Talvez em função de sua guerra contra o cristianismo e seus
valores, dogmas e símbolos – como vemos nas reportagens, novelas e noticiário,
a Rede Globo publicou uma versão totalmente falseada dos fatos ocorridos no Rio
Grande do Norte, em 1645, quando dezenas de fiéis católicos foram mortos por
indígenas. Qual o propósito? Talvez seja o de tentar criar rivalidades entre os
ramos cristãos no Brasil. Nunca católicos e evangélicos estiveram tão em
sintonia quanto as princípios centrais do cristianismo, e em pleno acordo com a
defesa da fé cristã e princípios éticos e morais frente a tentativas de
desconstrução da famílias cristãs, com a chamada “ideologia de gênero”, que
nega a criação divina do homem e da mulher . Tanto é essa sintonia que, por
exemplo, o Senador Magno Malta, evangélico, levou a tribuna a imagem de Maria –
N.S. Aparecida – defendendo a Igreja Católica, aviltada em uma encenação
artística onde a imagem é trazida por um artista completamente nu, com seu
membro encostado a imagem da santa. Depois o sujeito agacha e começa a ralar a
imagem de gesso para, no final, jogar o pó da mesma sobre seu membro. Essa é
outras manifestações “artísticas” –
como a da exposição protagonizada pela Fundação Santander, onde hóstias são
profanadas com palavrões e personagens como Jesus e Maria - são ridicularizados. Tudo isso a Globo
defendeu em rede nacional! – nem mesmo quanto ao fato de exporem cenas de
nudez, coito homossexual em grupo, coito com animais, etc., e levarem coercitivamente centenas
de escolares, crianças e adolescentes menores de 16 anos, a verem a tal exposição
“Queer”, tripudiando sobre o Estatuto
da Criança e do Adolescente e a autoridade constitucional dos pais sobre seus
filhos. Uma prática jornalística isenta de partidarismo nunca é unilateral em suas afirmativas - ouve os vários pontos de vista de um fato, o que geralmente vem acontecendo com o jornalismo tendencioso da TV Globo e seus veículos, escritos ou virtuais.
Agora, com o processo finalizado pelo Papa Francisco, os
mártires do Rio Grande do Norte, 28 deles, foram canonizados como santos, a
Globo anota versões acusando os calvinistas que legaram um
fantástico patrimônio urbanístico, histórico e cultural ao Nordeste brasileiro
que infelizmente, para a região e ao próprio Brasil, foram expulsos cerca de
duas décadas depois de ocuparem a região . Eis o início da reportagem do site
G1, da Globo:
“Em 1645, moradores do Rio Grande do Norte resistiram aos holandeses.
Mais de 80 pessoas foram mortas.” “Foi
na Capitania do Rio Grande do século 17 que viveram os homens, mulheres e
crianças que se tornarão os novos santos brasileiros neste domingo (15.10.17).
O papa Francisco vai canonizar, de uma só vez, trinta fiéis mortos pelos holandeses
calvinistas nos massacres de Cunhaú e Uruaçu em 1645, no Rio Grande do Norte.
Naquela época, os holandeses invadiram o Nordeste do Brasil, pois tinham
interesse nos engenhos de cana-de-açúcar. Os comandos, no país, partiam de
Pernambuco. Além do objetivo econômico, entretanto, os invasores tentavam impor
a religião calvinista por onde passavam e não toleravam a fé católica, segundo
conta o padre José Neto, pároco de Canguaretama, na Grande Natal”.
Como a Globo não deu alternativa a seus leitores, em
comentários sobre a sua reportagem, nem direito de resposta a milhões de
brasileiros de origem Calvinista, como Presbiterianos, Batistas, Assembléianos
calvinistas, etc., resolvemos abrir espaço em nosso Blog para contar uma outra
história, escrita por um historiador e baseado em fontes primárias antigas;
preservadas na Holanda e em outros museus históricos – e não em versões marcadas pelo preconceito aos
evangélicos do Brasil e, em especial, do Rio Grande do Norte. Outra vertente
midiática, à esquerda, o site da UOL,
ligado a Folha de S. Paulo, replica uma história que nunca foi comprovada com
documentos históricos:
“A história dos
massacres de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, só começou a ser
divulgada no fim dos anos 1980, graças às pesquisas do monsenhor Francisco de
Assis Pereira (1935-2011), que escreveu um livro sobre o tema, chamado “Beato
Mateus Moreira e seus companheiros mártires”.
