sexta-feira, 9 de junho de 2017

Enquanto cerca de 215 milhões de cristãos são perseguidos ou mortos o Comissariado da ONU - Nações Unidas - quer restringir acesso a Cultos cristãos no Reino Unido


Zeid ibn Ra'ad , comissário da ONU para Direitos Humanos




A hipocrisia chegou a seu ponto máximo nos bastidores da ONU – Organização das Nações Unidas. Dessa vez pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos - EACDH (em inglês, Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights, OHCHR), que é o órgão consultivo e regulatório das Nações Unidas. Sua área de atuação, quando criado, dizia respeito à promoção e proteção dos Direitos Humanos, conforme legislação internacional e referendados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.


Logotipo do Alto Comissariado da ONU
Esse Comissariado foi estabelecido pela ONU em 20.12.1993. Esse escritório é liderado pelo Alto Comissário de Direitos Humanos – criado para avaliar e coordenar atividades da área de direitos humanos e supervisionar o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Atualmente o cargo de Alto Comissário é exercido pelo diplomata jordano Príncipe Zeid ibn Ra'ad, que sucedeu em 2014 à advogada sul-africana Navanethem Pillay. Em 2008, o orçamento da agência era de US$ 120 milhões, com 1.000 empregados baseados em Genebra.




Enquanto dezenas de milhares de cristãos foram mortos, na última década, a ONU não denuncia esses extermínios e perseguições violentas, adotando uma política vesga e alheia ao que se passa no mundo. Enquanto o ocidente cristão dá ampla liberdade religiosa a grupos minoritários, como muçulmanos, budistas, cultos de origem africana – onde raramente há alguma hostilidade, os cristãos decrescem em função de extrema perseguição em alguns países, e, em outros, tem que fugir para salvar suas vidas, passando por toda sorte de privações. No ocidente ninguém sofre perseguição por mudar de religião. Os raros casos de conversões ao islamismo é visto com respeito – e ocorrem geralmente em função de casamentos quando o noivo professa a religião do Islã.  Essa tendência “politicamente correta” na ONU a faz cumplice de centenas de milhões de vítimas da intolerância religiosa, especialmente na Ásia e Oriente Médio.  

Sede do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, em Genebra

Durante a XVI Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, em março de 2011, Dom Silvano Tomasi discursou sobre Liberdade Religiosa e Direitos Humanos:

Senhor Presidente! No centro dos direitos humanos fundamentais estão as liberdades de religião, de consciência e de crença: elas influenciam a identidade pessoal e as escolhas essenciais, além de tornar possível beneficiar de outros direitos humanos. Como afirma a Declaração da ONU sobre a eliminação de todas as formas de intolerância e de discriminação baseadas na religião ou crença, a dimensão espiritual da vida é uma parte imprescindível da existência humana. Porém, a proliferação de episódios de discriminação e de violência contra as pessoas, as comunidades de fé e os lugares de culto em várias regiões geográficas do mundo nega na prática o princípio proclamado pela lei. O conflito religioso é um perigo para o desenvolvimento social, político e económico. O conflito religioso polariza a sociedade, rompendo os vínculos necessários para fazer prosperar a vida social e relacional. Produz uma violência que priva as pessoas do mais fundamental de todos os direitos, o direito à vida. Lança as sementes do desânimo e da amargura que podem ser transmitidas durante gerações. Muitas vezes, a impunidade e o menosprezo de uma parte dos meios de comunicação acompanham tais tragédias. Uma recente pesquisa revela que entre 100 pessoas assassinadas por causa do ódio religioso, 75 são cristãs. Esta concentração da discriminação religiosa deveria preocupar todos. Todavia, nesta intervenção, o propósito da Santa Sé é reafirmar a importância do direito à liberdade religiosa para todos os indivíduos, todas as comunidades de fé e cada sociedade, no mundo inteiro”.[1]

PERSEGUIÇÃO CRUEL: OS LUGARES MAIS

HOSTIS AOS CRISTÃOS, NO MUNDO

 

