Durante cerca de 70 dias brasileiros de norte a sul do Pais se manifestaram pacificamente em frente ao QG do Exército, em Brasília. A pauta de reivindicações era grande: voto impresso, intervenção militar, denuncias de abusos, etc. Na verdade, multidão temerosa da situação atual e suas consequências, frente ao arbítrio e partidarismo do Supremo e conivência!!!
Colabore com a imprensa LivreMilhares de pessoas, cidadãos, foram tirados do espaço – onde se manifestavam pacificamente, durante pouco mais de 2 meses – para serem fichados e processados – ficando meses presos, na Papuda, ou na Colmeia (presídios de Brasília), durante meses, por ordem judicial de ministro do STF. Enfim, a maioria foi liberada, com tornozeleiras eletrônicas, como presos do STF a céu aberto – podendo circular apenas por alguns quilômetros do perímetro de suas casas. Alguns foram julgados pelo STF e condenados a até por 17 anos! Um deles, Cleriston Pereira da Cunha, de 46 anos, pai de duas filhas, foi a óbito. Ele foi preso, a mando do STF, ficando detido 80 dias no complexo Penitenciário da Papuda. A PGR - Procuradoria Geral - determinou sua soltura, que foi arbitrariamente negada. Cleriston era um homem doente. Em reportagem a CNN sua morte foi causada por negligência – conforme parecer da Defensoria Pública do Distrito Federal. A CNN reporta que a causa foi “um mal súbito” (1). Só que ele passou mau durante várias ocasiões, preso na Papuda - dependendo de remédios, que faltavam e assistência médica presente, impossível na Papuda e na Colmeia, então com cerca de 2 mil manifestantes detidos.
A família de Cleriston
Pereira da Cunha, entrou, sexta-feira 2.2.24 no Supremo Tribunal Federal com
uma ação pedindo a condenação do ministro Alexandre de Moraes por prevaricação,
maus-tratos, abuso de autoridade. Conforme a revista “Carta Capital”, ele teria
sido “preso em flagrante no Senado e se tornou réu por cinco crimes, entre
eles abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e
deterioração de patrimônio tombado” (2).
A ação foi protocolada ao presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, além de indenizações, ela pede que o ministro seja destituído do cargo. Os motivos da ação junto ao STF: Negligência e omissão por parte de Moraes na análise do parecer da Procuradoria-Geral da República pela liberdade provisória do preso. A PGR constatou a gravidade do histórico do estado de saúde do preso (sem processo legal, como manda a Lei) e, com base no parecer médico, determinou a soltura do preso – para ser tratado como um ser humano sob grave risco. No entanto, Cleriston continuou preso, por negligência deliberada ou não, e o STF brasileiro – vergonha nossa - tem agora um cadáver na mesa e uma família enlutada, que clama por Justiça – se é que essa palavra ainda consta no dicionário da Corte com seu nobre e original significado. Se foi deliberada, afirma a ação judicial, trata-se de tortura ao doente preso. Em seu belo discurso no Congresso, como candidato a vaga de Ministro do STF, Alexandre de Moraes disse: ..."Os homens percebem que a liberdade é fundamental e que roubar a liberdade de um homem é tirar-lhe a essência de sua humanidade" - verdade que não passou de retórica! (site: Senado Federal)
O DOCUMENTO BOMBA DA ABIN
A reportagem assinada por
Marcela Mattos, a Revista Veja (5.2.24), descreve o relatório da ABIN, assinado
pela cúpula da Agência, Alessandro Moretti – que acabou sendo demitido pelo Governo Federal por
relatar oficialmente fatos sobre manifestações de 8.01.22. A reportagem inicia
o assunto, de forma tendenciosa, afirmando, como julgamento: “A Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) é fonte de intriga e desconfiança desde o início
do governo Lula”. O texto, a seguir, afirma que “a suspeita,
desde então, era que haveria algum tipo de espionagem por parte dos agentes de
inteligência, na época vinculados ao GSI – Gabinete de Segurança Institucional
– então comandado pelo general Augusto Heleno” (3).
