quarta-feira, 21 de junho de 2017

NAZISMO: UM PARANAENSE CONVIVEU COM JOSEF MENGUELE, O "ANJO DA MORTE"



Josef Menguele - Günzburg, 16.03.1911 - Bertioga, 07.02.1979.


 A notícia do achado do legado maldito de fugitivos  nazistas a américa do Sul correu o mundo esta semana.  Foi descoberta uma sala secreta em um antiquário de Buenos Aires. Dentro dela, bustos de bronze de Adolf Hitler, medalhas em estojos estofados, etc.  Esse acervo está sendo destinado ao Museu do Holocausto, na capital Argentina.  São cerca de 70 objetos - a maior coleção nazi já encontrada naquele país. Entre fotos e bustos do ditador Hitler há uma águia decorada com uma suástica, além de um medidor de crânios que, segundo médicos e antropólogos nazistas podia detectar se a pessoa pertencia a raça ariana – que deveria governar o planeta se a Alemanha e o Japão fosse vitoriosos na sangrenta 2ª Guerra Mundial.

A descoberta desse legado deve-se a Policia Internacional – Interpol – e, possivelmente, foi trazido à América do Sul “pelos diversos integrantes do alto escalão do regime nazista que fugiram da Alemanha próximo do fim da Segunda Guerra”. Entre vários integrantes do primeiro escalão do 3º Reich estava o médico Josef Menguele, que ganhou a alcunha de Anjo da Morte, em função de suas experiências marcadas pela crueldade com crianças, mulheres e idosos, em suas pesquisas – chegando a injetar tinta azul nos olhos de suas vítimas para saber ser possível mudar a cor da íris humana. Há relatos da passagem desse médico nazista no Rio Grande do Sul, Paraguai e no Paraná – morrendo em 1979 numa praia de Bertioga, no litoral paulista. Outro nazista que buscou refúgio na Argentina foi Adolf Eichmann, detido em 1960 pelo serviço secreto de Israel e levado para Israel onde foi julgado por crimes de guerra e condenado à morte por enforcamento.

Há muitas histórias sobre a passagem de nazistas no cone sul. Tive a oportunidade de ouvir o relato abaixo, proferido por um homem honesto, sincero e que não teria nenhum motivo para inventar o que disse, em várias entrevistas que fizemos.
São Mateus do Sul anos de 1940-50 (montagem de fotos)

UM “PEDREIRO” CHAMADO JOSEF MENGUELE


Certa manhã de sábado encontrei Afonso Kosinski no centro da cidade de São Mateus do Sul-PR. Conversamos. Estávamos junto a um sobrado que fica numa esquina. Hoje funcionam ali uma loja e, na sobreloja escritórios de advogado e de contabilidade. Ele apontou o dedo para o edifício e disse, para minha surpresa:

- O diabo se escondeu aqui!

Afonso Kosinski, quando criança, vivia na Fazenda Maria Clara, local onde a família Leão operava lucrando com o beneficiamento de erva mate nativa, além da poderosa floresta de araucárias – cujos troncos caiam com estrondo, empobrecendo a paisagem, fadigando homens e meninos, além de enriquecer seus proprietários. Durante sua infância e adolescência trabalhava para a empresa Mate Leão. Seu turno era de cerca de 12 horas por dia, na fábrica de caixas de madeira – que eram utilizadas para embalar a erva queimada, já preparada para o preparo do chá. Quando tinha cerca de 12 anos passou a trabalhar no Vapor Sara, que transportava vigas e tábuas de pinho e carregamento de erva mate. A bordo ele e seus companheiros, ainda meninos, tinha que circular descalços pelo vapor e estar de prontidão, mesmo durante a noite, para embarque e desembarque de carga.

Afonso: Infância na Fazenda Maria Clara

Bem jovem ainda Afonso deixou a fazenda, onde seus pais sobreviviam no regime de “coifa” – tinham direito de plantar algum alqueire para sua subsistência. Em contrapartida, faziam o serviço da fazenda, cortar pinheiros centenários ou colher a erva mate. O jovem Afonso foi viver em São Mateus do Sul em busca de oportunidade de trabalhar e viver com mais dignidade – pois se considerava um verdadeiro menino escravo naquela empresa.

                Por volta de 1955, na pequena cidade, trabalhava como ajudante de pedreiro para Alcebíades Fabrin, um calabrês que estava construindo o templo da Igreja Católica em frente ao antigo Colégio das Irmãs. Lembra que seu chefe era enérgico, exigente e estúpido no trato com seus auxiliares.

Entre os anos de 1960 a 1962 Afonso trabalhou na construção da sede do antigo Banco Inco, que pertencia a um grupo de capitalistas gaúchos. São Mateus do Sul, na época, via declinar o movimento de vapores no Rio Iguaçu, era uma cidadezinha quase isolada, cercada de florestas de araucária que eram derrubadas e devoradas pelas várias serrarias. O comércio era fraco, as ruas descalças e o povo empobrecido, tanto na cidade como na área rural.
José Julio e Afonso Kosinski, o entrevistado.

Trabalhavam na construção do banco, cujo edifício continua em pé, na esquina da rua Barão do Rio Branco com Rua Dom Pedro II, os pedreiros Cláudio Watzwiski, Afonso Kosinski, sendo Ludovico, auxiliar juntamente com mais dois garotos. Alcebíades Fabrin era também o patrão, o construtor do edifício. Henrique Pioli veio de União da Vitória como gerente do Banco Inço. Ele mudou-se para São Mateus do Sul e passou a gerenciar a construção. Assumiu a gerencia administrativa do Banco depois da inauguração. Afonso lembra que Alvir Lisheski era o subgerente. Ambos já falecidos.

           Certo dia apareceu na obra o delegado de polícia, conhecido por Vivi Pinheiro, parente de Dutra Pinheiro. Chamou Alcebíades de um lado para conversar. Dias depois chegou um novo auxiliar. No dizer de Afonso, “um homem forte, alto, de com cerca de 1,90m, troncudo, dentuço e ruivão, enteado para trás, deixando ver as entrâncias calvas”.

