quarta-feira, 8 de julho de 2020

JOVEM PAN ENTREVISTA EXCLUSIVA DO JORNALISTA OSWALDO EUSTÁQUIO, PRISIONEIRO INOCENTE DO STF

Desde as prisões do DOI-CODI não ocorriam prisões arbitrárias no Brasil, mas no dia 26.06.2020 o STF, em vez de guardião da justiça, faz o primeiro preso político no Brasil!

Oswaldo Eustáquio, Jornalista Profissional, premiado no Paraná, digno de um currículo invejável foi preso a mando do Ministro Alexandre Moraes, do STF - "Inquérito das fake news" . Depois de 10 dias solto, por força da Lei, não teve - ainda -  solidariedade de Sindicatos ou da FENAJ, à qual é filiado. foi obrigado a entregar seu celular e, dessa forma, o sigilo de fontes e a liberdade de Imprensa foram   lamentavelmente violados. 

OSWALDO EUSTÁQUIO: ENTREVISTADO PELA EQUIPE DE PINGOS NOS I, DA RÁDIO JOVEM PAN. ENTREVISTA TRANSMITIDA PELO YOUTUBE


Na segunda-feira,06.07.20, no programa "Pingos nos Is", da RÁDIO JOVEM PAN o jornalista Oswaldo Eustáquio, preso por ordem do ministro Alexandre Morais - parte do inquérito - inquirição? - da chamada "Investigação das Fake News" - que ironicamente o Ministro Marco Aurélio Mello chamou de "investigação do fim do mundo" - talvez por considerar o suposto, crescente, atraso  institucional no STF. Como na história de Franz Kafka, o jornalista tem um currículo invejável para muitos profissionais da grande imprensa: Trabalhou como jornalista investigativo, na Gazeta do Povo, TV Paranaense (rede Globo) - sendo premiado por suas reportagens, que mudaram o curso de vários acontecimentos e até  acabaram com organizações criminosas . Ele é paranaense e esteve detido durante 10 dias nas dependências da PF - Policia Federal, em Campo Grande-MS - e, sob ordem judicial, teve seus computadores, celulare,s seu e de sua esposa, além do computador também de sua esposa, e filhos, confiscados - sob alegação de investigação. Anteriormente 11 deputados federais e alguns comentaristas da mídia social também foram investigados - sem saberem clara motivação da inquirição - sendo todos da base parlamentar do Presidente Jair Bolsonaro! - o que revela o seletismo da tal investigação., pois, que há de comum em todos esses que tiveram seus domicílios ocupados pela PF, é seu apoio ao Presidente, parte da situação - e críticos de setores da sociedade, como acontece no jornalismo de verdade - chamado de o 4º Poder! Os inquéritos e prisões são sigilosos e os que são detidos ou expropriados de suas ferramentas de trabalho, ficam sem saber  os porquês de suas detenções e investigações - nem mesmo advogados, segundo investigados, são claramente informados desses motivos,   Eustáquio foi solto depois dessa temporada na prisão no domingo, dia 5.07, e deu a entrevista no dia 6.07.2020. Eis a íntegra:

CRIME DE OPINIÃO 

OSWALDO EUSTÁQUIO: Muito boa noite a vocês. É uma satisfação estar falando com essa grande audiência, nesta tarde, após minha libertação.

JP - OSWALDO, A GRANDE RECLAMAÇÃO DESSES INVESTIGADOS É A FALTA DE ACESSO A INFORMAÇÕES. MUITOS DELES DIZEM QUE SÃO ALVO DAS OPERAÇÕES SEM SEQUER SABER POR QUE! DEPOIS DE 10 DIAS NA PRISÃO VOCE JÁ CONSEGUIU SABER DO QUE VOCE É ACUSADO, O QUE VOCE FEZ QUE SERIA CONSIDERADO ANTIDEMOCRATICO PELO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS?

