![]() |
| Josef Menguele - Günzburg, 16.03.1911 - Bertioga, 07.02.1979. |
A notícia do achado do legado
maldito de fugitivos nazistas a américa do Sul correu o mundo esta
semana. Foi descoberta uma sala secreta
em um antiquário de Buenos Aires. Dentro dela, bustos de bronze de Adolf Hitler,
medalhas em estojos estofados, etc. Esse
acervo está sendo destinado ao Museu do Holocausto, na capital Argentina. São cerca de 70 objetos - a maior
coleção nazi já encontrada naquele país. Entre fotos e bustos do ditador Hitler
há uma águia decorada com uma suástica, além de um medidor de crânios que,
segundo médicos e antropólogos nazistas podia detectar se a pessoa pertencia a
raça ariana – que deveria governar o planeta se a Alemanha e o Japão fosse
vitoriosos na sangrenta 2ª Guerra Mundial.
A descoberta desse legado deve-se
a Policia Internacional – Interpol – e, possivelmente, foi trazido à América do
Sul “pelos diversos integrantes do alto
escalão do regime nazista que fugiram da Alemanha próximo do fim da Segunda
Guerra”. Entre vários integrantes do primeiro escalão do 3º Reich estava o
médico Josef Menguele, que ganhou a alcunha de Anjo da Morte, em função de suas
experiências marcadas pela crueldade com crianças, mulheres e idosos, em suas
pesquisas – chegando a injetar tinta azul nos olhos de suas vítimas para saber
ser possível mudar a cor da íris humana. Há relatos da passagem desse médico
nazista no Rio Grande do Sul, Paraguai e no Paraná – morrendo em 1979 numa
praia de Bertioga, no litoral paulista. Outro nazista que buscou refúgio na
Argentina foi Adolf Eichmann, detido em 1960 pelo serviço secreto de Israel e
levado para Israel onde foi julgado por crimes de guerra e condenado à morte
por enforcamento.
Há muitas histórias sobre a
passagem de nazistas no cone sul. Tive a oportunidade de ouvir o relato
abaixo, proferido por um homem honesto, sincero e que não teria nenhum motivo
para inventar o que disse, em várias entrevistas que fizemos.
![]() |
| São Mateus do Sul anos de 1940-50 (montagem de fotos) |
UM “PEDREIRO” CHAMADO JOSEF MENGUELE
Certa manhã de sábado encontrei Afonso Kosinski no centro da
cidade de São Mateus do Sul-PR. Conversamos. Estávamos junto a um sobrado que
fica numa esquina. Hoje funcionam ali uma loja e, na sobreloja escritórios de
advogado e de contabilidade. Ele apontou o dedo para o edifício e disse, para
minha surpresa:
- O diabo se escondeu aqui!
Afonso Kosinski, quando criança,
vivia na Fazenda Maria Clara, local onde a família Leão operava lucrando com o
beneficiamento de erva mate nativa, além da poderosa floresta de araucárias –
cujos troncos caiam com estrondo, empobrecendo a paisagem, fadigando homens e meninos,
além de enriquecer seus proprietários. Durante sua infância e adolescência
trabalhava para a empresa Mate Leão. Seu turno era de cerca de 12 horas por
dia, na fábrica de caixas de madeira – que eram utilizadas para embalar a erva
queimada, já preparada para o preparo do chá. Quando tinha cerca de 12 anos
passou a trabalhar no Vapor Sara, que transportava vigas e tábuas de pinho e
carregamento de erva mate. A bordo ele e seus companheiros, ainda meninos,
tinha que circular descalços pelo vapor e estar de prontidão, mesmo durante a
noite, para embarque e desembarque de carga.
| Afonso: Infância na Fazenda Maria Clara |
Bem jovem ainda Afonso deixou a
fazenda, onde seus pais sobreviviam no regime de “coifa” – tinham direito de
plantar algum alqueire para sua subsistência. Em contrapartida, faziam o
serviço da fazenda, cortar pinheiros centenários ou colher a erva mate. O jovem
Afonso foi viver em São Mateus do Sul em busca de oportunidade de trabalhar e
viver com mais dignidade – pois se considerava um verdadeiro menino escravo
naquela empresa.