Entre acusações e
suspeições, o texto prepara o leitor, de forma tendenciosa, para desacreditar o
documento oficial da ABIN – assinado pelo 2º homem mais importante na hierarquia
da Agência, Alessandro Moretti, logo demitido por Lula na última
terça feira, após a divulgação do Relatório – atribuindo ao Governo – por negligência
– a culpa pelas invasões das sedes do governo: STF, Planalto e Assembleia Legislativa.
Conforme a Veja, “um
episódio ocorrido na Casa Civil no auge das investigações da CPMI sobre o 8 de janeiro
ilustra o clima belicoso. No encontro, Moretti apresentou um Relatório com
potencial de trazer problemas ao governo”. O documento responsabiliza o
Ministério da Justiça e o então chefe do GSI – Gabinete de Segurança Institucional
– chefiado por Gonçalves Dias – pelas negligencias frente as ocupações por
populares as sedes dos Três Poderes. A acusação de oposicionistas, durante a
CPMI do 8 de janeiro, concluía que houve negligência deliberada, já que a ABIN
alertou a dezenas de órgãos do governo, inclusive ao Ministro da Justiça e a
Sede do Governo de Luiz Inácio, a possibilidade de ações intempestivas de
manifestantes – já que os manifestantes frente ao QG das FFAA recebiam dezenas
de novas caravanas de cidadãos, que engrossavam o número de manifestantes, nos
seus últimos dias.
RELATORIO DA ABIN RESPONSABILIZOU O GOVERNO DE LUIZ IGNÁCIO PELO 08.O1.23
Conforme comentário na
Revista Oeste, Alessandro Moretti, diretor-adjunto da ABIN, foi demitido, em
30.2.24, após divulgar documento oficial da ABIN em que compromete o Governo
Federal pelo vandalismo ocorrido no 8.01. “Sua demissão teria ocorrido pela
intervenção do então ministro da Justiça, Flávio Dino.”
A Revista Oeste destaca: “O
número 2 da Abin havia apresentado um relatório com potencial de trazer
problemas ao governo. O documento traria ao Ministério da Justiça e ao então
chefe do GSI, Gonçalves Dias, responsabilizações pelos atos de vandalismo as
sedes dos Três Poderes” (4).
A ABIN alertou, durante vários dias, antes do 8.1, a dezenas de órgãos do Governo sobre possíveis complicações, com
relação a manifestações – já que rastreara dados de que muitos ônibus vinham em
direção a Brasília, engrossando os milhares de acampados junto ao QG das FFAA,
foi amplamente divulgada. Brasília tem um poderoso aparato de segurança. A negligência,
deliberada ou não, claramente incrimina o Governo. O que aconteceu com as
filmagens do monitoramento? Nem a CPI do 8.01.23 pode ter acesso, sob a
alegação que as mesmas, costumeiramente, “são descartadas”. Acreditar nisso só
mesmo devotos da seita de fanáticos fãs da extrema-esquerda. Essa “queima de arquivos”
só pode levar qualquer cidadão lucido a conclusão lógica que foi mesmo “queima de
arquivos” comprometedores. Alguns
vídeos, levados ao ar pela CNN, mostravam G.Dias (Gabinete de Segurança
Institucional) dentro do Palácio do Planalto, com outros funcionários,
interagindo pacificamente com manifestantes – talvez infiltrados, disfarçados,
com bandeiras e máscaras no pescoço. Esses fatos mostram que houve deliberada
intenção de ocultar indícios e provas de alguma cumplicidade do governo, com relação
aos lamentáveis eventos do 8.1.23. Quanto a isso quais as providencias tomadas
por Morais ou algum outro ministro “supremo” - também alertados?
Sobre o assunto, a Folha
de S. Paulo publicou, em que “documentos mostram alerta da Abin a GSI e
equipe de Dino sobre atos violentos em 8/1. Informes falavam sobre risco de
invasão a prédios públicos e uso de armas. Mas G. Dias e pastas negam ter
recebido mensagens” - o que não corresponde a verdade, como veremos abaixo (6)
O Congresso em Foco
(Reportagem de Caio Luiz (7) “conseguiu acesso exclusivo ao material (alertas
da ABIN ) veiculados no Grupo de WhatsApp CONSISBIN (Conselho Consultivo do
Sistema Brasileiro de Inteligência) criado em 23/11/2019 e administrado
pela ABIN: “O conteúdo basicamente se resume a um disparo em massa feito por
dois grupos de WhatsApp”. Nesse grupo estão interligados: “Centro de
Inteligência do Exército (CIE); Centro de inteligência da Marinha (CIM);
Assessoria de inteligência de Defesa do Ministério da Defesa (AID/MD);
Diretoria de inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério
da Justiça e Segurança Pública (DINT/SEOPI); Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT); Ministério da Infraestrutura (MINFRA); Agência Nacional de
Telecomunicações (ANATEL)."