                Fabrin apresentou-o:

- Esse homem é pedreiro, arruma algum servicinho pra ele.

Afonso comenta:

- Interessante que o chefe, Alcebíades, era muito exigente com o trabalho. Mas não se importava coma porcaria de serviço que o homem fazia.

Na época havia uma churrascaria ao lado do antigo Posto do Jung (Hoje Triangulo). Às vezes o homem saia na hora do almoço para tomar refeição naquela churrascaria, onde era hospedado – outras vezes mandavam uma marmita para ele comer no local da obra – conta Kosinski.

                Não demorou muito para o homem revelar seu caráter e traços de sua biografia. O homem falava alto e com sotaque estrangeiro, acentuando os erres. Não tinha papas na língua para criticar os brasileiros. Conforme Afonso:

- Ele dizia que não tinha gente inteligente no Brasil. Falava: Aqui só tem frouxo e burro!

Na segunda vez que visitei Kosinski, em sua residência em um sitio próximo da cidade levei duas fotos do Anjo da Morte, Josef Menguele, para ver se ele reconhecia o rosto. Ele disse|:

- É esse mesmo, o dentuço, ele tinha esse espaço entre os dentes da frente!

Conforme Afonso, não demorou muito para implicar com João pelo fato dele ser bem moreno. Caçoava e ria dele, com desdém e antipatia.

- O João era um caboclo escuro, alegre, gente boa!

Mas o pobre do João já não aguentava o tal homem dentuço e seus palavrões num sotaque difícil de entender. Um dia pegou um pedaço de pau e disse

- Eu ainda mato esse sujeito!

Dias depois o grandalhão passou a gabar de si mesmo.

- Ele disse que veio para o Brasil disfarçado de padre, para conhecer o Brasil e mandar informações para meus aliados. Dizia:

-  Vocês são burros, eu entrei no Brasil com a maior facilidade!

Logo mais, além do sarcasmo com que tratava os pedreiros e ajudantes, que tinham que conviver com o tal ruivão, ele passou a gabar a Alemanha, especialmente o nazismo e seus ideais:

- Matamos milhões de judeus, raça ruim que não vale nada! A gente matava com gás ou queimava.

A gente sempre estava discutindo com ele – se defendendo. Dizia pra ele mudar de conversa – lembra Afonso. Quando a gente falava dele, entre nós,  dizíamos: O cavalo, o monstro!

- Um dia ele declarou: “Eu sou Joseph Menguele”. Afonso recorda desses dias em que viviam contrariados com a prepotência do grandalhão:

- Ele ficou uns quarenta dias perturbando a gente. Ele passava pela gente de cabeça erguida, fungando. A gente olhava e via o diabo vivo. Lembro que quando batia o sino a Igreja, ao meio dia, ele dizia: “A privada tá batendo o badalo”. A gente falava pra ele não zombar e ele respondia: “Deus? Quem é Deus? Quem é ele, um judeu também?”

O pesadelo estava acabando para aqueles operários. Uma tarde os Pinheiros e o Fabrin chegaram na obra e levaram o dentuço.

- Depois que o nazista foi embora o Fabrin pediu para derrubar a parede que o Menguele ergueu, toda torta e mal rebocada.

                - Ninguém mais soube dele. Disseram que ele parou em Curitiba antes de se esconder aqui em São Mateus do Sul – conclui Afonso.

                (Entrevista a José Julio de Azevedo)


MENGUELE NO BRASIL
 Josef Menguele viveu vários anos na Argentina, para onde refugiu-se com a derrota do Eixo, formado pela Alemanha, Japão e Itália,  na 2ª Guerra Mundial.  Com a captura de Adolf Eichmann por agentes do Mossad - grupo israelense secreto, em Buenos Aires, Mengele decidiu fugir da Argentina e se escondeu no Paraguai para depois passar para o Brasil, onde teria vivido em Mamborê, Estado do Paraná. Lá, exercera ilegalmente a medicina, recebendo pacientes e prescrevendo medicamentos, sempre com identidade falsa. A Polícia Civil recebera a notícia do exercício ilegal da profissão, e por conta da investigação, Mengele fugiu antes da ação penal ter sido ajuizada. Prescrito esse crime, o delegado de polícia requereu o arquivamento do inquérito policial, e o Poder Judiciário assim declarou, já nos anos 80.  Temendo ser identificado Mengele fugiu de Mamborê, continuou sua fuga pelo Brasil, tendo residido clandestinamente em diversas localidades: Serra Negra, Assis, Marília, Nova Europa, Mogi das Cruzes e Bertioga, no estado de São Paulo, até à sua morte. Possivelmente era acolhido por pessoas simpatizantes ou em troca de dinheiro, em sua jornada de criminoso de guerra em fuga
Nem a Mossad ou o Centro Simon Wiesenthal conseguiram localizá-lo apesar de o seu filho Rolf o ter visitado duas vezes e com ele trocar correspondência. Sabe-se hoje que no Brasil viveu num sítio em Caieiras de propriedade de um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert, sob o nome falso de Pedro Gerhard. Quando lhe perguntavam o passado, afirmava que como oficial alemão se limitava a selecionar as pessoas aptas para o trabalho e que nunca matara ninguém. Em 1979, o seu estado de saúde estava em franca deterioração e a família austríaca que o assistia convidou-o a refrescar-se numa praia de pendente muito suave, Bertioga, no litoral paulista, Menguele aceitou. Quando alguns membros se introduziram na água, Menguele seguiu-os até alcançar uma distância de 100 m, mas a escassa profundidade. Então, por motivos confusos e nunca esclarecidos, afogou-se, apesar de um dos amigos que o acompanhava ter imediatamente dado auxílio (supôs-de cãibras, ataque cardíaco, etc., ou mesmo suicídio).
A versão oficial é que se feriu, talvez acidentalmente, com um pedaço de madeira quando nadava em Bertioga, e isso provocou a sua morte por afogamento. Causa estranheza o fato de que Mengele não sabia nadar. Os seus ossos foram exumados em 1985, no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das Artes, na grande São Paulo. A perícia, conduzida por especialistas do IML e da FOUSP, determinou que a ossada era do médico nazista: um defeito que tinha nos dentes superiores anteriores foi comprovado, além de coincidir em idade e estatura. Em 1992, uma análise de ADN confirmou finalmente a sua identidade. Menguele nunca foi punido pelas suas atitudes, falecendo praticamente sozinho no litoral paulista (Wikipédia).
Presos trabalhavam e morriam de fome ou nas camaras de gás.