Por
volta de 1955, na pequena cidade, trabalhava como ajudante de pedreiro para
Alcebíades Fabrin, um calabrês que estava construindo o templo da Igreja
Católica em frente ao antigo Colégio das Irmãs. Lembra que seu chefe era
enérgico, exigente e estúpido no trato com seus auxiliares.
Entre os anos de 1960 a 1962
Afonso trabalhou na construção da sede do antigo Banco Inco, que pertencia
a um grupo de capitalistas gaúchos. São Mateus do Sul, na época, via declinar o
movimento de vapores no Rio Iguaçu, era uma cidadezinha quase isolada, cercada
de florestas de araucária que eram derrubadas e devoradas pelas várias
serrarias. O comércio era fraco, as ruas descalças e o povo empobrecido, tanto
na cidade como na área rural.
![]() |
| José Julio e Afonso Kosinski, o entrevistado. |
Trabalhavam na construção do
banco, cujo edifício continua em pé, na esquina da rua Barão do Rio Branco com
Rua Dom Pedro II, os pedreiros Cláudio
Watzwiski, Afonso Kosinski, sendo Ludovico,
auxiliar juntamente com mais dois garotos. Alcebíades
Fabrin era também o patrão, o construtor do edifício. Henrique Pioli veio de União da Vitória
como gerente do Banco Inço. Ele mudou-se para São Mateus do Sul e passou a
gerenciar a construção. Assumiu a gerencia administrativa do Banco depois da
inauguração. Afonso lembra que Alvir
Lisheski era o subgerente. Ambos já falecidos.
Certo dia apareceu na obra o delegado de polícia, conhecido
por Vivi Pinheiro, parente de Dutra
Pinheiro. Chamou Alcebíades de um
lado para conversar. Dias depois chegou um novo auxiliar. No dizer de Afonso, “um
homem forte, alto, de com cerca de 1,90m, troncudo, dentuço e ruivão, enteado
para trás, deixando ver as entrâncias calvas”.
Fabrin
apresentou-o:
- Esse homem é pedreiro, arruma
algum servicinho pra ele.
Afonso comenta:
- Interessante que o chefe,
Alcebíades, era muito exigente com o trabalho. Mas não se importava coma
porcaria de serviço que o homem fazia.
Na época havia uma churrascaria ao lado do antigo Posto
do Jung (Hoje Triangulo). Às vezes o homem saia na hora do almoço para
tomar refeição naquela churrascaria, onde era hospedado – outras vezes mandavam
uma marmita para ele comer no local da obra – conta Kosinski.
Não
demorou muito para o homem revelar seu caráter e traços de sua biografia. O
homem falava alto e com sotaque estrangeiro, acentuando os erres. Não tinha
papas na língua para criticar os brasileiros. Conforme Afonso:
- Ele dizia que não tinha gente
inteligente no Brasil. Falava: Aqui só tem frouxo e burro!
Na segunda vez que visitei Kosinski,
em sua residência em um sitio próximo da cidade levei duas fotos do Anjo da
Morte, Josef Menguele, para ver se ele reconhecia o rosto. Ele disse|:
- É esse mesmo, o dentuço, ele tinha esse espaço entre os dentes da
frente!
Conforme Afonso, não demorou
muito para implicar com João pelo fato dele ser bem moreno. Caçoava e ria dele,
com desdém e antipatia.
- O João era um caboclo escuro,
alegre, gente boa!
Mas o pobre do João já não aguentava
o tal homem dentuço e seus palavrões num sotaque difícil de entender. Um dia
pegou um pedaço de pau e disse
- Eu ainda mato esse sujeito!
Dias depois o grandalhão passou a
gabar de si mesmo.