Além desses órgãos do
Governo a ABIN enviou seus alertas também ao Grupo de WhatsApp CIISP Manifestações,
criado em 07/01/23, pela Subsecretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
(SI/SSP/DF), com participação dos seguintes órgãos: “Policia Civil do Distrito
Federal; Comando de Policiamento Regional Metropolitano da Policia Militar do
Distrito Federal (CPRM/PMDF); Serviço de Análise Estratégica da Diretoria de Inteligência
Policial do Departamento de policia Federal (SAE/DIP/DPF); Diretoria de Inteligência
da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança
Pública (DINT/SEOPI/MJ); Unidade de inteligência Operacional do Departamento de
Trânsito do Distrito Federal (Unint/DETRAN/DF); Supremo Tribunal Federal (STF);
Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Agencia Brasileira de Inteligência (ABIN);
Comando de Operações Táticas da Policia Federal (COT/DF); Policia Rodoviária
Federal (PRF); Senado Federal; Câmara dos Deputados; Gabinete de Segurança Institucional
(GSI); Centro inteligência da Policia Militar do Distrito Federal (CI/PMDF) e Corpo
de Bombeiros Militar do DF (CBMDF); Centro de Produção Análise Difusão e
Segurança da Informação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios
(CI/MPDFT)."
Conforme apurou Congresso
em Foco: “As mensagens dos grupos de WhatsApp começaram a ser enviadas em 2 de janeiro
de 2023 tendo como conteúdo principal avisos sobre manifestações em capitais e
rodovias. Do dia dois ao dia cinco de janeiro, uma mensagem ao dia foi
disparada para alertar sobre protestos contra o resultado das eleições
presidenciais de 2022 e sobre protestos em estradas que variaram entre 20 e 11
pontos de concentração pelo Brasil” (...). Entre outros alertas a ABIN enviou
para esses destinatários, no dia 6, 1, as 16h30, que “persistem as chamadas
para caravanas em direção a Brasília, greves e paralisações. Não há dados que
indiquem efetiva mobilização popular ou de setores da sociedade civil para as
ações convocadas”. As 19h40 nova mensagem alertava: (...) há risco de ações
violentas contra edifícios públicos e autoridades. Destaca-se a convocação por
parte de organizadores de caravanas para o deslocamento de manifestantes com
acesso a armas e intenção manifestada de invadir o Congresso Nacional. Outros edifícios
na Esplanada dos Ministérios poderiam ser alvo de ações violentas”. No dia 7.1,
as 10.30, a Agência informava, em disparos do WhatsApp, chegada de mais 18
ônibus, para as manifestações em Brasília: “Mantem-se convocações para ações
violentas e tentativas de ocupações de prédios públicos, principalmente na
Esplanada dos Ministérios”. Às 12 horas alertava para a chegada de 105 ônibus
com cerca de 3.900 passageiros. As 8h53 a ABIN atualizava com a chegada de 100
ônibus para os atos previstos na Esplanada – aumentando o número de barracas armadas. Informa a Abin, as 13h30 o início da marcha desde a frente do QG Ex em
direção a Esplanada, “sem anormalidades”; as 15hoo: Manifestantes invadiram a
parte interna o Congresso Nacional; 15.10: ... Invadem o estacionamento e a patê
de trás do Palácio do Planalto”; 15.20: “Manifestantes subiram a rampa do
Palácio do Planalto e seguem para o STF. Policiamento é insuficiente para
contê-los, no momento”; 15h35: “Em Brasília, manifestantes romperam estrutura
da segurança do STF com intenção de invadir o prédio”; 18h: Forças de segurança
dispersaram manifestantes na Praça dos 3 poderes. Congresso Nacional continua
ocupado por manifestantes. Efetivos da PM têm dificuldade em dispersar
manifestantes na área do Congresso Nacional”; 18h45: Há confrontos pontuais na
região da Esplanada dos Ministérios”; 19h05: “Entre os manifestantes há convocações
para retorno a Esplanada dos Ministérios, com proposito de realizar novas
manifestações”. 20h – “A sedes dos 3 poderes em Brasília foram retomadas pelas
forças de segurança, por volta das 19.30, após invasões que resultaram em danos
ao patrimônio dos referidos prédios públicos”.