Conforme levantamento do Portas Abertas, cerca de 215 milhões de cristãos são perseguidos em países de maioria muçulmana, ou de orientação totalitária, como a Coréia do Norte. Essa cifra refere-se aos cristãos perseguidos nos 50 países que fazem parte da Lista de 2017. A população total destes 50 países gira em torno dos 4,83 bilhões de habitantes, dos quais cerca de 650 milhões são cristãos. Destes, 30% (isto é, 215 milhões) sofrem algum tipo de perseguição que vai da alta à extrema. Revela que 1 cristão a cada 3 é gravemente perseguido nestes 50 países. Diz-se “mais de” 250 milhões, porque existem cristãos perseguidos também em nações que não fazem parte da lista mundial, como Uganda, Nepal, Azerbaijão, Quirguistão, Níger, Cuba, entre outros. A pontuação total passou de 3299 de 2016 a 3355 em 2017, mostrando claramente que a perseguição dos cristãos em todo o mundo tende a aumentar.

Portas Abertas, pesquisa e monitora fatos relacionados a perseguição a cristãos, no mundo, revela os países mais hostis, nessa lista de 50 países onde cristãos são alvo de perseguição. Há 15 anos a Coreia do Norte – regime “democrático socialista”, na verdade o mais totalitário regime do planeta, lidera a Lista Mundial da Perseguição. Define a Coréia do Norte como “lugar onde os direitos à liberdade de pensamento, religião, expressão e informação não são respeitados. Há anos, não há mudança para a igreja: cristãos enfrentam níveis de pressão extremos em todas as áreas da vida, combinados com alto grau de violência”. Em seguida vem a Somália: o País ocupa o 2º lugar entre os que mais perseguem cristãos: “Mergulhada em uma guerra civil sem fim, fragmentação social, tribalismo e radicalismo, a Somália está mais uma vez no topo dos 10 da Lista Mundial da Perseguição e, de fato, apenas a um ponto de distância do líder, Coreia do Norte. O país está na Lista desde 1993”. Em 3º lugar está o Afeganistão, país marcado pelo extremismo islâmico e que não experimenta liberdade e paz há séculos – atualmente extremistas talibãs e ISIS lutam contra as tropas do governo afegão no nordeste do país e atacam minorias: “A perseguição é extrema em todas as esferas da vida, especialmente para cristãos de origem muçulmana, que enfrentam pressão da família, comunidade e nação para negar a fé. Muitos foram mortos depois que sua conversão foi descoberta; outros foram levados a clínicas psiquiátricas, já que ninguém em perfeito juízo abandonaria o islamismo; muitos têm suas propriedades destruídas ou repassadas para outros. Fatos que acontecem até mesmo diante a mera suspeita de que se tornaram cristãos”.

O Paquistão ocupa o 4º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2017. Ano passado, o país ficou em 6o. O nível de pressão está em um nível extremo e se espalhou mais ou menos igualmente em todas as esferas da vida, mas com maior pressão sobre a igreja. Além disso, a violência aumentou consideravelmente pelo segundo ano consecutivo. “O Talibã ainda está vivo e pode atacar, conforme mostrado na Páscoa de 2016, no bombardeio de Lahore, em que eles afirmaram explicitamente terem direcionado o ataque contra os cristãos. As reuniões aos domingos para adoração ainda são possíveis para os cristãos, mas todas as outras atividades cristãs são fortemente desaprovadas”. O site pede orações pelos cristãos ex-muçulmanos que sofrem o peso da perseguição no país. Grupos radicais islâmicos os veem como apóstatas e as suas famílias, amigos e vizinhos o veem como uma vergonha para a comunidade. “Cerca de 700 meninas e mulheres cristãs são raptadas por ano, frequentemente forçadas a casar com homens muçulmanos”.