OSWALDO EUSTÁQUIO - Até o presente momento eu ainda não sei do que sou acusado. Meus advogados não tiveram acesso a totalidade dos autos. Eu fui ouvido em depoimento, fizeram busca e apreensão onde eu estava na minha casa, pegando celular da minha esposa, dos meus filhos, aparelhos eletrônicos, note books, documentos, Quebraram meu sigilo bancário e depois de 10 dias de prisão temporária não conseguiram identificar nenhum indicio de crime, aliás eu não sei do que estou sendo acusado! No inquerido em que fui ouvido pelo del. Fábio da Policia Federal, ele falou sobre "eventos antidemocráticos". Eu perguntei pra ele  quais eventos antidemocráticos e ele não soube responder.
JOSE MARIA TRINDADE  - Eu disse aqui que parece uma prisão por opinião, crime de opinião. Você emitiu a sua opinião! A gente falava exatamente sobre Internet e eu dizia que não há censura, há responsabilização. Oswaldo estou batendo numa tecla e acho que estou sozinho, de que as plataformas digitais atuais são veículos de comunicação, como nós aqui na rádio Jovem Pan, na TV Jovem Pan, somos veículos de comunicação. Só que a nossa competição está desigual, porque nós como veículos temos que nos identificar temos que nos responsabilizar por cada um dos entrevistados, inclusive responsabilização legal, enquanto que a Internet a plataforma é meio solta e as mídias sociais não se responsabilizam pelo que estão falando nelas! Elas terão que se responsabilizar, as mídias, elas são produtoras de conteúdo e estão faturando muito, o maior faturamento hoje, na indústria da comunicação é dessas mídias sociais. Você não tem foro especial. Porque você está sendo julgado no Supremo?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Estou sendo julgado pelo Supremo, no meu entendimento, porque estamos em um Estado de excessão. Tive os meus direitos humanos violados. Tive o  meu  sigilo da fonte violado e quando eu tive o teu também e de todos os jornalistas do Brasil. Não se trata de direita ou esquerda. Eu sou jornalista conservador,  mas eles rasgaram a Constituição porque quando tiraram o sigilo da fonte, eles tiraram meu celular e certamente não vão encontrar nada. Todos que me conhecem sabem da integridade de meu jornalismo. Mas quando eles fazem busca e apreensão e pegam meu celular eles estão ouvindo tudo o que falei com minhas fontes, estão quebrando algo histórico. Nunca na História do Brasil, deste País, na nova Democracia, houve um vilipendio ao sigilo da fonte e quando eles fazem isso eles restringem a liberdade de Imprensa. Eu como jornalista tive restrição a liberdade de Imprensa e também me sinto censurado, numa censura prévia em um Estado que não é mais de Direito, mas Estado de excessão! Talvez seja eu o único jornalista preso no mundo nesses 10 dias que fiquei na cadeia. Mas, digo pra vocês, mesmo assim, continuo defendendo o direito de expressão de todos aqueles, até dos que me criticam!
GULHERME FIUZA - Você tem sido tratado até por parte da imprensa como um "blogueiro bolsonarista". Tem uma parte das pessoas que estão circulando as informações e as noticias sobre o que está acontecendo com você, que se recusa a te chamar de jornalista. Eu queria te fazer uma pergunta bem aberta, deixando você livre pra responder: Quem é você, como você escolheu essa profissão, o que você acredita em termos de Constituição do Brasil e o que você acredita em jornalismo engajado, militante e o que você acha que jornalismo é jornalismo?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Obrigado pela pergunta. Eu sou jornalista investigativo há 12 anos. Sou jornalista diplomado, formado em uma faculdade, formado com nota 9,8 no TCC. Escolhi o jornalismo por paixão, que entendo que o jornalismo pode ser uma grande ferramenta para os direitos humanos, para toda uma sociedade. Trabalho no Paraná há mais de 20 anos como jornalista. Passei pelos principais veículos de comunicação, inclusive a Globo, RPC (Rede Paranaense de Televisão), com denodo, depois fui quase 8 anos repórter na Gazeta do Povo, o maior jornal do Estado, um dos maiores do Brasil ainda hoje. Na Gazeta do Povo recebi o maior premio de jornais  do meu Estado por uma grande reportagem investigativa, em que 6 mil pescadores foram enganados