quarta-feira, 21 de junho de 2017

NAZISMO: UM PARANAENSE CONVIVEU COM JOSEF MENGUELE, O "ANJO DA MORTE"



Josef Menguele - Günzburg, 16.03.1911 - Bertioga, 07.02.1979.


 A notícia do achado do legado maldito de fugitivos  nazistas a américa do Sul correu o mundo esta semana.  Foi descoberta uma sala secreta em um antiquário de Buenos Aires. Dentro dela, bustos de bronze de Adolf Hitler, medalhas em estojos estofados, etc.  Esse acervo está sendo destinado ao Museu do Holocausto, na capital Argentina.  São cerca de 70 objetos - a maior coleção nazi já encontrada naquele país. Entre fotos e bustos do ditador Hitler há uma águia decorada com uma suástica, além de um medidor de crânios que, segundo médicos e antropólogos nazistas podia detectar se a pessoa pertencia a raça ariana – que deveria governar o planeta se a Alemanha e o Japão fosse vitoriosos na sangrenta 2ª Guerra Mundial.

A descoberta desse legado deve-se a Policia Internacional – Interpol – e, possivelmente, foi trazido à América do Sul “pelos diversos integrantes do alto escalão do regime nazista que fugiram da Alemanha próximo do fim da Segunda Guerra”. Entre vários integrantes do primeiro escalão do 3º Reich estava o médico Josef Menguele, que ganhou a alcunha de Anjo da Morte, em função de suas experiências marcadas pela crueldade com crianças, mulheres e idosos, em suas pesquisas – chegando a injetar tinta azul nos olhos de suas vítimas para saber ser possível mudar a cor da íris humana. Há relatos da passagem desse médico nazista no Rio Grande do Sul, Paraguai e no Paraná – morrendo em 1979 numa praia de Bertioga, no litoral paulista. Outro nazista que buscou refúgio na Argentina foi Adolf Eichmann, detido em 1960 pelo serviço secreto de Israel e levado para Israel onde foi julgado por crimes de guerra e condenado à morte por enforcamento.

Há muitas histórias sobre a passagem de nazistas no cone sul. Tive a oportunidade de ouvir o relato abaixo, proferido por um homem honesto, sincero e que não teria nenhum motivo para inventar o que disse, em várias entrevistas que fizemos.
São Mateus do Sul anos de 1940-50 (montagem de fotos)

UM “PEDREIRO” CHAMADO JOSEF MENGUELE


Certa manhã de sábado encontrei Afonso Kosinski no centro da cidade de São Mateus do Sul-PR. Conversamos. Estávamos junto a um sobrado que fica numa esquina. Hoje funcionam ali uma loja e, na sobreloja escritórios de advogado e de contabilidade. Ele apontou o dedo para o edifício e disse, para minha surpresa:

- O diabo se escondeu aqui!

Afonso Kosinski, quando criança, vivia na Fazenda Maria Clara, local onde a família Leão operava lucrando com o beneficiamento de erva mate nativa, além da poderosa floresta de araucárias – cujos troncos caiam com estrondo, empobrecendo a paisagem, fadigando homens e meninos, além de enriquecer seus proprietários. Durante sua infância e adolescência trabalhava para a empresa Mate Leão. Seu turno era de cerca de 12 horas por dia, na fábrica de caixas de madeira – que eram utilizadas para embalar a erva queimada, já preparada para o preparo do chá. Quando tinha cerca de 12 anos passou a trabalhar no Vapor Sara, que transportava vigas e tábuas de pinho e carregamento de erva mate. A bordo ele e seus companheiros, ainda meninos, tinha que circular descalços pelo vapor e estar de prontidão, mesmo durante a noite, para embarque e desembarque de carga.

Afonso: Infância na Fazenda Maria Clara

Bem jovem ainda Afonso deixou a fazenda, onde seus pais sobreviviam no regime de “coifa” – tinham direito de plantar algum alqueire para sua subsistência. Em contrapartida, faziam o serviço da fazenda, cortar pinheiros centenários ou colher a erva mate. O jovem Afonso foi viver em São Mateus do Sul em busca de oportunidade de trabalhar e viver com mais dignidade – pois se considerava um verdadeiro menino escravo naquela empresa.

                Por volta de 1955, na pequena cidade, trabalhava como ajudante de pedreiro para Alcebíades Fabrin, um calabrês que estava construindo o templo da Igreja Católica em frente ao antigo Colégio das Irmãs. Lembra que seu chefe era enérgico, exigente e estúpido no trato com seus auxiliares.

Entre os anos de 1960 a 1962 Afonso trabalhou na construção da sede do antigo Banco Inco, que pertencia a um grupo de capitalistas gaúchos. São Mateus do Sul, na época, via declinar o movimento de vapores no Rio Iguaçu, era uma cidadezinha quase isolada, cercada de florestas de araucária que eram derrubadas e devoradas pelas várias serrarias. O comércio era fraco, as ruas descalças e o povo empobrecido, tanto na cidade como na área rural.
José Julio e Afonso Kosinski, o entrevistado.