- Ele disse que veio para o Brasil
disfarçado de padre, para conhecer o Brasil e mandar informações para meus
aliados. Dizia:
-
Vocês são burros, eu entrei no Brasil com a maior facilidade!
Logo mais, além do sarcasmo com
que tratava os pedreiros e ajudantes, que tinham que conviver com o tal ruivão,
ele passou a gabar a Alemanha, especialmente o nazismo e seus ideais:
- Matamos milhões de judeus, raça
ruim que não vale nada! A gente matava com gás ou queimava.
A gente sempre estava discutindo
com ele – se defendendo. Dizia pra ele mudar de conversa – lembra
Afonso. Quando a gente falava dele, entre nós, dizíamos: O cavalo, o monstro!
- Um dia ele declarou: “Eu
sou Joseph Menguele”. Afonso recorda desses dias em que viviam
contrariados com a prepotência do grandalhão:
- Ele ficou uns quarenta dias
perturbando a gente. Ele passava pela gente de cabeça erguida, fungando. A
gente olhava e via o diabo vivo. Lembro que quando batia o sino a Igreja, ao
meio dia, ele dizia: “A privada tá batendo o badalo”. A gente falava pra ele
não zombar e ele respondia: “Deus? Quem é Deus? Quem é ele, um judeu também?”
O pesadelo estava acabando para
aqueles operários. Uma tarde os Pinheiros e o Fabrin chegaram na obra e levaram
o dentuço.
- Depois que o nazista foi embora
o Fabrin pediu para derrubar a parede que o Menguele ergueu, toda torta e mal
rebocada.
- Ninguém
mais soube dele. Disseram que ele parou em Curitiba antes de se esconder aqui
em São Mateus do Sul – conclui Afonso.
(Entrevista
a José Julio de Azevedo)
MENGUELE NO BRASIL
Josef Menguele viveu vários anos na Argentina, para onde refugiu-se com a derrota do Eixo, formado pela Alemanha, Japão e Itália, na 2ª Guerra Mundial. Com a captura de Adolf Eichmann por agentes do Mossad - grupo israelense secreto, em Buenos Aires, Mengele
decidiu fugir da Argentina e se escondeu no Paraguai para depois passar para o
Brasil, onde teria vivido em Mamborê, Estado do Paraná. Lá, exercera
ilegalmente a medicina, recebendo pacientes e prescrevendo medicamentos, sempre
com identidade falsa. A Polícia Civil recebera a notícia do exercício ilegal da
profissão, e por conta da investigação, Mengele fugiu antes da ação penal ter
sido ajuizada. Prescrito esse crime, o delegado de polícia requereu o
arquivamento do inquérito policial, e o Poder Judiciário assim declarou, já nos
anos 80. Temendo ser identificado Mengele fugiu de Mamborê, continuou sua fuga pelo Brasil, tendo residido clandestinamente em diversas localidades:
Serra Negra, Assis, Marília, Nova Europa, Mogi das Cruzes e Bertioga, no estado
de São Paulo, até à sua morte. Possivelmente era acolhido por pessoas simpatizantes ou em troca de dinheiro, em sua jornada de criminoso de guerra em fuga
Nem a Mossad ou o Centro Simon
Wiesenthal conseguiram localizá-lo apesar de o seu filho Rolf o ter visitado
duas vezes e com ele trocar correspondência. Sabe-se hoje que no Brasil viveu num sítio em Caieiras de
propriedade de um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert, sob o nome
falso de Pedro Gerhard. Quando lhe perguntavam o passado, afirmava que como
oficial alemão se limitava a selecionar as pessoas aptas para o trabalho e que
nunca matara ninguém. Em 1979, o seu estado de saúde estava em franca deterioração
e a família austríaca que o assistia convidou-o a refrescar-se numa praia de
pendente muito suave, Bertioga, no litoral paulista, Menguele aceitou. Quando
alguns membros se introduziram na água, Menguele seguiu-os até alcançar uma
distância de 100 m, mas a escassa profundidade. Então, por motivos confusos e
nunca esclarecidos, afogou-se, apesar de um dos amigos que o acompanhava ter
imediatamente dado auxílio (supôs-de cãibras, ataque cardíaco, etc., ou mesmo
suicídio).