na questão de um acidente - com rompimento - e que foram enganados pelos cartorários e advogados. Eu descobri que eles foram enganados, deixaram de receber suas indenizações porque essa organização criminosa escondeu o processo desses trabalhadores, enterrado no fundo do fórum eleitoral. Quando descobri isso  6 mil pescadores recebem suas indenizações, muda a história de toda uma comunidade e o juiz da Comarca foi preso e os dois únicos cartórios da cidade foram desestatizados e mais de 17 advogados foram presos após minha denuncia - fazendo um jornalismo investigativo. Eu acredito que o jornalismo investigativo é insubstituível numa sociedade moderna. Aqueles que insistem em  me chamar de blogueiro, esses sim é que estão fazendo Fake News, porque eu estou falando com meus advogados, estão amplamente divulgando um jornalista profissional. Eu já mudei historias usando o jornalismo como ferramenta no litoral do Paraná. Tirar cativos da prisão também é  jornalismo: 11 nigerianos clandestinos estavam presos para morrer num navio de bandeira turca, no porto de Paranaguá. Eu descobri e denunciei e esses nigerianos estão livres até hoje - depois da minha reportagem na Gazeta do Povo foi para o Fantástico e naquela época o Fantástico me tratava como Jornalista! Depois também, na mesma região em Paranaguá, fiz grandes reportagens desmantelando uma quadrilha, organização criminosa que estava vilipendiando direito sexual de crianças, por pedofilia. Taxistas pegavam meninos de 12, 13 anos  para se prostituir no Porto. Eu denunciei e foram todos presos. O Juiz da cidade de Paranaguá estava vilipendiando uma menor de 11 anos de idade. Sabe o que aconteceu com esse juiz? Ele foi aposentado compulsoriamente, com quarenta e poucos anos, porque falavam que ele tinha "problema mental" por abusar de meninos. Também  dentro do mesmo jornalismo investigativo fui o único jornalista do Brasil, no caso do youtuber Izabelle, que ficou famoso no Brasil inteiro, que dois irmãos atiraram nela e toda a imprensa disse que os irmãos "atiraram sem querer" mas provei que não. Sou um jornalista reconhecido pelo meu trabalho em todo o Estado do Paraná. No caso do youtuber eu peguei as imagens e provei que estavam errados. Pra concluir a pergunta do Fiuza: Eu acredito que posso ser um jornalista posicionado sim, não militante. Eu sou um jornalista que tenho valores conservadores, por ser um cristão. E por isso tenho valores conservadores, não posso e não quero esconder isso! Sou um jornalista posicionado, não militante.
ANA PAULA HENKEL - Oswaldo, sua história é impressionante. Já moro aqui nos EUA há mais de 10 anos  e durante esses 10 anos tive algumas dificuldades , explicando algumas vertentes  da nossa politica, como a nossa  Suprema Corte fatiou a nossa Constituição, no processo de impeachment da Dilma,   quando também a gente fala de uma  Suprema Corte julgando sacos plásticos ou não em supermercados,  é um pouco complicado, mas até levanta algumas risadas. Agora, o seu caso foi muito complicado para explicar e para que as pessoas entendessem  aqui nos EUA que  independentemente da sua vertente partidária, ou ideológica, democrática. Aqui nos Estados Unidos tem a primeira Emenda (da Constituição Americana) , que garante a absoluta liberdade de expressão, de religião, crença, então um projeto de lei como esse  que passou  no Senado e agora vai para a Câmara Federal, juntamente com uma história como a sua, foi difícil explicar para que as pessoas entendessem aqui nos Estados Unidos, independente de sua vertente partidária ou ideológica - aqui Democratas ou Republicanos - é muito complicada. Eu acho muito digno você  se posicionar dessa maneira, dizendo "eu sou sim um jornalista com viés conservador", porque é como a imprensa aqui nos EUA e como deveria ser no Brasil. Essa proteção falsa, essa imprensa vestida de isenta na verdade não reporta mais  fatos, mas apenas opiniões, isso é muito prejudicial para o leitor, para o expectador - e que o leitor decida o que quer ver e ouvir e fazer as suas próprias conclusões. Diante dessa aberração que a gente vê acontecer com você, como é uma coisa tão inusitada pra nós e até para americanos e estrangeiros, quais são os próximos passos do seu processo?. O que seus advogados têm nas mãos e como caminha agora um  processo onde você não sabe do que você está sendo acusado, onde você teve uma busca e apreensão na sua casa muito abrangente. Quais são os próximos passos, agora?