"COMISSÃO DA VERDADE" ACUSA MILITARES DE PERSEGUIR E PLANEJAR
A ELIMINAÇÃO DE GLAUBER ROCHA, CINEASTA E, POSTERIORMENTE, UM
DOS ALIADOS DE GEISEL E FIGUEIREDO NO PROCESSO DE ABERTURA DEMOCRÁTICA.
![]() |
| GLAUBER ROCHA ALIOU-SE AO REGIME MILITAR TENDO EM VISTA A ABERTURA DEMOCRÁTICA |
Dezenas de sites da internet, como saindo de dentro de uma panela quente, pipocam textos que acusam os militares de terem planejado a morte de Glauber Rocha, o cineasta brasileiro, criador do Cinema Novo. Glauber foi laureado com diversos prêmios internacionais, sendo em sua época o artista mais afamado da América Latina, no mundo.
Quando eu trabalhava na Folha de S.Paulo, nos anos 70, Glauber tinha uma coluna e enviava suas crônicas e textos carrregados de simbolismo e criatividade. Ele riscava depois sobre o texto escrito, trocando i por y, v por w, .etc., fazendo uma mutação alquímica da grafia da língua portuguesa. Podemos dizer que ele foi um dos artífices da Abertura do regime, na transição para uma possível democracia – e pagou carro por isso. Essa abertura gradual chegou através da eleição indireta de Tancredo Neves, que veio a falecer antes de tomar posse – sendo desastradamente substituído por José Sarney – que, depois, para justificar a galopante inflação, nos tempos de seu Plano Cruzado como sendo “um fator da cultura brasileira”.
![]() |
GLAUBER FOI O PERSONAGEM MAIS CONHECIDO ENTRE INTELECTUAIS DA AMÉRICA LATINA
|
Em que bases afirma “Comissão da Verdade”, de ideologia à esquerda, tem para a conclusão de que os militares é que perseguiram e teriam atentado contra a vida de Glauber Rocha? Essa comissão estaria pecando por falta de imparcialidade ou tentando denegrir as FFAA, no tempo de crise ética e moral que atinge os 3 Poderes da República em função da corrupção e desvios de finalidade.
Essa “pista”, com certeza, não aponta uma intenção de “matar” Glauber Rocha. Seria mais plausível, se ele não tivesse regressado quase morto de Portugal, com septicemia, de ser morto por influência do ódio destilado por parte de radicais da esquerda pelo fato dele declarar na grande imprensa, nacional e internacional, sua simpatia a diversos militares, como João Batista Figueiredo, com que se encontrou, Ernesto Geisel e o General Golbery do Couto e Silva – que Glauber declarava que ele seria um dos "gênios da Raça", ao lado do antropólogo Darcy Ribeiro.
Em função do período, em plena guerra fria, o regime civil-militar monitorava cidadãos em evidência, conforme os arquivos, grande parte públicos. Mas a afirmação de que havia um plano para eliminar o cineasta é temerária – justamente agora em que grande parte da população vem clamando por um intervenção militar – já que vivemos em um período marcado por denuncias, indicios e processos já que expressiva maioria de politicos e ministros estão indiciados – alguns presos e outros aguardando em liberdade a continuidade de processos do MP.
![]() |
| GLAUBER COM OS ROLOS DO FILME "CABEÇAS CORTADAS" |
Um “dossiê militar” foi entregue a familiares de Glauber, durante atividades celebrativas dos 50 anos do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Nessa ocasião o ator Othon Bastos, personagem do filme, mencionado no dossiê do SNI, citado por "conhecido envolvimento político e ideológico". Presente ao evento na Comissão da Verdade, Bastos disse que ficou surpreso com a revelação. "São tantas pessoas famosas aqui e estou entre um deles, eu não sabia de nada" – relata o blog.
GLAUBER, RAÍZES PROTESTANTES
Conforme o blog, o dossiê transcreve palavras de Glauber Rocha: “O cinema não será para nós uma máscara, porque, o cinema não faz revolução - o cinema é um dos instrumentos revolucionários e para isto deve [se] criar uma linguagem latino-americana, libertária e reveladora", disse à revista Cine Cubano, em 1971, segundo o SNI.