EXPERIENCIAS MACABRAS DO "ANJO DA MORTE"


Josef Menguele, é considerado  o pior dos símbolos da perversão da Medicina. A influencia do darwinismo ao afirmar que o ser humano não passa de fruto de um "processo natural" e que a sobrevivência depende  de uma "seleção natural" com certeza foi uma das marcantes influencias de Josef e outros médicos nazistas do Terceiro Reich. Hitler nasceu numa região considerada um "viveiro de médiuns"- conforme descrito no livro "O Despertar dos Mágicos"- e Menguele acreditava ser possível  controlar e aperfeiçoar geneticamente a população  até que esta atingisse a perfeição. Essa pretença perfeição ariana era o ideal Nazi para o ser humano. Na realidade, os Nazis queriam a todo o custo criar um “novo homem”, um homem superior e perfeito em todos os aspectos. Por este motivo, Menguele e os seus tenebrosos objetivos "científicos" iam totalmente ao encontro daquilo que era defendido pela elite Nazi. Em Auschwitz, Menguele levou a cabo algumas das mais macabras experiências da história da humanidade. Crianças presas a lajes de mármore, eram sondadas, injetadas e lancetadas na espinha, olhos e órgãos internos, muitas vezes com produtos químicos que provocavam terríveis dores e sem qualquer anestesia para aliviar as mesmas. 
O livro "O Papa de Hitler" descreve o envolvimento da religião com o projeto nazista.
A algumas das crianças que Menguele vitimou oferecia doces e confortos que não estavam acessíveis à esmagadora maioria dos prisioneiros de Auschwitz. Nestes momentos de maior "bondade", Josef Menguele é descrito como tendo sido afável e tranquilizador, não se poupando a esforços para evitar as dores das suas vitimas. Mas, muitas vezes, não era este o verdadeiro Menguele. Ele tinha tendência para ter fúrias violentas e ordenar execuções sumárias, em alguns casos era ele próprio o carrasco destas execuções. Estas situações de fúria por parte de Menguele, podem indiciar um certo desequilíbrio na personalidade de Menguele, que exigia também um estrito código disciplinar no seu laboratório. Mengele, foi descrito por um amigo seu como sendo possuído desde muito novo por uma ambição devoradora, uma verdadeira paixão pela fama. A cobiça sem limites levou-o a pior degradação a quem um ser humano é capaz de mergulhar - essa personagem, de fato, morreu  solitário, ao mergulhar nas águas do Atlântico - seria um mal súbito ou suicídio? (1). (JJA)
1. A tradução portuguesa do nome do carrasco nazista tem duas versões: Josef Menguele ou Josef Mengele - optamos pela primeira.

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terça-feira, 13 de junho de 2017

PELO FIM DA DITADURA DA IMPUNIDADE, EM BUSCA DE UM DESTINO NOBRE PARA O BRASIL

AMAZONIA, A MAIOR RESERVA DE FLORESTAS TROPICAIS DO PLANETA

Qual será o futuro do nosso querido e abençoado Brasil? Terra de confluências de raças, onde habitam centenas de etnias. País profundamente belo em sua diversidade cultural e biodiversidade. País rico em minérios, generoso em suas águas subterrâneas, rios e florestas. Mais do que nunca é preciso o diálogo responsável e a contribuição de todos para sairmos da crise politica, moral e econômica, unindo as forças do bem, sob lideranças altruístas dos diversos setores da sociedade. 

OS BRASILEIROS FALAM EM MAIS DE UMA CENTENA DE IDIOMAS E TEM A MAIOR BIODIVERSIDADE DO PLANETA.
 
O Brasil vive uma crise de moralidade e autoridade sem paralelos em sua História. Nunca tantos personagens estiveram tão envolvidos numa corrupção sistêmica – gerando caos social e abandono da população. Os impostos sobem exponencialmente e os cidadãos de norte a sul estão insatisfeitos. A rejeição para com a classe política, e também a setores do ministério público, nunca esteve tão alta. Enquanto isso a marginalidade cresce, seguindo o mal exemplo que vem da elite. De um lado empresários, banqueiros e megainvestidores dando calote na dívida para com a União – mais de uma centena de bilhões de reais; o mesmo para com a Previdência Social, INSS – que querem jogar nas costas do povo a irresponsabilidade através de reformas tendenciosas. Verdadeiras quadrilhas sangram nossa economia levando bilhões para paraísos fiscais.

Durante décadas os 3 poderes foram se blindando para estar acima da lei e da justiça. Milhares de personagens se aproveitaram do ”foro privilegiado” – outra excrescência   exorbitada na nova república, para ficar impunes de crimes praticados, seja para enriquecimento ilícito ou em função de outros crimes, planejados. Essa perniciosa, nociva e degradante impunidade faz do Brasil um tipo de “casa da mãe joana” para o riso da plateia internacional – afundando ainda mais a moral da Nação.
TARSILA RETRATATOU A DIVERSIDADE ÉTNICA DO BRASIL

Essa crise não poderá ser resolvida pela classe política, isoladamente, já que ela – através de vários governos, em décadas - é a principal responsável pela sua existência. Os legisladores tem negado resposta ao clamor popular pelo fim da corrupção, aliado a setores do Ministério Público e a Policia Federal – que tem exercido seu papel com determinação e nobreza – mesmo ameaçados por grupos marginais, à direita e à esquerda, com seus motivos ideológicos de construção de regimes ditos socializantes – porém na verdade, inspirados pela cobiça da permanência no poder, em conspirações luciferianas. De um lado uma elite encastelada nos poderes, com suas ramificações centenárias, querendo manter o queijo da república em suas ratoeiras de luxo, de outro os “revolucionários” embalados em sonhos quixotescos de um Estado autoritário capaz de nivelar a nação numa grande classe subalterna, proletária, governada por uma casta de visionários formando uma nova elite governante.