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Neste momento eu estou tendo outra grave restrição, a restrição a liberdade de Imprensa! E a censura prévia, porque eu sai da cadeia e o ministro Alexandre de Moraes deu uma cautelar proibindo  de eu utilizar qualquer rede social minha , não posso  falar em  minhas redes sociais. Mas as minhas redes são meus  meios (de trabalho). Eles tiraram tudo de mim! Estou com uma mordaça em minha boca, essa censura prévia que o ministro impôs em mim, ela trás um precedente muito perigoso para todos os jornalistas, porque isso pode acontecer com os outros também. Minha teoria, que vai ser o tema do meu mestrado é que o conteúdo é mais importante que o meio! E como eu não tenho mais meio pra falar, eu estou censurado, de boca fechada, com uma mordaça em minha boca! Eu nunca vi isso no mundo, eu tenho umas cautelares... Os próximos passos do processo, com os advogados: tentar vencer essas restrições dessa censura prévia e dessa liberdade de expressão que me foi cerceada e buscar meios legais na própria suprema corte porque eu nunca vi isso na minha vida: Não teve processo em 1ª instancia, não teve 2ª instancia, foi direto da suprema corte. Então, eles mesmo julgam. No caso de Alexandre de Moraes: ele mesmo foi vitima, se diz vitima, ele foi o investigador, foi procurador, ele mesmo julgou e agora ele mesmo impõe uma aberração, como vocês disseram! Impôs censura prévia, eu nunca vi isso na minha geração, nasci em 1978, sou filho de militar, subtenente do Exército, que me ensinou a dormir de coturno, preparado para a guerra. Nunca vi o que está acontecendo no Brasil! Estou falando com vocês do celular de meu amigo porque tiraram tudo de mim! A única coisa que eu tenho (agora) é a minha voz, mas a minha voz eles não vão poder calar! Mesmo de dentro da cadeia eles não vão conseguir calar a minha boca, muito menos agora!. Então os próximos  passos, do processo, os meus advogados, Dr. Elias Matar Assad, Dr. Ricardo Vasconcelos, estão já  planejando petições pra derrubar essa censura prévia que jamais havia sido imposta no Brasil nessa nova Democracia.
JP - Com relação a seu futuro profissional, como é que você vai fazer para trabalhar a partir de agora, nas redes sociais, que são uma ferramenta sua, com essas restrições impostas pelo STF, como você vai se manter  daqui pra frente... Quanto tempo vai durar essa medidas impostas pelo Alexandre de Moraes a você, ou foram impostas sem prazo para acabar, Oswaldo?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Eu não sei por quanto tempo elas vão durar. Todo essa processo estranho, tudo nesse processo é fora do comum. Não há crime, não sou acusado de nenhum crime! Eles me prenderam no hotel em que eu estava, em trânsito, e não descobriram nada, porque? Porque não há nada! Meu futuro profissional: Eu não posso trabalhar nesse momento porque  cercearam meu meio de comunicação. Eles não deixam eu falar, o sustento da minha casa que vem pelo meu trabalho, de estar impedido, não tenho ferramentas para trabalhar , mas eu creio no seguinte, amigos do Brasil: A nossa geração, a tua geração, foi chamada pra mudar este País. Eu acredito  que a minha resposta a sociedade , meu futuro profissional vi ser com jornalismo profissional  que eu prendi  fazer. Hoje eu não tenho nada, mas eu creio que se até os lírios dos campos tem com que se vestir, os passarinhos tem o que comer, eu creio que aquele Deus que eu tenho, o Altíssimo, chamado Maravilhoso, Conselheiro, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz, vai prover  meios para depois que eles tentaram me calar. Creio que agora eu vou montar um grande estúdio aqui em Brasília, pra fazer jornalismo profissional - porque sou também um editor de imagem, finalizador, e agora  eles vão conhecer o que é jornalismo profissional , que veio lá do litoral do Paraná, que me formei pra fazer -me preparei, que está em mim, grita dentro de mim, pra mudar a história dessa Nação. Como é que a gente muda