quinta-feira, 9 de junho de 2016

CRISE, EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO: FORMAR MENTALIDADES POR UM BRASIL MAIS JUSTO



Vamos refletir sobre os valores cultivados desde há séculos no Brasil - poder, dinheiro, terras, ouro, etc. – que movem a mentalidade colonial, bandeirante, até a atualidade?
Vivemos numa situação de crise moral, social e econômica – vários vetores e setores contribuem para a permanência dessa mentalidade que gera desequilíbrio social, injustiças e as mazelas generalizadas. É fácil constatar essa realidade. Mas, como transformá-las? A Educação, tanto quanto a cidadania quanto a espiritualidade - é, deve e pode ser mais ainda um fator de transformação da sociedade, em benefício da cidadania.
Porém o que vemos no Brasil, em quase todos os setores “esclarecidos”, “iluminados”, é um distanciamento da população mais carente. Há um divorcio, como se grande parte da população faria parte de um apartheid, um gueto - sem vínculos capazes de resgatar os valores universais da verdadeira revolução – aquela que transforma a sociedade a partir dos indivíduos comprometidos com a justiça, a verdade e a dignidade humana. Há necessidade de "individuação" e não do individualismo corporativista,  soberbo e arogante, que vampiriza a nação.
Porque o Brasil tem uma casta que parece estar acima da lei e da justiça? Porque privilégios aberrantemente escandalosos permanecem por gerações – sem que haja mudança para melhor? Em países da Europa, por exemplo, não há essa diferença social entre deputados, juízes, ministros do executivo com relação à média da população – tanto cultural como economicamente falando. Porque na Suécia o Ministro do Supremo Tribunal Federal vai de bicicleta ao trabalho, e depoisviaja de metrô?; Lá um deputado não tem mordomias afrontadoras, ganha modestamente para representar o povo – não tem bolsas moradia, alimentação, gabinetes com 25 auxiliares, etc. Há equidade social por isso menos violência, menos delinquência, menos injustiça. Há bom senso!
Greve criativa: ensinando o povo a votar sem se corromper.




No Brasil parece que o maior sonho não é ser justo, estar em paz com uma consciência sadia. Há uma mentalidade predatória e o oportunismo é moeda forte, seja nos privilégios auto amealhados,  nas negociatas entre “representantes do povo” no Senado e na Câmara fomentando a exponencial corrupção – com suas trágicas consequências nos serviços públicos, na remuneração de professores, enfermeiros, servidores braçais. Esse desequilíbrio gera a marginalidade, o uso de drogas por uma juventude sem perspectivas.
Campo Grande sustentável: Pelo fim dos agrotóxicos.
Um dos fundamentos da crise brasileira está na mentalidade feudal de uma elite que coloca os valores econômicos como padrão, vitrine de "sucesso" para a população. O sonho passa a ser o ter e não o  Ser. Essa mentalidade corrompe e influencia grandes parcelas da população – inclusive homens ilustres, pastores, músicos, intelectuais, bispos e magistrados; seguem a trilha da corrupção, seja oficializada, seja marginal – que teriam o dever moral de ser exemplo, modelo de sobriedade e moralidade. Por isso prospera e ganha Ibope a "teologia da prosperidade" - que deturpa a Igreja em benefício da mãe de todos os pecados, a cobiça!
Há uma concorrência brutal para ser os “mais”. Ter mais dinheiro no banco; ter os melhores aviões; ter mais hectares de terra, o automóvel mais caro - geralmente grilada, ameaçando biomas, a saúde da terra e tribos indígenas. Nessa maratona em busca da prosperidade a qualquer custo – inclusive da própria alma – observamos uma sociedade decadente, maliciosa, hipócrita – com as perversões provocadas pelo excesso de bens materiais e falta da dignidade, hombridade e honra, que só os valores éticos e espirituais podem trazer.
O que podem fazer, por exemplo, os professores – a maioria tão humilhada pela remuneração oferecida pelo poder público. Quando classes trabalhadoras se mobilizam em greve parecem defender apenas o seu status quo. O direito, porém, tem “um princípio maior que está na obrigação que todos temos de não lesar ninguém, vivendo em prol do bem comum”. Porém é isso que vemos no Brasil, com a maratona do “eu sou [tenho] mais que eles”? Os servidores públicos, que tiveram mais oportunidade de esclarecimento, devem, ao entrarem em greve, por exemplo, utilizar solidaria e criativamente esse direito. Como? Imaginem cem mil trabalhadores em greve, indo de casa em casa, conversando com o cidadão comum, orientando quanto a seus direitos e deveres. Alertando-o quanto a importância de seu voto, levando-o a repudiar a negociata de seu voto, e o valor que tem, com sua comunidade, em ser bem representado pelo vereador, o deputado, o prefeito, etc.
Os professores podem reagir promovendo a cidadania na comunidade.
Poderá o Brasil sair dessa crise? Apenas com o esforço de uma minoria crescente, consciente e responsável, esteja onde estiver, nas igrejas, sindicatos, escolas, associações. Não para tramar uma derrubada do regime – pois a Democracia é boa e deve ser aperfeiçoada. Ditaduras sob o apelido de “socialismo” levaram o caos, a fome e o genocídio a muitas nações!
"Em 2015, conforme pesquisas qualitativas e quantitativas, o Brasil piorou em relação a 2011, aparecendo em 62ª colocação no Ranking Global de Educação, posição que segundo o site Brasil Econômico é vergonhosa. O intuito deste ranking é mostrar como está o desempenho dos sistemas educacionais ao redor do mundo, analisando a proficiência dos alunos em matérias como matemática e ciências" (Fonte: Blog MITI Inteligência).
O Brasil importou a alto custo o que a Europa e os EUA rejeitam: a imposição do modelo rodoviário; a imposição dos venenos agrotóxicos e maquinaria pesada  que degradam o solo e a água – além de formar uma legião de doentes – que são bem vindos pelos laboratórios farmacêuticos - doentes cronificados! Vamos repensar o Brasil? Vamos mudar paradigmas? Ou vamos apenas lamentar, em ladainhas, as mazelas dos governantes? Faça de seu espaço um lugar de mudança, para melhor, por amor do Brasil e dos brasileiros!
Viva o Brasil! O escritor austríaco Stefan Zweig, exilado no Brasil – admirado com a convivência de tantas raças, cores e culturas, na formação do Brasil - disse que somos o “Pais do Futuro”. Que possamos, com esperança e fé, participar no presente, da formação de um País que possa ser sinônimo de uma “pátria amada”, por todos e para todos! “Nosso tempo somos nós”: Essa é uma afirmação de Carl Gustav Jung, um dos pais da psicanálise. Filho de um pastor protestante foi marcadamente influenciado pelo cristianismo, apesar de sua formação acadêmica eclética. Em várias ocasiões defendeu a espiritualidade real como uma das geratrizes da vida psicológica saudável. Foi aluno de Sigmund Freud e, a nosso ver, superou seu mestre.

Cada um, seja em seu blog, sua tribuna, seu púlpito, sua sala de aula, seja através da amizade, do aconselhamento, da instrução para a cidadania. Podemos revolucionar mentalidades e ver luz no fim do túnel.

José Julio de Azevedo

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