Segundo o relato da
Igreja Católica, invasores holandeses calvinistas assassinaram 69 pessoas que
assistiam a uma missa celebrada pelo padre André de Soveral na cidade de Cunhaú
(atual Canguaretama), em 15 de julho de 1645”.
A VERDADEIRA HISTÓRIA, CONTADA PELO AUTOR DO
LIVRO “IGREJA E ESTADO NO BRASIL HOLANDES”,
PELO HISTORIADOR FRANS LEONARD SCHALKWIJK*
“AS LÁGRIMAS DE CUNHAÚ”
“No ano 2000, os jornais noticiaram a beatificação dos mártires de
Cunhaú(1645), no Rio Grande do Norte, pelo Papa João Paulo II. A matança
ocorreu durante as primeiras semanas do levante português contra a ocupação
flamenga(1630-1654). Uma das reportagens afirmou que essas horrendas
barbaridades foram cometidas por ordem do governo holandês no Recife e com a
cooperação de um pastor “calvinista”. Sem querer diminuir a monstruosidade do
trágico acontecimento, convém lembrar pelo menos três fatos do contexto
histórico daqueles dias de guerra que marcaram o começo do fim da ocupação
holandesa do Nordeste.
Em primeiro lugar, observamos que não foi o governo holandês que
ordenou a chacina, mas ela foi uma vingança por parte dos indígenas em reação
às notícias que corriam sobre as crueldades dos portugueses, ajudados por uma
tribo selvagem da Bahia. Desde o início da revolta (13/6/1645), cada vez ficava
mais claro que, onde os portugueses restabeleciam seu domínio, estava reservada
aos índios em especial uma morte terrível. Consequentemente os “brasilianos”
(como os holandeses chamaram os índios tupis) se refugiaram perto das
fortificações holandesas, consideradas inexpugnáveis. Outros decidiram evitar o
desastre aparentemente inevitável e pegaram em armas. Foi isto o que aconteceu
em Cunhaú, no Rio Grande do Norte.
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| Desmistificando lendas da História |
Na terra potiguar, a população indígena consistia em grande parte de
índios antropófagos (tapuias), sob a liderança do seu cacique Nhanduí. Para os
holandeses, os tapuias significavam um bando de aliados meio inconstantes, pois
era um povo muito independente, que não aceitava ordens de ninguém, mas decidia
por si o que era melhor para sua tribo. Muito amigo da tribo era um certo Jacob
Rabe, casado com uma índia; ele servia como elo entre os tapuias e o governo
holandês.
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| O Brasil Holandes: Expulsos, fundaram Manhattan |
Entre os indígenas do extremo Nordeste, havia em geral grande ódio
contra os portugueses, sem dúvida pela lembrança de acontecimentos anteriores à
chegada dos holandeses, que eram considerados os libertadores da opressão lusa.
Várias vezes esses índios quiseram se aproveitar da situação dos lusos como
vencidos, para vingar-se deles. Assim, em 1637, depois de Maurício de Nassau
conquistar o Ceará, os índios procuraram matar todos os portugueses da região,
que então foram protegidos mediante as armas pelos holandeses. A mesma coisa
aconteceu no Rio Grande em 1645. Os tapuias sentiram que, com o início da
revolta, havia chegado a hora da verdade: eram eles ou os portugueses. E, no
dia 15 de julho, começaram por Cunhaú, massacrando as pessoas que estavam na
capela e, posteriormente, numa luta armada, o restante.