a História do Brasil, o sistema. O mecanismo do Brasil  estáe em convulsão  neste momento, por isso estão querendo me prender. Quando o sistema entrou em convulsão? Sob o meu ponto de vista, quando Jair Messias Bolsonaro ganha a eleição e para com o toma-lá-da-cá . Não tem mais deputado, agora que coloca a amante como servidora, no Executivo, não tem mais Senador que coloca parente no Executivo, não existe mais emendas  votadas simplesmente por questões politicas para que o cara ganhe eleição. Esse sistema entrou em convulsão e agora esse mecanismo quer calar uma nova geração de jornalistas. Porque eles  querem nos calar? Com todo meu respeito a grande mídia, não vim aqui para criticar ninguém. Parabenizo a Jovem Pan que me dá espaço, mas a maior parte da grande mídia, que é conhecida hoje como "extrema imprensa" não dá mais espaço para o contraponto. Eles batem, batem, batem no Presidente, mas não dão espaço para o contraponto - Vocês da JP são os únicos que dão. Hoje, se uma pessoa quiser saber o que acontece no Brasil , eles vêm pra Jovem Pan, ou vão para os meios alternativos, como o meu. E sabe o que acontece, para eu finalizar, é que O Estadão, o Globo, a Folha,  todos juntos, entrem agora no twitter e comparem com o meu twitter que foi há 10 dias, que não posso postar porque sou impedido. Se juntar os três jornais, o meu dá 10 vezes mais que os três juntos! Porque? porque fala a verdade, que a população quer ouvir! E a JP, eu parabenizo vocês! Eu quero trazer a verdade. Mesmo sendo conservador,  mesmo sendo de direita, sem algum momento o presidente ou o ministro fizer algo de errado eu vou denunciar - como fiz com o ministro Mandetta - a grande na minha denuncia, que tinha contrato de um milhão de reais no Ministério. Disseram que eu tinha errado, pois eram 4 contratos de 256 milhões - eles não sabem fazer contas? Eu encerro minha fala.
JOSE MARIA TRINDADE - Lembrei do Marshall Mcluhan, que disse que "o meio é a mensagem". Oswaldo fala sobre o conteúdo como superior ao meio. Mcluhan dizia exatamente que o meio não era simplesmente um canal de transmissão mas interferia inclusive na mensagem. Oswaldo fala exatamente sobre essa nova situação. O sistema está em crise e os grandes veículos de comunicação fazem de conta que isso não existe, que essa crise não existe. Em primeiro lugar pergunto exatamente sobre essa situação nova, esse mundo novo na comunicação que ele pretende fazer. em segundo sobre o financiamento, quem financia, quem são essas pessoas que fazem esses contratos com o seu canal?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Pra mim existiram várias revoluções na mídia. A primeira delas foi a prensa de Gutemberg, depois tivemos a rádio difusão, em 1920, depois fomos para a televisão, 1940-50, no Brasil, e nós temos uma quarta revolução, que é diferente de todas as outras, que são as redes sociais. Qual a grande diferença dessa ultima para as outras. A primeira, segunda e terceira - prensa, jornal, rádio e TV? Era a emissora falando o expectador, nós (as pessoas, os cidadãos), falando com  massa. Com as redes sociais - o grande fenômeno , que nunca havia na história da humanidade: a  massa passou a se comunicar com a  massa. então o sistema passou a entrar em convulsão. Eu aprendi que as redes sociais vieram prá mudar a História. tem muita água suja que passa, muita mentira, mas cabe a nós jornalistas checar e checar e checar essas informações como jornalistas independentes, como tutores. se recebo  informações devo trazer  verdade para a população - esse é meu ponto de vista sobre  internet. A segunda parte, sobre financiamento? Essa é a pergunta que o delegado quer saber ( resposta). Pegou meu sigilo bancário, meu sigilo telemático, celular, e não acharam quem financia Oswaldo Eustáquio! Perguntaram, você recebeu R$ 13.000,00 reais... não é treze, é dezenove! Mas ainda não recebi esse dinheiro. Estou no youtube fazem dois meses, quando iniciei com um entrevista com roberto Jefferson. Eles me chamam de "blogueiro" mas os grandes jornais pegaram as minhas pautas. Mas tudo bem. Então, a partir deste momento eles querem saber quem me financia. Não tem nenhum empresário, mas podia ter! Temos que ter propaganda, etc. Mas hoje não