Todo esse jogo perverso e quimérico como se a sociedade não soubesse o valor do trabalho, a dignidade do suor, seus sacrifícios para criar seus filhos e manter sua família nos valores herdados de pais e avós, sob o signo do cristianismo – que garante a liberdade nos países onde vem triunfando sobre as mazelas de seus inimigos.

Há, pois, o anseio para virar essa página manchada de traições, defraudações – com suas vítimas, as quais o Estado não atendeu em vista de interesses mesquinhos, lesa-humanidade, que não permitiram melhores escolas e professores bem remunerados – para ensinar e não impor sua ideologia político-social; que negaram atendimento a milhares de idosos e crianças em filas de postos de saúde e hospitais sem leitos suficientes, sem medicamentos ou equipamentos necessários. Pelo tanto que o Brasil arrecada, sendo um dos mais ricos do mundo, poderíamos ter um IDH – Índice de Desenvolvimento Humano - melhor do que o da Dinamarca e Noruega, que estão entre os menos corruptos do planeta.

O Brasil convive com um índice de criminalidade que faz inveja a guerras civis que pipocam pelo mundo, com cerca de 50 mil vítimas anuais, além da crise econômica com cerca de 13 milhões de desempregados – formando na juventude, sem oportunidades dignas de estudo e trabalho, uma mentalidade propensa ao crime, ao tráfico, contrabando, vítimas de quadrilhas e facções que já não conhecem fronteira entre presídios e palácios de governo – nos estados e em Brasília.

Já passou da hora de ser introduzido nesse angu de caroço o diálogo entre o STF, os comandantes militares, parlamentares ainda não-indiciados pela corrupção sistêmica lesa-pátria, bem como personalidades proeminentes da sociedade civil: OAB, SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,  CNBB, Presidentes de Concílios de Igrejas Evangélicas, Reitores de Universidades públicas e particulares, pensadores, jornalistas, filósofos, escritores,  empresários não envolvidos na corrupção, etc., para formularem um caminho novo para o País – que dignifique a República e honra a cidadania composta de milhões de trabalhadores, no campo e nas cidades, que simplesmente se sentem marginalizados e traídos – como se seu papel na sociedade fosse apenas pagar impostos para serem irresponsável e abusivamente traídos.

Que Deus, em sua misericórdia e soberania, faça prevalecer os valores e ideais que forjam uma verdadeira civilização, em nosso País, tão diverso de tribos e culturas, tão rico e abençoado por seus mananciais de água, energia, florestas, minerais - formando um dos povos que mais trabalham no mundo. Que milhões de orações sejam ouvidas pelo Todo Poderoso, que ama o pecador arrependido mas abomina a injustiça.


(José Julio de Azevedo)


SERRA DOS ÓRGÁOS, NO ESTADO DO  RIO DE JANEIRO

ARQUIPÉLAGO FERNANDO DE NORONHA, MANANCIAL E ATRAÇÃO TURISTICA

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Enquanto cerca de 215 milhões de cristãos são perseguidos ou mortos o Comissariado da ONU - Nações Unidas - quer restringir acesso a Cultos cristãos no Reino Unido


Zeid ibn Ra'ad , comissário da ONU para Direitos Humanos




A hipocrisia chegou a seu ponto máximo nos bastidores da ONU – Organização das Nações Unidas. Dessa vez pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos - EACDH (em inglês, Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights, OHCHR), que é o órgão consultivo e regulatório das Nações Unidas. Sua área de atuação, quando criado, dizia respeito à promoção e proteção dos Direitos Humanos, conforme legislação internacional e referendados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.


Logotipo do Alto Comissariado da ONU
Esse Comissariado foi estabelecido pela ONU em 20.12.1993. Esse escritório é liderado pelo Alto Comissário de Direitos Humanos – criado para avaliar e coordenar atividades da área de direitos humanos e supervisionar o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Atualmente o cargo de Alto Comissário é exercido pelo diplomata jordano Príncipe Zeid ibn Ra'ad, que sucedeu em 2014 à advogada sul-africana Navanethem Pillay. Em 2008, o orçamento da agência era de US$ 120 milhões, com 1.000 empregados baseados em Genebra.




Enquanto dezenas de milhares de cristãos foram mortos, na última década, a ONU não denuncia esses extermínios e perseguições violentas, adotando uma política vesga e alheia ao que se passa no mundo. Enquanto o ocidente cristão dá ampla liberdade religiosa a grupos minoritários, como muçulmanos, budistas, cultos de origem africana – onde raramente há alguma hostilidade, os cristãos decrescem em função de extrema perseguição em alguns países, e, em outros, tem que fugir para salvar suas vidas, passando por toda sorte de privações. No ocidente ninguém sofre perseguição por mudar de religião. Os raros casos de conversões ao islamismo é visto com respeito – e ocorrem geralmente em função de casamentos quando o noivo professa a religião do Islã.  Essa tendência “politicamente correta” na ONU a faz cumplice de centenas de milhões de vítimas da intolerância religiosa, especialmente na Ásia e Oriente Médio.  

Sede do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, em Genebra

Durante a XVI Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, em março de 2011, Dom Silvano Tomasi discursou sobre Liberdade Religiosa e Direitos Humanos:

Senhor Presidente! No centro dos direitos humanos fundamentais estão as liberdades de religião, de consciência e de crença: elas influenciam a identidade pessoal e as escolhas essenciais, além de tornar possível beneficiar de outros direitos humanos. Como afirma a Declaração da ONU sobre a eliminação de todas as formas de intolerância e de discriminação baseadas na religião ou crença, a dimensão espiritual da vida é uma parte imprescindível da existência humana. Porém, a proliferação de episódios de discriminação e de violência contra as pessoas, as comunidades de fé e os lugares de culto em várias regiões geográficas do mundo nega na prática o princípio proclamado pela lei. O conflito religioso é um perigo para o desenvolvimento social, político e económico. O conflito religioso polariza a sociedade, rompendo os vínculos necessários para fazer prosperar a vida social e relacional. Produz uma violência que priva as pessoas do mais fundamental de todos os direitos, o direito à vida. Lança as sementes do desânimo e da amargura que podem ser transmitidas durante gerações. Muitas vezes, a impunidade e o menosprezo de uma parte dos meios de comunicação acompanham tais tragédias. Uma recente pesquisa revela que entre 100 pessoas assassinadas por causa do ódio religioso, 75 são cristãs. Esta concentração da discriminação religiosa deveria preocupar todos. Todavia, nesta intervenção, o propósito da Santa Sé é reafirmar a importância do direito à liberdade religiosa para todos os indivíduos, todas as comunidades de fé e cada sociedade, no mundo inteiro”.[1]