Com certeza havia monitoração de artistas, escritores, etc., porém a repressão parecia estar circunscrita ao terrorismo, como explosão de bombas, assalto a bancos para a “causa revolucionária”, etc. – bem como a aventura temerária de jovens do PCdB na região do rio Araguaia – enviados por chefes do partido que preferiam a brisa do mar, no Rio de Janeiro.
Glauber nasceu em Vitória da Conquista-BA em 14.3.39 e faleceu em 22.08.1981, enterrado no Rio de Janeiro. Bráulio Silva Rocha, seu pai, era engenheiro e católico; sua mãe, Lúcia Mendes de Andrade Rocha, era Presbiteriana.
Conforme o perfil biográfico, publicado no jornal O Estado de S.Paulo, “O movimento do Cinema Novo começa a se esboçar, fundamentado na apologia de um cinema com mais conteúdo e de baixo custo: em 1962, os curtas de “Cinco Vezes Favela” são produzidos pelo Centro Popular de Cultura da UNE. Em 1963, Glauber lança um de seus filmes mais aclamados, "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Em janeiro de 1965, Glauber escreve o texto do manifesto "A Estética da Fome", que reivindicava uma visão social para o cinema e que influenciaria o Cinema Novo. Seus filmes expunham a nu as contradições da política brasileira e denunciavam as desigualdades sociais gritantes do país. Em 1966, Glauber filma o documentário “Maranhão 66” sobre a posse de Sarney como governador do Maranhão. Em 1967, Glauber lança o filme "Terra em Transe", uma leitura da história política brasileira e um retrato da desolação profunda dos intelectuais de esquerda diante do golpe militar de 1964.O desfecho do filme trazia um diagnóstico pessimista: “Somos infinita, eternamente filhos das trevas, da inquisição e da conversão! (…) Não é possível acreditar que tudo isso seja verdade! Até quando suportaremos? "Participaram do filme atores de destaque, como Paulo Autran, Jardel Filho e Danuza Leão. Em abril de 1967, "Terra em Transe" é proibido em todo o território nacional e é acusado de subversivo pelas lideranças militares e pela Igreja.”.
Afirma-se geralmente que os militares deram um golpe. Até que ponto isso é verdade? Na verdade os militares foram chamados a intervir. Primeiro pelas grandes manifestações da “Marcha com Deus pela Família” – liderada por clérigos católicos – que viam no Governo presidencialista de João Goulart uma “ameaça de comunismo”. Mas quem deu o golpe foi mesmo o Congresso, cujo presidente, Auro de Moura Andrade – grande fazendeiro e dono de imobiliárias urbanas e rurais, no interior de São Paulo e Mato Grosso – que, como presidente, declarou vaga a presidência, sob a alegação de que Jango teria fugido do Brasil. Conta-se que Jango estava em sua terra Natal, no Rio Grande do Sul; foi então que os militares, sob clamor civil, interviram - por isso os militares rejeitam, com razão, que teriam dado golpe - foram convocados por um poder da República - conforme a Constituição. Assim, a junta militar passou a comandar o destino do Brasil, desde a noite de 31.03.1964.
Conforme Gabriele Moura, historiadora gaúcha, “... o capital internacional se indispôs com o governo devido à restrição da remessa de lucros. A proposta do presidente Jango de reforma agrária, com emenda constitucional, em 1964, provocou a oposição dos proprietários rurais no Congresso e a derrocada do populismo”. Conforme Moura: “Resumidamente, tanto o Brasil quanto a América Latina, estavam fadados desde a chegada dos conquistadores ibéricos até seus últimos dias a ficar submetidos a regimes autoritários e/ou ditatoriais. Este tipo de situação seria magistralmente registrado no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, produzido em 1967”.
