ÀQUELE QUE JAZ EM PAZ
Réquiem a Clériston Pereira da Cunha
Você passa pela ousada arquitetura dos palácios
Aparente paz na solidão do Planalto Central.
Você passa pela Justiça imóvel,
Indiferente, na Praça dos Três Poderes.
Cega frente a injustiça, com a espada no colo,
Empunhada, sob mãos de pedra,
No colo de granito, muda como múmia
Sob a luz, ao entardecer de cada dia.
Apesar de estar no plenário do Senado,
Onde nada foi quebrado, foi denunciado por
"Associação criminosa armada e abolição
violenta do Estado de Direito, golpe de Estado,
Dano qualificado e deterioração de patrimonio
tombado"
Estava na Verdade armado com a Bíblia nas
mãos e orações pelo Brasil e brasileiros
nos lábios.
Ele nasceu na Bahia, baluarte da liberdade.
Disse para a família naquele dia que ia
para orar pela Nação, limpo de coração.
Estava no plenário do Senado - onde nada foi
depredado.
Ali foi preso e condenado - como tantos
brasileiros dessa trágica história
de corrupção, injustiça e mísera impunidade.
Ali na Praça, a justiça cega e indiferente.
Lá dentro também a soberba dos togados.
Talheres dourados, vinhos importados.
De preto, fingido cínico, deveras obcecado.
A vitima, presa sem culpa ou devido processo,
como a dizer que a ditadura havia chegado.
Alvo da Procuradoria Geral da República,
para ser socorrido a cuidados urgentes
a sua saúde precária - ordem solene e
criminosamente ignorada.
A família recebeu-o de volta,
dentro de uma urna funerária,
Sem adeus, como cordeiro inocente, imolado.
Dorme Clériston, o sono dos Justos.
Seus algozes com certeza terão à cada
anoitecer suas almas doentias - sem velas acesas,
carentes de misericórdia - com a consciência
escancarada no espelho, fria, decrépita e nua.
Mentes enlouquecidas, medo de andar na rua.
Na Papuda a vítima exposta a degradante,
insalubre situação, denunciada pelo advogado.
Ele alertava à Justiça seu grave estado de saúde.
Desde o final de Agosto fora liberado
pela Procuradoria Geral da República
- além de reiterados pedidos negados pelo
Algoz tutor, como se aquele homem fosse
nada mais que
nada.
Morto por fria negligência no
20 de Novembro de 2023, aos 46 anos.
Deixava em casa esposa e filhas e lágrimas
- triste luto causado por cruel indiferença.
Deixou sua bondade, fé e alegria
como herança!
Assim, depois de 80 dias preso, sua Alma
deixou, sem culpa, sem socorro e sem
processo, a maldita cela para viver
a Eternidade prometida.
A polida assessoria do Supremo disse que
"O ministro vai ficar calado" - imóvel,
indiferente, tal qual a boca de pedra,
do monumento, ao lado,
Observando desde o Palácio
o horizonte cálido.
Aquele Brasileiro, honesto e do trabalho,
Pai de duas filhas jovens e esposa
Vivia no Distrito Federal.
Era natural de Feira da Mata, Bahia.
Passou mal dezenas de vezes.
Sua Liberdade veio do Céu e nada deve
aos quintos do Inferno!
Jose Julio
Brasilia, 20.11.2024


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