PERSEGUIÇÃO CRUEL: OS LUGARES MAIS

HOSTIS AOS CRISTÃOS, NO MUNDO

 

Conforme levantamento do Portas Abertas, cerca de 215 milhões de cristãos são perseguidos em países de maioria muçulmana, ou de orientação totalitária, como a Coréia do Norte. Essa cifra refere-se aos cristãos perseguidos nos 50 países que fazem parte da Lista de 2017. A população total destes 50 países gira em torno dos 4,83 bilhões de habitantes, dos quais cerca de 650 milhões são cristãos. Destes, 30% (isto é, 215 milhões) sofrem algum tipo de perseguição que vai da alta à extrema. Revela que 1 cristão a cada 3 é gravemente perseguido nestes 50 países. Diz-se “mais de” 250 milhões, porque existem cristãos perseguidos também em nações que não fazem parte da lista mundial, como Uganda, Nepal, Azerbaijão, Quirguistão, Níger, Cuba, entre outros. A pontuação total passou de 3299 de 2016 a 3355 em 2017, mostrando claramente que a perseguição dos cristãos em todo o mundo tende a aumentar.

Portas Abertas, pesquisa e monitora fatos relacionados a perseguição a cristãos, no mundo, revela os países mais hostis, nessa lista de 50 países onde cristãos são alvo de perseguição. Há 15 anos a Coreia do Norte – regime “democrático socialista”, na verdade o mais totalitário regime do planeta, lidera a Lista Mundial da Perseguição. Define a Coréia do Norte como “lugar onde os direitos à liberdade de pensamento, religião, expressão e informação não são respeitados. Há anos, não há mudança para a igreja: cristãos enfrentam níveis de pressão extremos em todas as áreas da vida, combinados com alto grau de violência”. Em seguida vem a Somália: o País ocupa o 2º lugar entre os que mais perseguem cristãos: “Mergulhada em uma guerra civil sem fim, fragmentação social, tribalismo e radicalismo, a Somália está mais uma vez no topo dos 10 da Lista Mundial da Perseguição e, de fato, apenas a um ponto de distância do líder, Coreia do Norte. O país está na Lista desde 1993”. Em 3º lugar está o Afeganistão, país marcado pelo extremismo islâmico e que não experimenta liberdade e paz há séculos – atualmente extremistas talibãs e ISIS lutam contra as tropas do governo afegão no nordeste do país e atacam minorias: “A perseguição é extrema em todas as esferas da vida, especialmente para cristãos de origem muçulmana, que enfrentam pressão da família, comunidade e nação para negar a fé. Muitos foram mortos depois que sua conversão foi descoberta; outros foram levados a clínicas psiquiátricas, já que ninguém em perfeito juízo abandonaria o islamismo; muitos têm suas propriedades destruídas ou repassadas para outros. Fatos que acontecem até mesmo diante a mera suspeita de que se tornaram cristãos”.

O Paquistão ocupa o 4º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2017. Ano passado, o país ficou em 6o. O nível de pressão está em um nível extremo e se espalhou mais ou menos igualmente em todas as esferas da vida, mas com maior pressão sobre a igreja. Além disso, a violência aumentou consideravelmente pelo segundo ano consecutivo. “O Talibã ainda está vivo e pode atacar, conforme mostrado na Páscoa de 2016, no bombardeio de Lahore, em que eles afirmaram explicitamente terem direcionado o ataque contra os cristãos. As reuniões aos domingos para adoração ainda são possíveis para os cristãos, mas todas as outras atividades cristãs são fortemente desaprovadas”. O site pede orações pelos cristãos ex-muçulmanos que sofrem o peso da perseguição no país. Grupos radicais islâmicos os veem como apóstatas e as suas famílias, amigos e vizinhos o veem como uma vergonha para a comunidade. “Cerca de 700 meninas e mulheres cristãs são raptadas por ano, frequentemente forçadas a casar com homens muçulmanos”.

O Sudão é o 5º pais mais hostil aos cristãos: “Sob o governo autoritário de Al-Bashir, não existe Estado de direito no Sudão. Leis restringem a imprensa e a mídia, bem como a liberdade de expressão dos cidadãos. Historicamente, o islã tem raízes profundas na sociedade sudanesa, e o governo está implementando estritamente a política de uma única religião, cultura e idioma. O panorama étnico-cultural é complicado: árabes versus grupos étnicos africanos; mulçumanos versus cristãos. A separação do Sudão do Sul em 2011 não resolveu os problemas. Isso se aplica particularmente aos grupos étnicos da África, já que um número significativo deles é cristão e ainda vive no país. Os cristãos, tanto ex-muçulmanos como migrantes e históricos, enfrentam forte perseguição da sociedade. Esse nível de pressão aumentou muito em relação ao último ano, o que fez o Sudão subir três pontos na Lista, fruto de um governo que prende, assedia, intimida e expulsa cristãos, e dificulta a construção e permanência de igrejas.”