GLAUBER ROCHA APOIA OS MILITARES
Orlando Brito, em seu blog na WordPress, revela detalhes da guinada de Glauber, em meados dos anos 70: “O pessoal da esquerda desancou Glauber. Meses antes, havia declarado admiração pelo general Golbery do Couto e Silva. Agora aparecia nas páginas do Globo cumprimentando o presidente Figueiredo. Logo Glauber Rocha, um dos ferrenhos críticos do regime militar. Ele, cineasta vencedor de festivais com filmes de caráter político e contestador, que tinha programa de TV para desqualificar os milicos, fã de Leonel Brizola, estava ali de mão estendida para um presidente da Revolução. Parecia coisa de adesista. Como podia? Explica-se: Darcy Ribeiro, seu amigo, colaborava no projeto de reformas de base política do Peru, a pedido do presidente Velasco Alvarado. Glauber tinha ido a Lima e voltou do encontro que teve com Darcy convencido de que, no Brasil, Golbery poderia exercer papel idêntico em favor da redemocratização, já que orientava Figueiredo no processo da volta dos civis ao poder. Hóspede do Hotel Central, ao lado do Palácio Nacional, em Sintra, aproveitou a ocasião para incentivar o presidente brasileiro nesse sentido”.
Sobre a célebre (e odiada pela esquerda) foto de Glauber junto com o Presidente João Batista Figueiredo, Orlando Brito comenta: “Esta é, com certeza, uma das derradeiras imagens de Glauber Rocha em vida. Meses depois, ele viria morrer de septicemia na Clínica Bambina, no Rio, em 22 de agosto de 1981. Estivera internado num hospital de Lisboa, assistido pela mulher Paula Gaitán – artista plástica e também cineasta, nascida na Colômbia – e pelo conterrâneo da Bahia, João Ubaldo Ribeiro, que residia em Portugal, bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian”.
Lucas Rodrigues Pires, colunista da revista “DigestivoCultural”, fala sobre a rejeição a obra de Glauber, recentemente: “Por que a juventude e seu gosto pelo cinema de hoje fogem dele sem mesmo o conhecer? Por que combatê-lo, defenestrá-lo sem olhar atentamente à sua obra e buscar nela algo de útil e substancial para o cinema e para o Brasil?”.
Quando o Congresso abriu espaço para o regime militar, em março de 1964, Glauber lançava em Cannes – o Célebre Festival – seu filme, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Ele escreveu, então: “Nossa originalidade é a nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida". Seria essa fome que levaria a legitimar uma reação violenta: "... a mais nobre manifestação da fome é a violência. (...) somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas o colonizado é um escravo...".
Lucas Rodrigues Pires descreve a volta de Glauber ao Brasil: “No final de 1965, Glauber volta ao Brasil e é preso, juntamente com outros seis intelectuais, quando protestavam contra a ditadura durante uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele fica detido por 23 dias. No começo de 1966, vai ao Norte do país e filma Maranhão 66, um curta documental sobre a posse do governador José Sarney em que o diretor faz uma montagem paralela entre as cenas da posse e a miséria do povo. Cenas desse documentário seriam usadas em Terra em Transe, que começaria a filmar no segundo semestre do mesmo ano”. Ele cita Geraldo Mayrink em "Citizen Glauber", na Playboy em 1981 e revisto para a coletânea “Obrigado pela Lembrança” (Unimarco Editora, 2001), "quando [Glauber Rocha] foi embora, era quase um santo da revolução, uma espécie de mártir. Quando voltou, era um apóstata que renegava suas origens revolucionariamente santas".
Nesse período Glauber foi diagnosticado como louco, por ativistas da esquerda. Ele passou a escrever para jornais como o “Correio Brasiliense”, considerado de direita –e não poupava críticas a ideologia de antigos companheiros.
Outra pessoa a fazer incursos sobre a trajetória humana e genialmente criativa de Glauber é Marcelo Rubens Paiva. Ele escreveu: “Glauber morou dois anos em Cuba, onde conviveu com guerrilheiros brasileiros. Chorou num discurso de 1º de maio de Fidel Castro. Era Glauber, o engajado guerrilheiro contra o dragão da maldade. A posterior admiração por Golbery do Couto e Silva, general ideólogo do movimento militar, a quem se referiu como "o gênio da raça", e, a partir de 74, o apoio à transição política dos generais-presidentes Geisel (1974/1979) e Figueiredo (1979/1985) ofuscaram o passado revolucionário. O que levou um dos maiores pensadores do Terceiro Mundo, aliado da guerrilha, a mudar repentinamente de lado? Levantou-se a suspeita de que Glauber estivesse louco. Diante do "patrulhamento", expressão cunhada na época, Glauber radicalizou, chamou a esquerda de "carcomida" e filiou-se ao PDS (Partido Democrático Social), braço civil do regime militar. Passou a ser requisitado por uma imprensa ávida por suas declarações polêmicas. E Glauber não decepcionou.” Marcelo anotou outras declarações bombásticas de Glauber Rocha, nesse período:
- “Em 1977: "As pessoas que combatem o regime militar não merecem meu respeito"; "Não acredito em nenhum líder civilista. Os discursos do Geisel são os melhores textos políticos que o Brasil tem atualmente".