SERVIDORES DA ABIN CONTESTAM NOMEAÇÕES DE PESSOAS SEM EXPERIÊNCIA PELO GOVERNO FEDERAL
Assim a Revista Oeste
relata sobre a carta-denuncia de profissionais da ABIN sobre novos servidores
contratados pelo governo de Luiz Ignácio: “As trocas promovidas pelo
Presidente na Agência Brasileira de Inteligência, ABIN, se tornaram alvo de críticas
de servidores da Instituição. Em carta divulgada nesta quarta-feira, 30.01.24,
o grupo lamentou a nomeação de pessoas sem experiencia na área para o alto
escalão da Agência. É necessário que a atividade seja conduzida por quem
conhece seus meandros, escreveram os servidores. As reiteradas nomeações de
pessoas que não possuem experiência na prática de inteligência nacional para
posição de direção fragilizam a atividade. Ingressamos na ABIN por concurso
público, temos mulheres e homens preparados para dirigir a Agência a qual
dedicamos toda uma vida” (5).
MINISTROS DO STF, SOLTEM TODOS OS PRESOS DO 8.01
Apesar dos alertas as
dezenas de responsáveis quanto aos perigos que poderiam causar a multidão -, em
reação as querelas políticas, partidarismo por parte do Supremo, omissões por
parte dos presidentes do Senado e Câmara Federal, imposição de eleições com
apurações ocultas, sob suspeita – pois a Lei é clara quanto a necessidade de apuração
publica de votos -, além do noticiário informando da soltura de dezenas de pessoas
flagradas em corrupção, tráfico de drogas, pedofilia, etc. Concluímos que houve
clara omissão por parte de dezenas de órgãos eficientemente informados pela
ABIN, com relação a série de ocorrências, que tiveram desfecho nas depredações
dos edifícios públicos, no 8.01.23. Os avisados deixaram acontecer? Perguntam milhões de brasileiros! Os fatos
parecem apontar para isso. Portanto, a prisão de centenas de pessoas, dezenas
condenadas a 14 até 17 anos de cadeia, é uma infâmia. O STF, na pessoa de seu
Presidente, e colegas de toga, deve anistiar esses presos. Ou prender também
todos os responsáveis omissos – para os quais a ABIN alertou, passo a passo, eficientemente, sobre a gravidade do que previa acontecer. Portanto, os menos culpados foram os
que agiam dentro dos edifícios, sem contar aqueles que, aparentemente vinculados ao Gabinete de G.Dias e transitavam junto a autoridades, no Palácio do Planalto – como mostraram
imagens vasadas pela CNN. A gravidade das omissões explicitas mostra a
injustiça de manter em prisão por um tribunal que não tem competência legal
para julgá-los ou condená-los a um ano, ou de 14 a 17 anos. Centenas tratados como bandidos, com tornozeleiras monitoradas - no País da impunidade, que encoraja delitos de gente graúda. Essa e uma infâmia
que marcará para sempre o STF – a não ser que esses presos sejam libertados e a verdadeira Justiça seja feita, de forma honesta e imparcial.
Saiba mais
4. https://revistaoeste.com/politica/relatorio-da-abin-responsabilizou-ogoverno-lula-pelo-8-de-janeiro/
5. https://revistaoeste.com/politica/a-carta-de-servidores-da-abin-a-lula/
Redação e Pesquisa: José J. de Azevedo (Editor/Jornalista Profissional)





Pode até tardar mas a verdade jamais será omitida.
ResponderExcluir