A versão oficial é que se feriu, talvez acidentalmente, com
um pedaço de madeira quando nadava em Bertioga, e isso provocou a sua morte por
afogamento. Causa estranheza o fato de que Mengele não sabia nadar. Os seus
ossos foram exumados em 1985, no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das
Artes, na grande São Paulo. A perícia, conduzida por especialistas do IML e da
FOUSP, determinou que a ossada era do médico nazista: um defeito que tinha nos
dentes superiores anteriores foi comprovado, além de coincidir em idade e
estatura. Em 1992, uma análise de ADN confirmou finalmente a sua identidade.
Menguele nunca foi punido pelas suas atitudes, falecendo praticamente sozinho no
litoral paulista (Wikipédia).
![]() |
| Presos trabalhavam e morriam de fome ou nas camaras de gás. |
EXPERIENCIAS MACABRAS DO "ANJO DA MORTE"
Josef Menguele, é considerado o pior dos símbolos da perversão da Medicina. A influencia do darwinismo ao afirmar que o ser humano não passa de fruto de um "processo natural" e que a sobrevivência depende de uma "seleção natural" com certeza foi uma das marcantes influencias de Josef e outros médicos nazistas do Terceiro Reich. Hitler nasceu numa região considerada um "viveiro de médiuns"- conforme descrito no livro "O Despertar dos Mágicos"- e Menguele acreditava ser
possível controlar e aperfeiçoar
geneticamente a população até que esta atingisse a perfeição. Essa pretença
perfeição ariana era o ideal Nazi para o ser humano. Na realidade, os Nazis
queriam a todo o custo criar um “novo homem”, um homem superior e perfeito em
todos os aspectos. Por este motivo, Menguele e os seus tenebrosos objetivos
"científicos" iam totalmente ao encontro daquilo que era defendido pela elite
Nazi. Em Auschwitz, Menguele levou a cabo algumas das mais macabras experiências
da história da humanidade. Crianças presas a lajes de mármore, eram sondadas,
injetadas e lancetadas na espinha, olhos e órgãos internos, muitas vezes com
produtos químicos que provocavam terríveis dores e sem qualquer anestesia para
aliviar as mesmas.
![]() |
| O livro "O Papa de Hitler" descreve o envolvimento da religião com o projeto nazista. |
A algumas das crianças que
Menguele vitimou oferecia doces e confortos que não estavam acessíveis à
esmagadora maioria dos prisioneiros de Auschwitz. Nestes momentos de maior
"bondade", Josef Menguele é descrito como tendo sido afável e tranquilizador, não se poupando
a esforços para evitar as dores das suas vitimas. Mas, muitas vezes, não era
este o verdadeiro Menguele. Ele tinha tendência para ter fúrias violentas e
ordenar execuções sumárias, em alguns casos era ele próprio o carrasco destas
execuções. Estas situações de fúria por parte de Menguele, podem indiciar um
certo desequilíbrio na personalidade de Menguele, que exigia também um estrito
código disciplinar no seu laboratório. Mengele, foi descrito por um
amigo seu como sendo possuído desde muito novo por uma ambição devoradora, uma
verdadeira paixão pela fama. A cobiça sem limites levou-o a pior degradação a quem um ser humano é capaz de mergulhar - essa personagem, de fato, morreu solitário, ao mergulhar nas águas do Atlântico - seria um mal súbito ou suicídio? (1). (JJA)
1. A tradução portuguesa do nome do carrasco nazista tem duas versões: Josef Menguele ou Josef Mengele - optamos pela primeira.





Nenhum comentário:
Postar um comentário