quarta-feira, 27 de novembro de 2024

RÉQUIEM A CLÉRISTON PEREIRA DA CUNHA

      

                 ÀQUELE QUE JAZ EM PAZ

        Réquiem a Clériston Pereira da Cunha


Você passa pela ousada arquitetura dos palácios

Aparente paz na solidão do Planalto Central.

Você passa pela Justiça imóvel,

Indiferente, na Praça dos Três Poderes.

Cega frente a injustiça, com a espada no colo,

Empunhada, sob mãos de pedra,

No colo de granito, muda como múmia

Sob a luz, ao entardecer de cada dia.


Apesar de estar no plenário do Senado,

Onde nada foi quebrado, foi denunciado por

"Associação criminosa armada e abolição 

violenta do Estado de Direito, golpe de Estado,

Dano qualificado e deterioração de patrimonio

tombado"

Estava na Verdade armado  com a Bíblia nas 

mãos e orações pelo Brasil e brasileiros 

nos lábios.


Ele nasceu na Bahia, baluarte da liberdade.

Disse para a família naquele dia que ia 

para orar pela Nação, limpo de coração.

Estava no plenário do Senado - onde nada foi

depredado.

Ali foi preso e condenado - como tantos

brasileiros dessa trágica história

de corrupção, injustiça e mísera impunidade.


Ali na Praça, a justiça cega e indiferente.

Lá dentro também a soberba dos togados.

Talheres dourados, vinhos importados.

De preto, fingido cínico,  deveras obcecado.

A vitima, presa sem culpa ou devido processo,

como a dizer que a ditadura havia chegado.

Alvo da Procuradoria Geral da República,

para ser socorrido  a cuidados urgentes

a sua saúde precária - ordem solene e

criminosamente ignorada.

A família recebeu-o de volta, 

dentro de uma urna funerária,

Sem adeus, como cordeiro inocente, imolado.


Dorme Clériston, o sono dos Justos.

Seus algozes com certeza terão à cada

anoitecer suas almas doentias - sem velas acesas,

carentes de misericórdia - com a consciência

escancarada no espelho, fria, decrépita e nua.

Mentes enlouquecidas, medo de andar na rua.


Na Papuda a vítima exposta a degradante,

insalubre situação, denunciada pelo advogado.

Ele alertava à Justiça seu grave estado de saúde.

Desde o final de Agosto  fora liberado

pela Procuradoria Geral da República

- além de reiterados pedidos negados pelo 

Algoz tutor, como se aquele homem fosse 

nada mais que 

nada.

Morto por fria negligência no 

20 de Novembro de 2023, aos 46 anos.

Deixava em casa esposa e filhas e lágrimas

- triste luto causado por cruel indiferença.

Deixou sua bondade, fé e alegria 

como herança!


Assim, depois de 80 dias preso, sua Alma

deixou, sem culpa, sem socorro e sem 

processo, a maldita cela para viver 

a Eternidade prometida.

A polida assessoria do Supremo disse que

"O ministro vai ficar calado" - imóvel, 

indiferente, tal qual a boca de pedra,

do monumento, ao lado,

Observando desde o Palácio

o  horizonte cálido.


Aquele Brasileiro, honesto e do trabalho,

Pai de duas filhas jovens e esposa

Vivia no Distrito Federal.

Era natural de Feira da Mata, Bahia.

Passou mal dezenas de vezes.

Sua Liberdade veio do Céu e nada deve

aos quintos do Inferno!


Jose Julio

Brasilia, 20.11.2024


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário