdade é o que identifica um homem de verdade. O sábio chinês Lao-Tsé, que viveu cerca de 600 anos AC, disse que “o melhor governo é o que menos governa”. Ele pregava valores como a pureza, a serena simplicidade e a unidade do homem em submissão ao Tao (Deus). Um dos grandes problemas do Estado dominado por uma elite partidária – onde a oposição é proscrita e considerada criminosa quando se opõe ou questiona publicamente essa elite do poder monopolizado – é justamente o fim da liberdade. Sob esse tipo de jugo os cidadãos perdem a esperança, caem no ostracismo a aprendem a viver das “migalhas que caem da mesa de seus senhores” (Mateus 15.21-28). Com certeza essa realidade faz parte também dos mega capitalistas que namoram com os socialistas e querem o mundo sob um único partido. Democracias, porém, no capitalismo ético, oferecem condições de crescimento e melhoria de vida para as gerações que se sucedem. Quantos exemplos de famílias que, através de anos e anos de muito suor e trabalho, puderam legar uma vida melhor e com mais oportunidades para filhos e netos!? O norte do Paraná é um exemplo real pois com alguns trocados e terras com títulos seguros, milhares de migrantes e emigrantes puderam comprar seu pedaço de terra – rural ou urbano – para pagar em prestações anuais. Hoje é a região mais próspera do Paraná. Eram homens rudes, muitas vezes analfabetos, estrangeiros ou flagelados das secas do Nordeste (dominado por uma elite político-latifundiária, que sobrevive da miséria alheia). Nesta região ocorreu a contra afirmativa de que “o homem é produto do meio” . O homem com seu trabalho e suas ferramentas transformou o meio para sua prosperidade, apesar da quase completa ausência do Estado – cujas primeiras iniciativas foram as coletorias de impostos. A presença do estado poderia ter, no caso, protegido melhor as reservas florestais – pela orientação e fiscalização, mais do que pela coerção totalitária!
Quando o Estado triunfa sobre a população o que vemos é uma crescente concentração de riquezas e poder em mãos de uma minoria estatal, ou imperial – geralmente perdulária e improdutiva, como um câncer que cresce e prospera como sanguessugas.
Que tipo de política você aprova? Aquela que planeja e administra para a população ou aquela que a domina, monitora através de uma rede cada vez maior de burocratas incapazes de produzir algo que signifique verdadeiro progresso? Você acha que “o homem é produto do meio”? Uma das travas do Brasil é justamente o aparelhamento do Estado, nas últimas décadas. Agora há um esforço para libertar o País da sanha de sanguessugas apoiados pela impunidade oficializada. Vamos avançar ou retroceder?
Homens e mulheres lúcidos, de coragem, criatividade e obstinação nos provaram que podemos mudar e transformar o mundo, as circunstâncias e a própria natureza egoísta de uma sociedade – não pela imposição autoritária ou pelo ódio ou por Estados dominadores, conduzidos por inimigos da liberdade, mas porque cultivam um ideal de verdadeira justiça e solidariedade humana. Para a quem não crê o homem não passa de fruto de uma evolução, que não sabe de onde veio nem para onde vai.
Homens motivados e fortalecidos moral e espiritualmente é que fazem a boa diferença rumo a um País e a um mundo melhor! (José Julio de Azevedo/Jornalista).