- Em 1978: "Aqui só tem uma coisa séria em política, o Exército. Castelo Branco deveria ter criado apenas um partido: Partido Único do Exército para a Revolução Brasileira".
- Em 1980: "Sou favorável à política do governo, pois ele é dirigido por militares, e eles não são demagogos. A palavra para eles tem peso real".
Conclui que ao apoiar os militares Glauber Rocha gerou ressentimento fora e dentro do Brasil. E no momento mais delicado de sua vida, doente e sem dinheiro, Glauber não foi levado a sério, enquanto suas previsões iam se concretizando: o movimento militar brasileiro caía não por força de organizações guerrilheiras, mas devido a uma ruptura interna encabeçada por militares nacionalistas... (Folha de S.Paulo).
GLAUBER HAVIA ENLOUQUECIDO?
No artigo “Até Golbery queria saber o que Glauber estava dizendo”, Quim Andrade, em depoimento a Mário Pacheco, relatou: “O Glauber ficou como o único porta-voz dos militares e ele não podia agir de outra forma, porque ele tinha entrado numa armadilha, ele tinha ódio do Miguel Arraes por causa disso, porque o Miguel Arraes botou ele nessa armadilha, ele tentou falar mal do Miguel Arraes, dizia que ele era o homem que negociava o petróleo lá nas Arábias e vendia petróleo para o Brasil, por isso ficou rico, mas não deu certo. Glauber teve de passar para o lado dos militares, e a esquerda tratava ele como louco”.
Em 1993, Ottaviano de Fiori di Cropani escreveu na revista “Lua Nova” um texto sobre a trajetória politico-revolucionária de Miguel Arraes chamado “O Nacional-desenvolvimentismo e a revolução mundial”. Mostra as diversas tendências da esquerda em suas estratégias geopolíticas: “Durante a ditadura pós-64, a esquerda nunca deixou de apoiar as medidas nacionalistas dos militares, mitificadas pela retórica messiânico-modernista de Glauber Rocha. Fábio Munhoz, trotskista preso em 1969, manteve discussões com militantes stanilistas e da ALN, que tinham sido levados do presidio para conversar com oficiais ligados ao velho tenentista, General Albuquerque Lima. Observou então argutamente que a nostalgia dos revolucionários nacionalistas brasileiros em relação aos militares era a mesma relação de amor e ódio que os trotskistas mantinham em relação a URSS”.
O que percebemos no Brasil de hoje, quando muitas mudanças estão em curso, é a realização de ideais do Manifesto Comunista do século XVII, que reza: “Os proletários não tem pátria! Proletários de todo o mundo, uni-vos!”. Recentemente, representando o (P)MDB o senador Romero Jucá – o “Caju”, comenta-se - um dos implicados na Operação Lava-Jato. Ele regressou da China, batendo no peito, alvoroçado, dizendo da realização de um pacto cooperativo entre o PC Chinês e o MDB – e o que vemos é uma presença empreendedora chinesa cada vez maior na Amazônia – em que termos esses contratos? Houve concorrência? Houve espaço para a prática democrática? Duvido! Possivelmente a famigerada “Nova Ordem Mundial” é o fio que liga os ideais do “Manifesto Comunista” – os jacobinos - rumo a um “Estado Mundial Comunista”. Um hino de 1871, da Comuna de Paris, cantava: “A Internacional será a Raça Humana”.
Hoje com a tecnologia da informática, a nanotecnologia, satélites, micro-câmeras, drones, etc., será possível monitorar diuturnamente cada cidadão – que é o que já acontece na China com seus bilhões de semi-escravos. Perto disso o Regime Civil-Militar Brasileiro poderia ser comparado a um mamão papaya com açúcar.
