Vamos refletir sobre os valores cultivados desde há séculos
no Brasil - poder, dinheiro, terras, ouro, etc. – que movem a mentalidade colonial,
bandeirante, até a atualidade?
Vivemos numa situação de crise moral, social e econômica –
vários vetores e setores contribuem para a permanência dessa mentalidade que
gera desequilíbrio social, injustiças e as mazelas generalizadas. É fácil
constatar essa realidade. Mas, como transformá-las? A Educação, tanto quanto a
cidadania quanto a espiritualidade - é, deve e pode ser mais ainda um fator de
transformação da sociedade, em benefício da cidadania.
Porém o que vemos no Brasil, em quase todos os setores “esclarecidos”,
“iluminados”, é um distanciamento da população mais carente. Há um divorcio,
como se grande parte da população faria parte de um apartheid, um gueto - sem
vínculos capazes de resgatar os valores universais da verdadeira revolução –
aquela que transforma a sociedade a partir dos indivíduos comprometidos com a
justiça, a verdade e a dignidade humana. Há necessidade de "individuação" e não do individualismo corporativista, soberbo e arogante, que vampiriza a nação.
Porque o Brasil tem uma casta que parece estar acima da lei
e da justiça? Porque privilégios aberrantemente escandalosos permanecem por
gerações – sem que haja mudança para melhor? Em países da Europa, por exemplo,
não há essa diferença social entre deputados, juízes, ministros do executivo com relação à
média da população – tanto cultural como economicamente falando. Porque na Suécia o Ministro do Supremo
Tribunal Federal vai de bicicleta ao trabalho, e depoisviaja de metrô?; Lá um
deputado não tem mordomias afrontadoras, ganha modestamente para representar o
povo – não tem bolsas moradia, alimentação, gabinetes com 25 auxiliares, etc. Há equidade
social por isso menos violência, menos delinquência, menos injustiça. Há bom
senso!
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| Greve criativa: ensinando o povo a votar sem se corromper. |
No Brasil parece que o maior sonho não é ser justo, estar em
paz com uma consciência sadia. Há uma mentalidade predatória e o oportunismo é
moeda forte, seja nos privilégios auto amealhados, nas negociatas entre “representantes do povo”
no Senado e na Câmara fomentando a exponencial corrupção – com suas trágicas consequências
nos serviços públicos, na remuneração de professores, enfermeiros, servidores
braçais. Esse desequilíbrio gera a marginalidade, o uso de drogas por uma
juventude sem perspectivas.
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| Campo Grande sustentável: Pelo fim dos agrotóxicos. |
Um dos fundamentos da crise brasileira está na mentalidade feudal
de uma elite que coloca os valores econômicos como padrão, vitrine de "sucesso" para a população. O sonho passa a ser o ter e não o Ser. Essa mentalidade corrompe e influencia grandes parcelas
da população – inclusive homens ilustres, pastores, músicos, intelectuais, bispos
e magistrados; seguem a trilha da corrupção, seja oficializada, seja marginal – que teriam o dever moral de ser exemplo, modelo de sobriedade e
moralidade. Por isso prospera e ganha Ibope a "teologia da prosperidade" - que deturpa a Igreja em benefício da mãe de todos os pecados, a cobiça!
Há uma concorrência brutal para ser os “mais”. Ter mais
dinheiro no banco; ter os melhores aviões; ter mais hectares de terra, o automóvel mais caro -
geralmente grilada, ameaçando biomas, a saúde da terra e tribos indígenas. Nessa maratona em
busca da prosperidade a qualquer custo – inclusive da própria alma – observamos
uma sociedade decadente, maliciosa, hipócrita – com as perversões provocadas
pelo excesso de bens materiais e falta da dignidade, hombridade e honra, que só os valores éticos e
espirituais podem trazer.
O que podem fazer, por exemplo, os professores – a maioria
tão humilhada pela remuneração oferecida pelo poder público. Quando classes
trabalhadoras se mobilizam em greve parecem defender apenas o seu status quo. O
direito, porém, tem “um princípio maior que está na obrigação que todos temos de não
lesar ninguém, vivendo em prol do bem comum”. Porém é isso que vemos no Brasil,
com a maratona do “eu sou [tenho] mais que eles”? Os servidores públicos, que tiveram
mais oportunidade de esclarecimento, devem, ao entrarem em greve, por exemplo,
utilizar solidaria e criativamente esse direito. Como? Imaginem cem mil
trabalhadores em greve, indo de casa em casa, conversando com o cidadão comum,
orientando quanto a seus direitos e deveres. Alertando-o quanto a importância de
seu voto, levando-o a repudiar a negociata de seu voto, e o valor que tem, com sua comunidade, em
ser bem representado pelo vereador, o deputado, o prefeito, etc.
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| Os professores podem reagir promovendo a cidadania na comunidade. |
Poderá o Brasil sair dessa crise? Apenas com o esforço de
uma minoria crescente, consciente e responsável, esteja onde estiver, nas igrejas,
sindicatos, escolas, associações. Não para tramar uma derrubada do regime –
pois a Democracia é boa e deve ser aperfeiçoada. Ditaduras sob o apelido de “socialismo”
levaram o caos, a fome e o genocídio a muitas nações!
O Brasil importou a alto custo o que a Europa e os EUA
rejeitam: a imposição do modelo rodoviário; a imposição dos venenos agrotóxicos
e maquinaria pesada que degradam o solo
e a água – além de formar uma legião de doentes – que são bem vindos pelos
laboratórios farmacêuticos - doentes cronificados! Vamos repensar o Brasil? Vamos mudar paradigmas? Ou
vamos apenas lamentar, em ladainhas, as mazelas dos governantes? Faça de seu espaço um lugar de mudança, para melhor, por amor do Brasil e dos brasileiros!
Viva o Brasil! O escritor austríaco Stefan Zweig, exilado no Brasil – admirado com a
convivência de tantas raças, cores e culturas, na formação do Brasil - disse
que somos o “Pais do Futuro”. Que possamos, com esperança e fé, participar no
presente, da formação de um País que possa ser sinônimo de uma “pátria amada”, por todos e
para todos! “Nosso tempo somos nós”: Essa é uma afirmação de Carl Gustav Jung,
um dos pais da psicanálise. Filho de um pastor protestante foi marcadamente
influenciado pelo cristianismo, apesar de sua formação acadêmica eclética. Em
várias ocasiões defendeu a espiritualidade real como uma das geratrizes da vida
psicológica saudável. Foi aluno de Sigmund Freud e, a nosso ver, superou seu
mestre.
Cada um, seja em seu blog, sua tribuna, seu púlpito, sua sala de aula, seja através da amizade, do aconselhamento, da instrução para a cidadania. Podemos revolucionar mentalidades e ver luz no fim do túnel.
José Julio de Azevedo





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