O Sudão é o 5º pais mais hostil aos cristãos: “Sob o governo autoritário de Al-Bashir, não existe Estado de direito no Sudão. Leis restringem a imprensa e a mídia, bem como a liberdade de expressão dos cidadãos. Historicamente, o islã tem raízes profundas na sociedade sudanesa, e o governo está implementando estritamente a política de uma única religião, cultura e idioma. O panorama étnico-cultural é complicado: árabes versus grupos étnicos africanos; mulçumanos versus cristãos. A separação do Sudão do Sul em 2011 não resolveu os problemas. Isso se aplica particularmente aos grupos étnicos da África, já que um número significativo deles é cristão e ainda vive no país. Os cristãos, tanto ex-muçulmanos como migrantes e históricos, enfrentam forte perseguição da sociedade. Esse nível de pressão aumentou muito em relação ao último ano, o que fez o Sudão subir três pontos na Lista, fruto de um governo que prende, assedia, intimida e expulsa cristãos, e dificulta a construção e permanência de igrejas.”

Em seguida vem a Síria, que ocupa o 6º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2017. No ano passado, o país posicionou-se em 5º: “A pressão sobre os cristãos é extrema em áreas controladas pelo Estado Islâmico e rebeldes. Porque a maioria dos cristãos fugiu dessas áreas, o número de incidentes violentos diminuiu. Isso explica a queda de uma posição na Lista em relação ao ano anterior. Além disso, muitas igrejas já haviam sido destruídas no período anterior. Outro fator é a dificuldade de se receberem informações concretas de um país atolado no caos da guerra civil. Uma guerra que começou como uma revolta popular em 2011, com demandas por maior liberdade política e reformas econômicas, semelhantemente a outros países árabes nesse mesmo período. No entanto, as raízes do conflito são mais profundas e complicadas do que costuma ser noticiado, e incluem o conflito de classes, as divisões rurais contra as urbanas e a liberdade política reprimida. Isso explica, em parte, por que o conflito evoluiu tão rapidamente para um conflito sectário extremamente violento que já dura seis anos. De acordo com a ONU, em 2015 havia mais de 22 milhões de habitantes no país. Portas Abertas estimou o número total de cristãos na Síria em 1,1 milhão em 2014 – e 1,9 milhão anteriormente em 2012. O número decrescente de cristãos deve-se à emigração (antes da guerra civil) e ao número de refugiados causado pela guerra civil”.[2]

 

REINO UNIDO É UM PAIS DE MAIORIA CRISTÃ

QUE PROTEGE A LIBERDADE DE TODAS AS RELIGIÕES

 

Conforme o site de Direitos Humanos do Reino Unido, em sua declaração sobre “Compromissos de Direitos Humanos” – destaca que “o Reino Unido protege as crianças através de uma substancial legislação que abrange os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. Essas leis criam um quadro nacional eficaz para apoiar resultados positivos para as crianças. Criamos comissários para crianças e jovens em todo o Reino Unido. Vamos aumentar ainda mais nosso foco em crianças e suas famílias, através de apoio e proteção contínuos para que todas as crianças tenham o melhor começo na vida e possam atingir seu potencial”. Reafirma também que a proteção e promoção do direito à liberdade de religião ou crença é uma das Principais prioridades de direitos humanos, no Reino, pois “é um direito fundamental que sustenta muitos outros direitos”.  Lembra que “onde a liberdade de religião está sob ameaça, normalmente outras liberdades também são restritas.  Estamos empenhados em trabalhar de forma mais eficaz com parceiros internacionais e com Líderes de sociedade e fé para promover a consciência da necessidade de maior aceitação e Entendimento entre seguidores de diferentes religiões e em apoio à liberdade religiosa para Pessoas de todas as religiões ou nenhuma[3]

 

ONU: quer restrição à liberdade de religião na Inglaterra:

Liberdade de pensamento, consciência e religião

 