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| Uma aldeia fundada pelos holandeses em 1664. |
Em segundo lugar, de fato o nome de um pastor protestante está ligado a
esse episódio. Porém, de modo exatamente contrário àquele que se supõe,
porquanto não foi ele quem orientou a chacina, mas foi enviado pelo governo
para refrear a selvageria dos bugres. Quando, no dia 25 de julho, o governo
holandês no Recife soube dos terríveis acontecimentos no Rio Grande do Norte,
despachou o Rev. Jodocus à Stetten, pastor da Igreja Cristã Reformada e capelão
do exército, junto com o capitão Willem Lamberts e sua tropa armada, “para
refrear os tapuias e trazê-los para (o Recife) a fim de poupar o país e os
moradores (portugueses)”. Os índios, porém, ficaram enfurecidos com os
holandeses, não entendendo como estes podiam defender seus inimigos mortais, e
até romperam a frágil aliança com os batavos. Antes de regressar para o sertão
do Rio Grande, fizeram ainda outra incursão vingadora contra os portugueses,
desta vez na Paraíba.
Em terceiro lugar, notamos o fim dos tapuias e de Jacob Rabe. Alguns
meses depois da matança em Cunhaú, esse funcionário da Companhia das Índias
Ocidentais, que havia recebido o mensageiro governamental, pastor Jodocus, a
mão armada, foi morto por ordem do próprio governador da capitania do Rio
Grande do Norte, Joris Garstman. O capitão Joris era casado com uma senhora
portuguesa que tinha perdido muitos parentes em Cunhaú. Quanto aos tapuias,
depois da expulsão dos holandeses e da restauração do domínio português, os que
não quiseram submeter-se à orientação político-religiosa de Lisboa foram
massacrados, como diz o Dr. Tarcísio Medeiros, na “mais sangrenta guerra de
exterminação que existiu por este Brasil”. Puro genocídio.
Esses três fatos complementares não diminuem em nada o sofrimento de
Cunhaú, dessas vidas inocentes esmagadas entre os rolos compressores do moinho
da luta armada. Porém, talvez possam eliminar um pouco do veneno da história,
por nos permitirem entender melhor o contexto daqueles dias cheios de angústia
para ambos os lados. Escrever história objetivamente é muito difícil, ainda
mais quando se trata de um caso controvertido como este, com muitos pormenores
desconhecidos. Porém, afirmar, como foi feito por certos porta-vozes, que as
barbaridades de Cunhaú foram perpetradas a mando do próprio governo holandês, e
ainda por cima orientadas por um pastor evangélico, simplesmente não
corresponde à verdade. Convém distinguir os fatos da interpretação dos fatos.
Isso não atenua, antes aumenta a nossa ansiosa expectativa do dia em que o
Senhor enxugará todas as lágrimas, inclusive as de Cunhaú” (Ap 7.17).
*Frans Leonard Schalkwijk nasceu em Amsterdã em 1928, e foi ordenado Ministro da Palavra de Deus na Igreja Reformada na Holanda em 1954. À partir de 1959 ele passou a servir no Brasil por 4 décadas. Foi pastor na Igreja Reformada, em S. Paulo, foi mis...sionário no Estado do Paraná, professor e reitor no Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife e também professor no Centro Evangélico de Missões, em Viçosa-MG. Depois de regressar a Holanda, serviu em vários seminários no exterior. Publicou vários livros entre eles "Igreja e Estado no Brasil Holandês". É doutor em Teologia e membro do Instituto Histórico de Pernambuco. Casado com a Srª Margrietha tem 8 filhos e vários netos e bisnetos.
O presente texto foi publicado originalmente na revista Ultimato (maio-junho 2000).
(Editado por José Julio de Azevedo)
O presente texto foi publicado originalmente na revista Ultimato (maio-junho 2000).
(Editado por José Julio de Azevedo)
FONTES:
- https://tokdehistoria.com.br/tag/frans-leonard-schalkwijk/
- https://ipb.org.br/informativo/as-lagrimas-de-cunhau-4160




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