temos. O delegado da PF... tem uma parte da PF tinha que... não vou nem comentar. Perguntou o delegado: Você recebe dinheiro da Secom? (Secretaria da Comunicação)? Eu disse: olha no portal da transparência! Não recebi, não recebo. Eu sou um jornalista que tem história no meu Estado. tenho 20 anos no Paraná, de jornalismo investigativo, e nesse período conquistei muitos prêmios lá. Eu ainda escrevo no Agora Paraná, o terceiro jornal mais importante do Estado; faço pílulas de radio que fica em Goiânia, na região de Brasília. Tudo isso está no meu depoimento! Quem é que sustenta o Canal de Oswaldo Eustáquio? As pessoas que estão nos vendo agora!! No youtube tem o "supercheque" - as pessoas dão 10,00 reais, R$ 0,99 centavos, R$ 100,00 as vezes, e no final dá R$ 10.000,00, R$ 12.000,.. Eles quebraram meu sigilo bancário, mas eu abro pra vocês, não tem problema!
ANA PAULA HENKEL - Com o que aconteceu com jornalista Oswaldo Eustáquio, fica cada dia mais evidente a força que as redes sociais desempenham hoje, não apenas em nosso cotidiano, mas também importante, como as duas eleições de Donald Trump em 2016 e de Bolsonaro em 2018. Trump  usou  a base, toda a campanha dele foi
movimentada nas redes sociais. A gente vê que existe aqui (EUA)  uma movimentação pra censurar conteúdo conservador e liberal. A gente vê que é um movimento que não  esteja unicamente no Brasil. A diferença é que   a gente está testemunhando o autoritarismo do nosso Judiciário, muito perigoso, aí no Brasil. A gente vê que em livros de História onde a liberdade é amarrada  eles não têm um final feliz. Pra gente combater esse totalitarismo do Judiciário a gente precisa ter uma atuação maior como cidadãos. Nesse ponto, Oswaldo,  que a gente vê que existe um movimento nesse sentido também, de censura em outros lugares . Diante do que aconteceu com você existe alguma medida internacional  que pode ser tomada, no seu caso, ou algum órgão que possa ser acessado , pra que outras pessoas internacionalmente tenham conhecimento da gravidade do que aconteceu com você?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Muito obrigado Ana Paula por essa pergunta, porque é  algo que grita dentro de mim. Existe sim, existe o Pacto de San José da Costa Rica - a Convenção 69 da OIT - que declara de forma explicita isso. Eu pretendo sim ir aos Tribunais Internacionais, ao Tribunal de HAIA também pra levar toda essa maldade que fizeram comigo, esse vilipêndio ao sigilo da fonte, essa restrição da Liberdade de Imprensa no Brasil - até vou aproveitar e abrir, rasgar o meu coração. O "jornalista" Green, que não é jornalista formado, nem é brasileiro - o mesmo Supremo que me prendeu disse (determinou) que ele sequer pode ser investigado! Ele não foi investigado, mas a PGR - Procuradoria Geral do Estado - denunciou; mas a Justiça não pode receber a denuncia. O colegiado, depois entendeu que estava correto, Ora, porque esse Glenn Greenwald - The Intercept - não pode sequer ser investigado - não pode ser denunciado? A Justiça não pode receber a denuncia (contra ele, Glenn Greenwald ) e eu sem crime, sem provas, eles me humilharam, fizeram busca e apreensão na minha casa, na minha família, em tudo o que a gente tinha para descobrir que não havia nada. Dois pesos e duas medidas. Então, toda essa questão me fez criar algo. Deixa eu falar mais sobre isso!  ...  As entidades de classe, que deveriam me defender, a SEBRAJE e a  ABRAJE, SINDICATOS DOS JORNALISTAS, se calaram! "Ora, ele não está fazendo isso como jornalismo"... Como não? A entrevista com Roberto Jeferson não foi jornalismo?  A entrevista com Ives Gandra foi o quê? Isso é jornalismo! Ora, é um jornalismo com o qual eles não concordam, claro!. Só que como minhas entidades sem calaram eu aproveito para lançar aqui aos jornalistas conservadores, na Jovem Pan, eu vou fundar a ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA DE JORNALISTAS INDEPENDENTES pra dar voz a jornalistas como eu. Na Argentina tem jornalistas conservadores sendo perseguidos, na Venezuela, na Bolívia, no México os jornalistas conservadores têm sua voz calada. Diante disso eu, mais um grupo de jornalistas - já convidei alguns, a Yasmim do "Brasil sem Medo", a Fernanda Salles, convidei outras pessoas pra  participar desse Projeto porque a partir daí nos vamos levantar o CNPJ  para os tribunais, para a Comissão Internacional dos Direitos Humanos, para o Tribunal de Haia - tudo baseado no PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA, do qual o Brasil é signatário e isso foi ignorado pela corte em que me julgaram. Vou levar também a todas as organizações de âmbito Internacional para que possam ver essas graves violações dos Direitos Humanos, do Sigilo das Fontes e da Liberdade de Imprensa.