Eis alguns trechos das “recomendações” ao Reino Unido, com relação ao que o Alto Comissariado considera violações aos direitos humanos: “O Comitê está preocupado que os alunos são obrigados por lei a participar de um culto de oração diária, que é "total ou principalmente de caráter predominantemente cristã" em escolas públicas na Inglaterra e no País de Gales e que as crianças não podem escolher não comparecer ao serviço sem a permissão de seus pais antes que o nível pré-universitário. Na Irlanda do Norte e Escócia, as crianças não podem deixar de assistir o culto coletivo sem autorização dos pais. No item 36, o comitê recomenda que o “Estado revogue as leis que estabelecem frequência obrigatória à adoração coletiva em escolas públicas e garantir que as crianças possam exercer de forma independente o direito de não comparecer ao serviço da igreja na escola”.

No item 37 o Alto Comissariado, “a fim de garantir plenamente o direito das crianças à liberdade de circulação e de reunião pacífica, o Comité recomenda que o Estado Parte: a) Proibir o uso em espaços públicos de dispositivos acústicos usados ​​para dispersar encontros de jovens (os chamados "dispositivos de mosquito"); b) Recolha de dados sobre as medidas utilizadas contra as crianças, incluindo crianças com idade entre 10 e 11 anos para eliminar o comportamento antissocial e para dispersar multidões, e supervisionar a sua proporcionalidade e os critérios utilizados na sua utilização.”

            Na Inglaterra e em outros países da comunidade não existe o que aqui foi denominado “Lei da Palmada”, que criminaliza qualquer tipo de castigo físico, mesmo leve, incluindo mesmo se a denúncia partir de uma criança, que passa a ser delator dos próprios pais. Por isso o Alto Comissariado tenta acabar com esse salutar meio familiar de disciplinar uma criança – que, inclusive, é um preceito bíblico e, dessa forma, viola a liberdade religiosa e se imiscui no âmbito familiar para impor condições que de fato retira dos pais a autoridade na educação de seus filhos. Nesse sentido o item 41 de suas recomendações a ONU condena o que chama de “castigos corporais”: “Com referência a observação geral nº 8 de 2006, sobre o direito da criança a proteção contra os castigos corporais e outras formas de castigos cruéis ou degradantes e a suas recomendações anteriores, o Comitê insta o Estado, em todas as administrações descentralizadas, nos territórios ultramarinos e dependências da Coroa a que: Proíba em caráter prioritário a todos os castigos corporais no seio da família, em particular revogando dispositivos jurídicos que permitam o “castigo razoável”. E que também “os castigos corporais sejam explicitamente proibidos em toas as escolas e demais instituições educativas como em instituições de cuidados alternativos”. E que “redobre seus esforços envidar esforços para promover formas positivas e não violentas de disciplina e respeito pelo direito equitativo das crianças a dignidade humana e a integridade física tendo em vista eliminar a aceitação geral do uso de castigos corporais na criação das crianças”.[4]

Com certeza todo abuso contra o ser humano já está muito bem definido, com as punições legais, na Constituição do Reino Unido – da mesma forma que no Brasil. Essa tentativa de criminalizar a palmada tem por objetivo minar a autoridade familiar na educação dos filhos, o que ocorre no Brasil – onde um professor não tem mais o direito de impor a disciplina necessária em sala de aula. Essa mesma estratégia está em curso com a doutrinação ideológica nas escolas – onde os alunos são alvo de pregações “socializantes” – na maior parte das vezes sem oferecer contrapontos éticos e culturais que caracterizam os regimes democráticos.  

Será que esse Alto Comissariado também quer impor essas restrições a culturas do oriente, especialmente islâmico, onde milenarmente os rígidos castigos a indisciplina são aplicados com naturalidade pelos pais?



[1] (Http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/2011/documents/rc_seg-st_20110302_religious-freedom_po.html)
[2] Lista Mundial de Países onde os cristãos são mais perseguidos: https://www.portasabertas.org.br/listamundial/perfil/
[3] Reino Unido: http://www.ohchr.org/Documents/Countries/GB/UKpledgesCommitments.pdf.

Nenhum comentário:

Postar um comentário