Trabalhavam na construção do banco, cujo edifício continua em pé, na esquina da rua Barão do Rio Branco com Rua Dom Pedro II, os pedreiros Cláudio Watzwiski, Afonso Kosinski, sendo Ludovico, auxiliar juntamente com mais dois garotos. Alcebíades Fabrin era também o patrão, o construtor do edifício. Henrique Pioli veio de União da Vitória como gerente do Banco Inço. Ele mudou-se para São Mateus do Sul e passou a gerenciar a construção. Assumiu a gerencia administrativa do Banco depois da inauguração. Afonso lembra que Alvir Lisheski era o subgerente. Ambos já falecidos.

           Certo dia apareceu na obra o delegado de polícia, conhecido por Vivi Pinheiro, parente de Dutra Pinheiro. Chamou Alcebíades de um lado para conversar. Dias depois chegou um novo auxiliar. No dizer de Afonso, “um homem forte, alto, de com cerca de 1,90m, troncudo, dentuço e ruivão, enteado para trás, deixando ver as entrâncias calvas”.

                Fabrin apresentou-o:

- Esse homem é pedreiro, arruma algum servicinho pra ele.

Afonso comenta:

- Interessante que o chefe, Alcebíades, era muito exigente com o trabalho. Mas não se importava coma porcaria de serviço que o homem fazia.

Na época havia uma churrascaria ao lado do antigo Posto do Jung (Hoje Triangulo). Às vezes o homem saia na hora do almoço para tomar refeição naquela churrascaria, onde era hospedado – outras vezes mandavam uma marmita para ele comer no local da obra – conta Kosinski.

                Não demorou muito para o homem revelar seu caráter e traços de sua biografia. O homem falava alto e com sotaque estrangeiro, acentuando os erres. Não tinha papas na língua para criticar os brasileiros. Conforme Afonso:

- Ele dizia que não tinha gente inteligente no Brasil. Falava: Aqui só tem frouxo e burro!

Na segunda vez que visitei Kosinski, em sua residência em um sitio próximo da cidade levei duas fotos do Anjo da Morte, Josef Menguele, para ver se ele reconhecia o rosto. Ele disse|:

- É esse mesmo, o dentuço, ele tinha esse espaço entre os dentes da frente!

Conforme Afonso, não demorou muito para implicar com João pelo fato dele ser bem moreno. Caçoava e ria dele, com desdém e antipatia.

- O João era um caboclo escuro, alegre, gente boa!

Mas o pobre do João já não aguentava o tal homem dentuço e seus palavrões num sotaque difícil de entender. Um dia pegou um pedaço de pau e disse

- Eu ainda mato esse sujeito!

Dias depois o grandalhão passou a gabar de si mesmo.

- Ele disse que veio para o Brasil disfarçado de padre, para conhecer o Brasil e mandar informações para meus aliados. Dizia:

-  Vocês são burros, eu entrei no Brasil com a maior facilidade!

Logo mais, além do sarcasmo com que tratava os pedreiros e ajudantes, que tinham que conviver com o tal ruivão, ele passou a gabar a Alemanha, especialmente o nazismo e seus ideais:

- Matamos milhões de judeus, raça ruim que não vale nada! A gente matava com gás ou queimava.

A gente sempre estava discutindo com ele – se defendendo. Dizia pra ele mudar de conversa – lembra Afonso. Quando a gente falava dele, entre nós,  dizíamos: O cavalo, o monstro!

- Um dia ele declarou: “Eu sou Joseph Menguele”. Afonso recorda desses dias em que viviam contrariados com a prepotência do grandalhão:

- Ele ficou uns quarenta dias perturbando a gente. Ele passava pela gente de cabeça erguida, fungando. A gente olhava e via o diabo vivo. Lembro que quando batia o sino a Igreja, ao meio dia, ele dizia: “A privada tá batendo o badalo”. A gente falava pra ele não zombar e ele respondia: “Deus? Quem é Deus? Quem é ele, um judeu também?”

O pesadelo estava acabando para aqueles operários. Uma tarde os Pinheiros e o Fabrin chegaram na obra e levaram o dentuço.

- Depois que o nazista foi embora o Fabrin pediu para derrubar a parede que o Menguele ergueu, toda torta e mal rebocada.

                - Ninguém mais soube dele. Disseram que ele parou em Curitiba antes de se esconder aqui em São Mateus do Sul – conclui Afonso.

                (Entrevista a José Julio de Azevedo)