GUILHERME FIUZA - Oswaldo com o foram os 10 dias na prisão? Pergunto se sofreu algum tipo de desafio psicológico ou seu tratamento foi digno e pergunto, assim, você não sabe porque foi preso, como todo mundo sabe, o porque você foi solto?
OSWALDO EUSTÁQUIO - Fui solto porque o ministro Alexandre de Moraes não podia mais me manter na prisão, estava ficando feio para o STF, que acabou perdendo o restinho de credibilidade que tinha. Não é uma critica a Instituição, mas àqueles que abusaram do poder. A Policia Federal , quando fui preso tinha gente lá no Mato Grosso do Sul que me falaram, Oswaldo, me perdoa, eu fui expulso do grupo da família, porque me falaram que a PF estão começando a fazer algo errado. Eu disse, não a Policia Federal é gloriosa como Instituição e há apenas algumas coisas pontuais que precisam ser corrigidas e uma ala politica partidária , teve carcereiro que disse, a PF aqui está sob o comando do PSDB - é difícil tirar isso. Eles me falaram isso, na carceragem! - não vou falar qual cidade pra não comprometer. Vou falar bem rápido: Eu não tive voz de prisão, eu tive voz de assalto. O delegado Marcos, do Mato Grosso do Sul chegou  com arma em punho e gritou assim, "me dá o celular, me dá o celular", E falei, o que é, um assalto? Ele tomou o celular de mim. Ele ligou pra Brasília e disse peguei o celular dele, tá comigo - dá pra escanear e pegar todos os dados! Eu disse que queria ligar para meu advogado. Ele disse, só na Delegacia! Eu disse eu tenho direito de ligar para o advogado! Depois ele me informaram que era um mandato de prisão! Me disseram que me prenderam porque eu estava fugindo do País. Ora, eu estava na região de Ponta Porã onde tenho a minha família. Eu levava um crucifixo católico que recebi de uma pessoa que esteve em Israel. Eu disse que ia levar para uma tia, que vive no Paraguai. E quando eu chego lá no hotel (Campo grande) me prendem no dia 26.06.2020,. dizendo que eu estava fugindo! Eu estava na fronteira desde o dia 23, se eu quisesse ter fugido - a fronteira de Campo Grande, onde fui preso. Eu pergunto pra você : Como é que eu estava fugindo se não tinha mandato de prisão? Uma questão obscura. Foram fazer busca e apreensão na minha casa, erraram a casa, porque eu tinha me mudado, porque quando fiz a entrevista com Roberto Jefferson (Presidente do PTB - Partido Trabalhista Brasileiro) porque me fizeram ameaças de morte. Quando  eu me mudei a casa (anterior) estava vazia - chamaram o chaveiro. Tínhamos ido para pintar a casa, pra entregar (ao dono), somos pessoas comuns - e disseram que eu não tinha endereço fixo.
Mas meus advogados de forma brilhante ratificaram meu endereço nos autos, A servidora da PF, Francisca, vinte dias antes, na mesma sala que dei depoimento. Como não podiam me encontrar se vinte dias atrás, depois de uma "live" que fiz   com Luciano mergulhador, testemunha, que esteve em Santa Catarina, na escadaria, com Adélio Bispo, quando fiz essa denuncia (entrevista) sobre o Adélio, que deu uma facada no Presidente Bolsonaro, então candidato), e quarenta minutos depois me ligaram dizendo que era da PF, você pode vir aqui? Eu faço esse desabafo não para criticar a Policia Federal, não para condenar as Instituições, mas pra dizer  que chegou o momento que devemos refletir para o bem maior do Estado de Direito (no Brasil) - Transcrição de José Júlio de Azevedo, Jornalista Profissional/Editor- Membro da FENAJ - Federação Nacional de Jornalistas e da International Federation of Journalists )
OSWALDO EUSTÁQUIO: Vou levar também a todas as organizações
de âmbito internacionais para que possam ver essas graves
violações dos Direitos Humanos, do Sigilo das Fontes e da Liberdade de Imprensa.