Em seguida vem a Síria, que ocupa o 6º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2017. No ano passado, o país posicionou-se em 5º: “A pressão sobre os cristãos é extrema em áreas controladas pelo Estado Islâmico e rebeldes. Porque a maioria dos cristãos fugiu dessas áreas, o número de incidentes violentos diminuiu. Isso explica a queda de uma posição na Lista em relação ao ano anterior. Além disso, muitas igrejas já haviam sido destruídas no período anterior. Outro fator é a dificuldade de se receberem informações concretas de um país atolado no caos da guerra civil. Uma guerra que começou como uma revolta popular em 2011, com demandas por maior liberdade política e reformas econômicas, semelhantemente a outros países árabes nesse mesmo período. No entanto, as raízes do conflito são mais profundas e complicadas do que costuma ser noticiado, e incluem o conflito de classes, as divisões rurais contra as urbanas e a liberdade política reprimida. Isso explica, em parte, por que o conflito evoluiu tão rapidamente para um conflito sectário extremamente violento que já dura seis anos. De acordo com a ONU, em 2015 havia mais de 22 milhões de habitantes no país. Portas Abertas estimou o número total de cristãos na Síria em 1,1 milhão em 2014 – e 1,9 milhão anteriormente em 2012. O número decrescente de cristãos deve-se à emigração (antes da guerra civil) e ao número de refugiados causado pela guerra civil”.[2]

 

REINO UNIDO É UM PAIS DE MAIORIA CRISTÃ

QUE PROTEGE A LIBERDADE DE TODAS AS RELIGIÕES

 

Conforme o site de Direitos Humanos do Reino Unido, em sua declaração sobre “Compromissos de Direitos Humanos” – destaca que “o Reino Unido protege as crianças através de uma substancial legislação que abrange os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. Essas leis criam um quadro nacional eficaz para apoiar resultados positivos para as crianças. Criamos comissários para crianças e jovens em todo o Reino Unido. Vamos aumentar ainda mais nosso foco em crianças e suas famílias, através de apoio e proteção contínuos para que todas as crianças tenham o melhor começo na vida e possam atingir seu potencial”. Reafirma também que a proteção e promoção do direito à liberdade de religião ou crença é uma das Principais prioridades de direitos humanos, no Reino, pois “é um direito fundamental que sustenta muitos outros direitos”.  Lembra que “onde a liberdade de religião está sob ameaça, normalmente outras liberdades também são restritas.  Estamos empenhados em trabalhar de forma mais eficaz com parceiros internacionais e com Líderes de sociedade e fé para promover a consciência da necessidade de maior aceitação e Entendimento entre seguidores de diferentes religiões e em apoio à liberdade religiosa para Pessoas de todas as religiões ou nenhuma[3]

 

ONU: quer restrição à liberdade de religião na Inglaterra:

Liberdade de pensamento, consciência e religião

 

Eis alguns trechos das “recomendações” ao Reino Unido, com relação ao que o Alto Comissariado considera violações aos direitos humanos: “O Comitê está preocupado que os alunos são obrigados por lei a participar de um culto de oração diária, que é "total ou principalmente de caráter predominantemente cristã" em escolas públicas na Inglaterra e no País de Gales e que as crianças não podem escolher não comparecer ao serviço sem a permissão de seus pais antes que o nível pré-universitário. Na Irlanda do Norte e Escócia, as crianças não podem deixar de assistir o culto coletivo sem autorização dos pais. No item 36, o comitê recomenda que o “Estado revogue as leis que estabelecem frequência obrigatória à adoração coletiva em escolas públicas e garantir que as crianças possam exercer de forma independente o direito de não comparecer ao serviço da igreja na escola”.

No item 37 o Alto Comissariado, “a fim de garantir plenamente o direito das crianças à liberdade de circulação e de reunião pacífica, o Comité recomenda que o Estado Parte: a) Proibir o uso em espaços públicos de dispositivos acústicos usados ​​para dispersar encontros de jovens (os chamados "dispositivos de mosquito"); b) Recolha de dados sobre as medidas utilizadas contra as crianças, incluindo crianças com idade entre 10 e 11 anos para eliminar o comportamento antissocial e para dispersar multidões, e supervisionar a sua proporcionalidade e os critérios utilizados na sua utilização.”

            Na Inglaterra e em outros países da comunidade não existe o que aqui foi denominado “Lei da Palmada”, que criminaliza qualquer tipo de castigo físico, mesmo leve, incluindo mesmo se a denúncia partir de uma criança, que passa a ser delator dos próprios pais. Por isso o Alto Comissariado tenta acabar com esse salutar meio familiar de disciplinar uma criança – que, inclusive, é um preceito bíblico e, dessa forma, viola a liberdade religiosa e se imiscui no âmbito familiar para impor condições que de fato retira dos pais a autoridade na educação de seus filhos. Nesse sentido o item 41 de suas recomendações a ONU condena o que chama de “castigos corporais”: “Com referência a observação geral nº 8 de 2006, sobre o direito da criança a proteção contra os castigos corporais e outras formas de castigos cruéis ou degradantes e a suas recomendações anteriores, o Comitê insta o Estado, em todas as administrações descentralizadas, nos territórios ultramarinos e dependências da Coroa a que: Proíba em caráter prioritário a todos os castigos corporais no seio da família, em particular revogando dispositivos jurídicos que permitam o “castigo razoável”. E que também “os castigos corporais sejam explicitamente proibidos em toas as escolas e demais instituições educativas como em instituições de cuidados alternativos”. E que “redobre seus esforços envidar esforços para promover formas positivas e não violentas de disciplina e respeito pelo direito equitativo das crianças a dignidade humana e a integridade física tendo em vista eliminar a aceitação geral do uso de castigos corporais na criação das crianças”.[4]

Com certeza todo abuso contra o ser humano já está muito bem definido, com as punições legais, na Constituição do Reino Unido – da mesma forma que no Brasil. Essa tentativa de criminalizar a palmada tem por objetivo minar a autoridade familiar na educação dos filhos, o que ocorre no Brasil – onde um professor não tem mais o direito de impor a disciplina necessária em sala de aula. Essa mesma estratégia está em curso com a doutrinação ideológica nas escolas – onde os alunos são alvo de pregações “socializantes” – na maior parte das vezes sem oferecer contrapontos éticos e culturais que caracterizam os regimes democráticos.  

Será que esse Alto Comissariado também quer impor essas restrições a culturas do oriente, especialmente islâmico, onde milenarmente os rígidos castigos a indisciplina são aplicados com naturalidade pelos pais?