MENGUELE NO BRASIL
 Josef Menguele viveu vários anos na Argentina, para onde refugiu-se com a derrota do Eixo, formado pela Alemanha, Japão e Itália,  na 2ª Guerra Mundial.  Com a captura de Adolf Eichmann por agentes do Mossad - grupo israelense secreto, em Buenos Aires, Mengele decidiu fugir da Argentina e se escondeu no Paraguai para depois passar para o Brasil, onde teria vivido em Mamborê, Estado do Paraná. Lá, exercera ilegalmente a medicina, recebendo pacientes e prescrevendo medicamentos, sempre com identidade falsa. A Polícia Civil recebera a notícia do exercício ilegal da profissão, e por conta da investigação, Mengele fugiu antes da ação penal ter sido ajuizada. Prescrito esse crime, o delegado de polícia requereu o arquivamento do inquérito policial, e o Poder Judiciário assim declarou, já nos anos 80.  Temendo ser identificado Mengele fugiu de Mamborê, continuou sua fuga pelo Brasil, tendo residido clandestinamente em diversas localidades: Serra Negra, Assis, Marília, Nova Europa, Mogi das Cruzes e Bertioga, no estado de São Paulo, até à sua morte. Possivelmente era acolhido por pessoas simpatizantes ou em troca de dinheiro, em sua jornada de criminoso de guerra em fuga
Nem a Mossad ou o Centro Simon Wiesenthal conseguiram localizá-lo apesar de o seu filho Rolf o ter visitado duas vezes e com ele trocar correspondência. Sabe-se hoje que no Brasil viveu num sítio em Caieiras de propriedade de um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert, sob o nome falso de Pedro Gerhard. Quando lhe perguntavam o passado, afirmava que como oficial alemão se limitava a selecionar as pessoas aptas para o trabalho e que nunca matara ninguém. Em 1979, o seu estado de saúde estava em franca deterioração e a família austríaca que o assistia convidou-o a refrescar-se numa praia de pendente muito suave, Bertioga, no litoral paulista, Menguele aceitou. Quando alguns membros se introduziram na água, Menguele seguiu-os até alcançar uma distância de 100 m, mas a escassa profundidade. Então, por motivos confusos e nunca esclarecidos, afogou-se, apesar de um dos amigos que o acompanhava ter imediatamente dado auxílio (supôs-de cãibras, ataque cardíaco, etc., ou mesmo suicídio).
A versão oficial é que se feriu, talvez acidentalmente, com um pedaço de madeira quando nadava em Bertioga, e isso provocou a sua morte por afogamento. Causa estranheza o fato de que Mengele não sabia nadar. Os seus ossos foram exumados em 1985, no cemitério de Rosário, na cidade de Embu das Artes, na grande São Paulo. A perícia, conduzida por especialistas do IML e da FOUSP, determinou que a ossada era do médico nazista: um defeito que tinha nos dentes superiores anteriores foi comprovado, além de coincidir em idade e estatura. Em 1992, uma análise de ADN confirmou finalmente a sua identidade. Menguele nunca foi punido pelas suas atitudes, falecendo praticamente sozinho no litoral paulista (Wikipédia).
Presos trabalhavam e morriam de fome ou nas camaras de gás.


EXPERIENCIAS MACABRAS DO "ANJO DA MORTE"


Josef Menguele, é considerado  o pior dos símbolos da perversão da Medicina. A influencia do darwinismo ao afirmar que o ser humano não passa de fruto de um "processo natural" e que a sobrevivência depende  de uma "seleção natural" com certeza foi uma das marcantes influencias de Josef e outros médicos nazistas do Terceiro Reich. Hitler nasceu numa região considerada um "viveiro de médiuns"- conforme descrito no livro "O Despertar dos Mágicos"- e Menguele acreditava ser possível  controlar e aperfeiçoar geneticamente a população  até que esta atingisse a perfeição. Essa pretença perfeição ariana era o ideal Nazi para o ser humano. Na realidade, os Nazis queriam a todo o custo criar um “novo homem”, um homem superior e perfeito em todos os aspectos. Por este motivo, Menguele e os seus tenebrosos objetivos "científicos" iam totalmente ao encontro daquilo que era defendido pela elite Nazi. Em Auschwitz, Menguele levou a cabo algumas das mais macabras experiências da história da humanidade. Crianças presas a lajes de mármore, eram sondadas, injetadas e lancetadas na espinha, olhos e órgãos internos, muitas vezes com produtos químicos que provocavam terríveis dores e sem qualquer anestesia para aliviar as mesmas. 
O livro "O Papa de Hitler" descreve o envolvimento da religião com o projeto nazista.
A algumas das crianças que Menguele vitimou oferecia doces e confortos que não estavam acessíveis à esmagadora maioria dos prisioneiros de Auschwitz. Nestes momentos de maior "bondade", Josef Menguele é descrito como tendo sido afável e tranquilizador, não se poupando a esforços para evitar as dores das suas vitimas. Mas, muitas vezes, não era este o verdadeiro Menguele. Ele tinha tendência para ter fúrias violentas e ordenar execuções sumárias, em alguns casos era ele próprio o carrasco destas execuções. Estas situações de fúria por parte de Menguele, podem indiciar um certo desequilíbrio na personalidade de Menguele, que exigia também um estrito código disciplinar no seu laboratório. Mengele, foi descrito por um amigo seu como sendo possuído desde muito novo por uma ambição devoradora, uma verdadeira paixão pela fama. A cobiça sem limites levou-o a pior degradação a quem um ser humano é capaz de mergulhar - essa personagem, de fato, morreu  solitário, ao mergulhar nas águas do Atlântico - seria um mal súbito ou suicídio? (1). (JJA)
1. A tradução portuguesa do nome do carrasco nazista tem duas versões: Josef Menguele ou Josef Mengele - optamos pela primeira.

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