ALEXANDRE MORAES, chefe da "investigação fake news"











DEFESA DO JORNALISTA
OSWALDO EUSTÁQUIO

Nota à imprensa

Os advogados Gustavo Moreno e Marcos Caldeira, vêm a público emitir a presente
NOTA DE ESCLARECIMENTO a respeito da prisão de OSWALDO EUSTÁQUIO.

1- A prisão do Jornalista ocorreu na data de 26/06/2020, as 11:30 horas, em hotel na cidade de Campo Grande/MS;
2- O Jornalista possui credenciamento por órgãos internacionais de Comunicação e havia retornado de viagem a Ponta Porã, onde realizava reportagem internacional a respeito do fechamento das fronteiras em virtude da pandemia do COVID-19;
3- O Jornalista possui familiares no estado de Mato Grosso do Sul, eis que seu pai é natural de Aquidauana e sua mãe, já falecida, é paraguaia;
4- Houve ampla divulgação por parte do próprio Jornalista a respeito da referida viagem, sendo de conhecimento público todo o itinerário;
5- O Jornalista segue preso na sede da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande/MS, em cela separada;
6- A prisão do Jornalista é temporária, com prazo máximo de duração de 5 (cinco) dias, podendo ser prorrogada por igual prazo;
7- Não obstante todo o esforço destes patronos em buscar acesso aos autos do inquérito como forma de subsidiar a Ampla Defesa de seu cliente, até o presente momento não foi conferido acesso aos autos;
8- Não tendo havido acesso ao inquérito e, correndo este em Segredo de Justiça, até o presente momento não há informações claras a respeito dos fundamentos e motivos da prisão do Jornalista;
9- Sabe-se que o processo que culminou na prisão do Jornalista é o chamado "Inquérito das Fake News", o qual foi instaurado e segue sob o total desrespeito aos princípios norteadores do Direito e à normativa instituída. Somado à seletividade dos alvos e a ausência de fundamentação legal para as prisões, forçoso acreditar que a prisão do Jornalista Oswaldo Eustáquio não seja uma prisão política;
10- A Defesa do Jornalista segue buscando acesso aos autos do inquérito, sem prejuízo dos demais procedimentos legais para garantir o resguardo dos Direitos Fundamentais do Jornalista e sua liberdade.



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