GLAUBER, GÊNIO DA RAÇA
No site "O Martelo", o escritor Zuenir Ventura escreveu, após a morte de Glauber: "Ele acreditou na abertura porque o ex-presidente Geisel era, como ele, protestante. Polemico, escandaloso, Glauber, que filmava, escrevia e falava por metáfora, além de lançar nas telas as desvairadas, geniais imagens que costumava criar, podia ter visões ampliadas da realidade - o que, no cinema, lhe dava a merecida fama de gênio e, na vida, a lenda de louco... Se é improvável que tenha havido um complô, é possível que o cineasta tenha morrido em consequência de uma conjugação de imperícia médica. Glauber pode ter chegado ao Rio praticamente morto por falta de um tratamento adequado de Lisboa".
GLAUBER ROCHA: FICO COM O
NACIONALISMO DOS MILITARES
Em uma de Glauber a Zuenir Ribeiro, de 31.08.1974: "Querido Zus, acho que Geisel tem tudo na mão para fazer do Brasil um país forte, justo, livre. Estou certo inclusive que os militares sãolegítimos representantes do povo. Chegou a hora de reconhecer sem mistificações, moralismos bobocas, a evidência: Costa era quente, frias eram as consciências em transe que não viram pintar as contradições no espelho da história... Acho Delfim Netto burro, idem Roberto Campos. Chega de mistificação. Para surpresa geral, li, entendi e acho o General Golbery um gênio - o mais alto da raça ao lado do professor Darcy. Que Celso Furtado é a metáfora do terceiro mundo dragado pela Wall Street Scout. Que Fernando Henrique é o príncipe de nossa sociologia. Que Chico Buarque é o nosso Errol Flynn. Que entre a burguesia nacionalinternacional e o militarismo nacionalista, eu fico, sem outra possibilidade de papo, com o segundo".
DARCY RIBEIRO: GLAUBER
CHORAVA PELAS CRIANÇAS
O antropólogo Darcy Ribeiro, amigo de Glauber, relata em seu livro Confissões: "Tenho muitas lembranças do meu amigo Glauber. A mais comovente foi em seu apartamento, em Ipanema, no Rio. Fui chamado por sua mulher, dizendo que ele passava mal. Encontrei Glauber pelado, chorando convulsivamente. Ele me abraçou dizendo que ninguém tinha fé nele, que estava sozinho naquela cidade. Eu lhe disse que era muito querido e respeitado, que eu poria ali, imediatamente, qualquer intelectual que ele quisesse ver. Ai Glauber passou a chorar mais fortemente ainda, dizendo aos arrancos: "As crianças, Darcy. Tanta criança".
![]() |
| GABEIRA,EM CUBA, QUERIA GLAUBER COMO UM MÁRTIR A SERVIÇO DA REVOLUÇÃO (Cópia de um trecho do site O MARTELO) |
Essas insinuações da chamada “Comissão da Verdade”, pois, são irracionais e completamente alheias aos fatos que antecederam a morte de Glauber Rocha. Se houve incompreensão por parte de grande parte dos militantes de esquerda, na época, pela opção politica de Glauber Rocha, em sua aliança com os militares, à história revela que ele tinha razão. Glauber viu, em loco, a realidade de republiquetas socialistas e a condição do povo, tanto em Cuba, como em outros países, inclusive a antiga URSS. Ele foi um intelectual brilhante que aliava seu amor pelo Brasil a ardente busca de um destino melhor para sua gente. Infelizmente os que usufruíram sua influencia, na construção do diálogo que levou a Abertura Democrática, traíram os brasileiros legando uma Constituição eivada de artimanhas e parágrafos para garantir privilégios e coibir o universal e amplo direito do povo, em Nome do qual o poder deve ser exercido. Hoje Glauber também estaria indignado e chorando em função de uma realidade perversa, cheia de personagens egocêntricos, corruptos nos poderes, cuja ambição maior é permanecer neles e extrair da Nação seus recursos, suas forças, seu trabalho e seu patrimônio maravilhoso, legado de Deus aos que nasceram ou vivem no Brasil. Que os dragões da maldade sejam mil vezes derrotados sob a ação redentora do Santo Guerreiro – simbolizado por milhões de brasileiros que amam a Deus e honram sua pátria (Texto/Pesquisa: José Julio de Azevedo)




Nenhum comentário:
Postar um comentário