[1] (Http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/2011/documents/rc_seg-st_20110302_religious-freedom_po.html)
[2] Lista Mundial de Países onde os cristãos são mais perseguidos: https://www.portasabertas.org.br/listamundial/perfil/
[3] Reino Unido: http://www.ohchr.org/Documents/Countries/GB/UKpledgesCommitments.pdf.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

C.G. JUNG E O “ZEITGEIST” – “NOSSO TEMPO SOMOS NÓS”









CARL GUSTAV JUNG, PROFUNDO CONHECEDOR
DA ALMA HUMANA, CUJO RELACIONAMENTO
É FUNDAMENTAL PARA A REALIZAÇÃO DO SER HUMANO
EM SUA INTEGRIDADE FISICA, PSIQUICA E SOCIAL

Meditação, uma das chaves para a individuação
O título acima se refere a uma afirmação de Carl Gustav Jung, um dos pais da psicanálise. Filho de um pastor protestante foi marcadamente influenciado pelo cristianismo – apesar de sua formação acadêmica eclética. Em várias ocasiões defendeu a espiritualidade real como uma das geratrizes da vida psicológica saudável. Foi aluno de Sigmund Freud e, a nosso ver, superou seu mestre que afirmava que o comportamento humano sempre é motivado exclusivamente pela sexualidade. Jung rejeitou essa unilateralidade incluindo outras motivações, especialmente à que diz respeito ao Espírito do homem. Estudioso de si mesmo e de seus pacientes, Jung mergulhou na psique humana, apontando nela portas para melhor compreensão de si-mesmo e do ser humano, suas motivações e fundamentos. Destacava a importância dos sonhos como guias para a sanidade. Sanidade cada vez mais rara em nossa época marcadamente relativista, materialista e alienante.

Nossa intenção é, também,  meditar um pouco sobre nosso tempo, baseados na afirmativa inspirada de Paulo: “Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2 Timóteo 3.2-5). A frase de C. G.  Jung de que “nosso tempo somos nós” cabe perfeitamente como explicação para a realidade presente nas manchetes dos jornais e TVs. Não é difícil a gente manifestar repúdio veemente diante de fatos como o do austríaco que abusava de sua filha, mantendo-a presa por mais de 20 anos em seu bunker secreto; o morte da pequena Isabella, jogada da janela de um apto – que a imprensa explorou exageradamente – e tantos outros casos, desde o do cirurgião que matou a esposa com requintes de crueldade, passando pela mulher que torturava sua filha adotiva, até aos escândalos políticos atuais que envergonham nosso País – e que se sucedem em várias partes do planeta. Por outro lado é auspicioso o crescente repúdio popular, no Brasil, a essa arquitetura da corrupção – que veio se estruturando desde o fim do regime civil-militar. Se durante décadas o fenômeno era circunscrito a eventualidades, desde então foi sendo gerado como mentor estruturante da política – bem como fundamentado em táticas para a permanência no poder por grupos organizados ideologicamente. Grandes partidos e seus caciques foram flagrados e delatados, sendo processados e, alguns, tendo que devolver o fruto de seus roubos – avançando para lideranças suspeitas. Mais de 2,4 milhões de pessoas, em curto prazo de tempo, se colocaram como signatários de um projeto-de-lei com medidas para acabar com a corrupção – buscando fechar as brechas legais por onde escapavam, ilesos e miseravelmente enriquecidos, personagens que agem nas trevas de sua própria psique – como dançando com Mefisto – para se perpetuar no poder legislativo ou executivo – contando para isso de apoios e conluios com grandes empresários e industriais – Cujas marcas, hoje, são associadas ao crime organizado -  envolvendo até de ministros do STF. Não bastasse essa marginalidade nos poderes da República vemos somar a isso a mentalidade sovina e antissocial de grandes bancos, mega-indústrias com a privatizada Vale do Rio Doce – o coração do minério brasileiro, entregue no período de FHC – além de senadores e deputados, agindo com mentalidade de repteis gigantes, deixando de honrar suas dívidas com a União e com a Previdência Social – cujo déficit vem sendo atribuído pelo governo em função da longevidade dos contribuintes do INSS – sem falar de fraudes milionárias que zela o patrimônio dos contribuintes do INSS.

Se retroagirmos na História Brasileira qual o panorama desvendamos? O País foi sendo formado por navegantes, aventureiros, bandeirantes e suas bandeiras, cujos objetivos eram o enriquecimento com base na conquista de riquezas e não no trabalho familiar – por isso escravizavam os indígenas, levava-os ao exílio paulistano onde eram vendidos. O avanço das bandeiras proporcionava terras para a coroa portuguesa, ou espanhola, como ocorria na região sul do País – até as incursões de Borba Gato e Raposo Tavares, no sul – além de outras bandeiras em direção a Minas, Bahia e Norte do País. Até mesmo os jesuítas, quando uma tribo resistia a sua ação evangelizadora, passava a ser encarada como inimiga pela Cia. De Jesus – gerando guerras contra os infiéis. Mais tarde o País foi dividido em Capitanias Hereditárias. A coroa portuguesa, então, destinava vastas áreas, retalhando o mapa em 21 capitanias, para os nobres de sua predileção.

Todo esse lastro histórico impulsiona a mentalidade que ainda governa o Brasil. De um lado a grande maioria do povo brasileiro, secularmente explorado em seu trabalho – com milhões de escravos africanos deportados de sua terra natal, miscigenados a índios, formando núcleos quilombolas sempre ameaçados; tribos indígenas aniquiladas e outras forçadamente aculturadas para poder sobreviver no ambiente hostil – remanescente.
C.G.Jung abriu portas para o inconsciente humano
Quando Jung afirma que “nosso tempo somo nós” revela o quanto o legado do passado se impõe sobre o presente – apontando para os recursos da nossa psique como baluartes para a libertação. O fato é que o Brasil está sendo gestado nessa saga de dores, desencontros e conquistas. Cresce aqueles que veem na vida espiritual e religiosa poderosas motivações para vencer os inimigos, em sua própria história, nas camadas de sua história subnerrânea, em busca da redenção transcendental – conquistada no trabalho, na meditação cristã, nas comunidades religiosas diversas, cujas personagens se reconhecem e se valorizam como seres humanos dignos e capazes. Porém, mesmo nesses avanços capazes de unir, onde milhões de pessoas têm sua história transformada pelo apoio, o abraço, palavras de estímulo, a amizade sincera e não interesseira de fazer um novo membro dizimista da denominação – ainda há muito a percorrer. Muitas vezes somos, apesar de religiosos, também “egoístas, avarentos, jactanciosos”. Como instituições, elegemos prioridades que contradizem os ensinos das escrituras sagradas, para construir impérios religioso-financeiros e nos ufanar de templos majestosos, redes de rádio e TV, conluios políticos, tapetes felpudos, ar condicionado, mordomias clericais, etc.

Condenamos os governos como se não fossemos, também, responsáveis pela miséria que nos cerca – porque somos omissos e esquecemos o que Jesus disse a respeito: “Os pobres vocês sempre terão consigo”. Nossa época somos nós e devemos discerni-la principalmente a partir de nós mesmos, como professores, catedráticos, religiosos, políticos, sociólogos, cristãos, indivíduos, e como parte da nacionalidade. Devemos entender que, antes de tudo, a responsabilide é individual – a consciência fala ao indivíduo e é o indivíduo que pode operar na sociedade fomentando progresso verdadeiro, conquistas cientificas, bem estar social - a honestidade e o altruísmo. Se as estratégias de grupos, à esquerda e à direita, buscam hegemonia utilizando de ferramentas perversas e estratégias lesa-humanidade devemos reagir com nossa força e nossa vontade de transformações que honrem o Brasil e dignifiquem seu povo.

A Igreja, em sua prática, em seu papel de testemunha, é também responsável pelas mazelas do nosso tempo. Quando a Igreja deixa de refletir com fidelidade a imagem de Cristo – vivendo-a no dia a dia de um mundo em crise e em transformação – deixa de ser um referencial legitimo e confiável para a sociedade. Sabemos como grande parte da mídia nega revelar o que ela tem de bom, saudável e magnânimo, porém a Igreja tem a obrigação de ser sal da terra (o que dá sabor à vida) e luz do mundo – deve ser modelo e guia para aqueles que ainda não tiveram a ventura de ser contemplado pela Misericórdia.

Jesus, referindo-se aos religiosos de seu tempo clamou: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!” (Mt 23.15). Da mesma forma que Martinho Lutero, há 500 anos, afixou as 95 teses no portal da Catedral de Wittemberg, condenando os erros e apostasia da Igreja de seu tempo, devemos também denunciar os erros e apostasias do nosso tempo – sejam históricos, católicos, pentecostais, liberais ou neopentecostais.

Marie - Louise - von – Franz, em seu livro “C-G - Jung - Seu mito em nossa época” escreveu: “Já antes da Primeira Guerra Mundial, Jung, durante uma crise de solidão, passou por uma morte e renovação espiritual interiores, da espécie que, passadas duas grandes catástrofes mundiais, tornou-se hoje mais comum entre europeus e americanos cultos. Fica cada vez mais claro que os nossos valores culturais foram solapados, de maneira que, mesmo em meio à massa, em especial entre os jovens de hoje, há indivíduos que buscam não tanto a destruição do antigo como algo novo que sustente uma construção. E, como a destruição se disseminou tanto e foi tão profunda, esse novo fundamento deve localizar-se nas profundezas, no núcleo humano mais natural, mais primordial e universal da existência”.

Porque é que regimes ditatoriais, seja de esquerda ou direita, erigem grandes monumentos deusificando personagens da “revolução”? Ao mesmo tempo que destroem tradições, seja prendendo clérigos, queimando templos, partidarizando escolas, passam a ritualizar o sistema através de grandes manifestações massivas, levando a população – carente da atitude religiosa inerente à natureza humana, sua alma – a um substitutivo na verdade incapaz de substituir o insubstituível, que é a liberdade de ser sua própria essência – o lenitivo para a formação de personalidades capazes de pensar com a própria cabeça e tomar decisões baseadas na ética do senso comum, que brota do que há de mais genuíno em si mesmo. Se o capitalismo sem freios legais tende a formar pessoas imbecilizadas, formatadas ao gosto do mercado, o socialismo revolucionário formata multidões para a glória dos deuses substitutos – lnas figuras entronizadas nesses cultos materialista de inspiração luciferiana, o anjo usurpador.

Carl Gustav Jung escreveu: “Existe no homem uma predisposição religiosa; é um arquétipo da alma... Entre meus pacientes que ultrapassaram a metade da existência, isto é, os 35 anos, não    há um só cujo problema decisivo não seja o da atitude religiosa. Pode-se afirmar que cada um deles, em última análise, perdera aquilo que as religiões vivas têm dado a seus fiéis em todos os tempos e nenhum deles realmente se curou, sem ter recuperado sua atitude religiosa”. Destaca Jung que “o problema da cura é, por conseguinte, às mais das vezes um problema religioso”.[1]
Nosso tempo somos nós”. Essa declaração, escrita e falada por um cientista, um dos pais da psicanálise, profundamente conhecedor de si mesmo, de seus pacientes e das doenças mentais da atualidade, deve nos levar a assumir nossa responsabilidade como indivíduos capazes de mudar a história através de atitudes reais, transformadoras, no dia a dia, nos embates em busca de solução para o tempo em que fomos destinados viver. Entre aqueles que se espelham em Lúcifer, em sua sede ilimitada de poder e dominação -  e os que buscam em sua essência, no íntimo de sua psique, o resgate de sua imagem e semelhança a Deus, há um caminho de desafio supremo cujo prêmio é a própria sanidade e alegria de se sentir como parte construtiva de um mundo carente de referenciais que dignifiquem o ser humano, preservem e valorizem o meio ambiente onde desfruta com milhões de espécies a fantástica aventura de viver.
(José J de Azevedo)





[1] JUNG, Carl Gustav – in “Individuação, a psicologia de profundidade em C.G. Jung” – Josef Goldbrunner -  Editora Herder - SP, 1961” – Pgs 128-129.